Nº 1275
HÀ PESSOAS
Há pessoas que são flores.
Chegam coloridas, sedutoras, cheias de vida, e por onde passam deixam o mundo a cheirar melhor. Têm qualquer coisa de primavera, mesmo quando chegam em dias de chuva.
Há pessoas que são calmantes.
Têm olhos da cor do céu e uma voz que parece saber exatamente onde pousar. Quando falam, soltam pequenas bolinhas de amor que ficam a pairar no ar e, sem darmos por isso, respiramos melhor.
Há pessoas que são luz.
Brilham sobretudo quando a nossa noite parece não ter fim. Não têm medo da nossa escuridão. Aproximam-se, procuram às cegas e encontram sempre aquele pequeno interruptor que julgávamos ter perdido.
Há pessoas mais ou menos.
Não nos leem a alma, não nos acordam sonhos, não nos fazem querer escrever poemas às três da manhã. Mas também não nos roubam o sorriso que mora entre as bochechas.
Há pessoas desligadas.
Vivem dentro da sua própria bolha, tão ocupadas com o seu pequeno universo que quase não reparam no que acontece à sua volta. Podem passar por uma gargalhada sem querer saber de onde veio. Podem atravessar um carreiro de formigas sem reparar na pequena procissão de vidas que lhes passa aos pés. O mundo acontece-lhes ao lado, mas raramente lhes toca.
E depois há aquelas pessoas raras.
As que não cabem em nenhuma destas categorias.
São flores, luz, céu, calmantes, colo, amor, abrigo, nada e tudo ao mesmo tempo.
Vanda Furtado Marques
MEDITAR
A justiça do Pai é dar o melhor a cada um
A vinha é o campo mais apreciado, aquele em que o agricultor investe mais trabalho e paixão, esforço e poesia. Sem poesia, de facto, até o gole de vinho é estéril. Somos a vinha de Deus, o seu cultivo não tem preço. A parábola do fazendeiro que sai de casa de madrugada conta isso, e já desde as primeiras luzes do dia vagueia pela aldeia em busca de trabalhadores. E vai voltar mais quatro vezes, a cada duas horas, enquanto houver luz.
Neste ponto, porém, algo não bate certo: que sentido faz para um empresário recrutar jornaleiros quando falta apenas uma hora para o pôr do sol? É só tempo de chegar à vinha, para receber as contas do encarregado, e faz-se noite. Nasce então a suspeita de que há mais, de que aquele que procura braços perdidos está mais interessado nos homens e na sua dignidade do que na sua vinha, mais nas pessoas do que no lucro.
Mas chegamos ao cerne da parábola, o pagamento. Primeiro gesto inquietante: começar por quem trabalhou menos.
Segundo gesto ilógico: pagar uma hora de trabalho como se fossem doze horas. E percebemos que não é um pagamento, mas um presente. Aqueles que suportaram o impacto do calor e da fadiga esperavam, com razão, que lhe pagassem um suplemento. Como culpá-los? E aqui estamos novamente desarmados: Não, amigo, não te faço mal. O proprietário não tira nada aos primeiros, acrescenta aos outros. Não é injusto, mas generoso.
E cria uma vertigem na nossa forma mercantil de conceber a vida: coloca o homem antes do mercado, a dignidade da pessoa antes das horas trabalhadas.
E lança-nos a todos numa aventura desconhecida: a de uma economia solidária, uma economia de doação, de solidariedade, do cuidar do elo mais fraco, para que a cadeia não se quebre. A aventura da bondade: o proprietário envolve a justiça com a caridade e perfuma-a.
Comove-me o Deus apresentado por Jesus, um Deus que com aquele dinheiro, que chega inesperado e abençoado a quatro quintos dos trabalhadores, pretende insuflar vida na vida dos mais precários. A justiça humana é dar a cada um o que é seu, a justiça de Deus é dar a cada um o melhor. Nenhum empresário faria isso. Mas Deus não é; não é o empresário, não é o contador de méritos, é o Doador, que não sabe contar, mas que sabe surpreender-nos.
Não há vantagem, então, em trabalhar desde a primeira hora? Apenas mais esforço? Há sim, há um orgulho humilde e poderoso por ter tornado a vinha da história mais bela, por ter deixado mais vida para trás de ti.
Importas-te que eu seja bom? Não, Senhor, não me importo, porque sou o último trabalhador, porque sei que tu virás à minha procura de novo, mesmo que seja já muito tarde.
Ermes Ronchi
Ninguém te mandou essa cruz.
A Cruz não é o "sofrimento" que Deus manda.
Nem o "azar" que nos calhou na vida. Isso é conversa de café, não é Evangelho.
Aceitar a cruz não é aguentar tudo calado. É perceber que a dor faz parte da vida de toda a gente e que a minha cruz não pode se pode tornar a cruz de quem está ao meu lado.
Há coisas em nós que têm de morrer, para outras finalmente viverem. O orgulho que não cede. O rancor que já nem sabemos porque ainda ali está. O medo de pedir desculpa primeiro.
E se hoje déssemos por nós a perguntar: o que é que me impede de amar mais, de ser mais livre, mais gente, mais eu?
Agora, atenção, isto é importante: Deus não manda ninguém aguentar um casamento que destrói. Nem uma humilhação repetida todos os dias. Nem a arrogância de quem gosta de te ver pequeno. Isso não é cruz. Isso é mal. E o mal combate-se, não se "oferece".
A Cruz verdadeira é outra coisa. É o preço de amar a sério, até ao fim. Jesus não andou à procura da morte. Andou à procura da verdade e pagou por isso.
Por isso, se a tua cruz hoje pesa mais do que devia, se sentes que já não consegues sozinho, ouve isto: tu não foste feito para carregar tudo sozinho. Nem Jesus carregou a dele sem ajuda. Houve um Simão de Cirene. Procura o teu. Ou sê tu o Simão de alguém.
Perdoar sem à-vontade nenhum. Pedir desculpa mesmo com o orgulho a doer. Ficar quando seria mais fácil fugir. Defender quem ninguém defende. Ajudar sem andar a fazer contas.
É isto que hoje se celebra.
Não a dor pela dor.
O amor que não desiste, nem quando custa caro.
Qual é a tua cruz hoje?
E o que estás disposto a deixar morrer, para finalmente viver?
Padre João Torres
PENSAMENTO DA SEMANA
Jesus leva?nos sempre ao mesmo ponto: “Pelos seus frutos os conhecereis.”
Daqui nasce um princípio simples: O nosso comportamento revela aquilo em que acreditamos.
Passamos tanto tempo a discutir crenças. Escrevemos credos.
Debatemos teologia.
Disputamos doutrina.
Queremos dizer às pessoas o que acreditamos sobre Deus.
Mas, se queremos saber no que alguém acredita, não ouças apenas o que diz. Observa o que faz.
Repara em quem acolhe.
Repara em quem descarta.
Repara em quem defende — sobretudo quando custa defendê?lo.
Repara em como trata os outros quando tem poder.
Repara em como trata quem nada lhe pode oferecer.
O comportamento conta uma história. E essa história, por vezes, revela uma teologia que não coincide com a que sai da boca.
Conheci cristãos que sabiam toda a teologia de cor — mas que não amavam o próximo.
E conheci pessoas ainda a aprender, ainda a crescer, ainda incertas nas suas “respostas” sobre Deus, mas cuja vida transbordava compaixão, generosidade e graça.
Rev. Dr. Mark Sandlin (Adaptado)
INFORMAÇÕES
REUNIÃO DE CATEQUISTAS
Ribeira Seca - 21 de setembro às 18h30;
Calheta - 22 de setembro às 18h30;
Biscoitos - 23 de setembro às 18h30 horas.
FESTA DO BOM JESUS - FAJÃ GRANDE
Tríduo: 23, 24 e 25 de setembro às 20 horas.
Festa dia 27 de setembro:
- Eucaristia de festa às 16 horas seguida de arrematações e procissão.
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Agenda Pastoral
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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