Nº 1087

 

PROFETAS DE UM FUTURO QUE NÃO NOS PERTENCE

 

"De vez em quando ajuda-nos recuar um passo e ver de longe.

O Reino não está apenas para além dos nossos esforços,

está também para além das nossas visões.

 

Na nossa vida, conseguimos cumprir apenas uma pequena parte

daquele maravilhoso empreendimento que é a obra de Deus.

Nada daquilo que fazemos está completo.

Isto quer dizer que o Reino está mais além de nós mesmos.

 

Nenhuma afirmação diz tudo o que se pode dizer.

Nenhuma oração exprime completamente a fé.

Nenhum credo contém a perfeição.

Nenhuma visita pastoral traz consigo todas as soluções.

Nenhum programa cumpre plenamente a missão da Igreja.

Nenhuma meta ou objetivo atinge a dimensão completa.

 

Disto se trata:

 

Plantamos sementes que um dia nascerão.

Regamos sementes já plantadas,

sabendo que outros as guardarão.

 

Pomos as bases de algo que se desenvolverá.

Pomos o fermento que multiplicará as nossas capacidades.

 

Não podemos fazer tudo,

mas dá uma sensação de libertação iniciá-lo.

Dá-nos a força de fazer qualquer coisa e fazê-la bem.

Pode ficar incompleto, mas é um início, o passo de um caminho.

Uma oportunidade para que a graça de Deus entre e faça o resto.

 

Pode acontecer que nunca vejamos a sua perfeição,

mas esta é a diferença entre o mestre de obras e o trabalhador.

 

Somos trabalhadores, não mestres de obras,

servidores, não messias.

 

Somos profetas de um futuro que não nos pertence."

Óscar Romero

 

MEDITAR

SE O SAL SE TORNA INSONSO…

Poucos escritos podem abalar hoje os corações dos crentes com tanta força como o pequeno livro de Paul Evdokimov, O Amor Louco de Deus. Com fé ardente e palavras de fogo, o teólogo de São Petersburgo põe a descoberto o nosso cristianismo rotineiro e satisfeito.

Assim vê Paul Evdokimov o momento atual: «Os cristãos fizeram todo o possível para esterilizar o evangelho; dir-se-ia que o submergiram num líquido neutralizante. Amortece-se tudo o que impressiona, supera ou inverte. Convertida assim em algo inofensivo, esta religião aplanada, prudente e razoável, o homem só pode vomitá-la». De onde vem este cristianismo inoperante e amortecido?

As críticas do teólogo ortodoxo não se detêm em questões secundárias, mas apontam para o essencial. A Igreja aparece aos seus olhos não como «um organismo vivo da presença real de Cristo», mas como uma organização estática e «um lugar de auto-nutrição». Os cristãos não têm sentido da missão, e a fé cristã «perdeu estranhamente a sua qualidade de fermento». O Evangelho vivido pelos cristãos de hoje «não encontra mais do que a total indiferença».

Segundo Evdokimov, os cristãos perderam o contacto com o Deus vivo de Jesus Cristo e perdem-se em disquisições doutrinárias. Confunde-se a verdade de Deus com as fórmulas dogmáticas, que na realidade são apenas «ícones» que nos convidam a abrir-nos ao Mistério santo de Deus. O cristianismo move-se para o exterior e periférico, quando Deus habita no profundo.

Procura-se então um cristianismo rebaixado e cómodo. Como dizia Marcel More, «os cristãos encontraram uma maneira de se sentarem, não sabemos como, de forma confortável na cruz». Esquece-se que o cristianismo «não é uma doutrina, mas uma vida, uma encarnação». E quando na Igreja já não brilha a vida de Jesus, quase não há diferença com o mundo. A Igreja «converte-se em espelho fiel do mundo», ao que ela reconhece como «a carne da sua carne».

Muitos reagirão, sem dúvida, colocando matizes e objeções a uma denúncia tão contundente, mas é difícil não reconhecer o fundo da verdade para o qual Evdokimov aponta: na Igreja falta santidade, fé viva, contacto com Deus. Falta de santos que escandalizem porque encarnam «o amor louco de Deus», faltam testemunhas vivas do evangelho de Jesus Cristo.

As páginas ardentes do teólogo russo não fazem mais do que recordar as de Jesus: «Vós sois o sal da terra. Mas se o sal se torna insonso, com que a salgarão? Só serve para deitá-lo fora e que o pisem as gentes».

 

José Antonio Pagola

 

O maior desafio do amor

Hoje, as histórias de amor parece que acabam pouco depois de começarem. Poucos são os que julgam que o verdadeiro romantismo não está no primeiro beijo, mas sim no abraço que se dá todos os dias, mesmo quando não há grande vontade, e que dura anos. Muitos. Todos.

 Os verdadeiros heróis do amor são os que encontram forma de o promover e renovar vezes sem conta, aconteça o que acontecer, porque não são simples vítimas de uma paixão que lhes toma conta da vida, mas sim protagonistas de uma aventura que nasce da sua vontade.

 É romântico encontrar formas de compatibilizar: disponibilidades e horários de trabalho, ideias diferentes sobre temas tão triviais como um rolo de papel higiénico, e perspetivas desiguais face à gestão financeira, educação dos filhos, familiares problemáticos, e, talvez o mais importante: opiniões diferentes sobre quais devem ser os objetivos comuns, enquanto casal, e como os conjugar com os que são exclusivos de cada um dos membros.

 O amor é um esforço constante para superar barreiras, não é ficar sentado num trono e receber tudo de todos, sem sequer ter de pedir…

 Porque são poucos os que amam? Porque isso implica perdoar, ouvir antes de falar, compreender o que o outro nos está a tentar dizer mesmo quando não consegue, muito sentido de humor, criatividade e alguma loucura, e, muito importante: não deixar de ver o outro sempre como alguém bom, apesar de tudo.

 Amar implica sacrifícios sem fim. Perder-se-á se não formos capazes de lutar, várias vezes ao dia, contra os nossos egoísmos e orgulhos, com a força que tantas vezes não temos, a firmeza de quem confia em absoluto e a coragem de quem é capaz de se esquecer de si.

 É preciso ceder. É preciso pedir desculpa, mesmo quando não sentimos grande culpa. É preciso ceder. É preciso aceitar que o outro tem falhas, insuficiências e defeitos, mas também que nós os temos. É preciso ceder.

 O amor não é paixão. É algo que se constrói numa vida partilhada, cheia de coisas que não aparecem em nenhuma obra de arte.

 O amor vence quando duas pessoas reais e honestas assumem o compromisso de o fazer vencer.

José Luís Nunes Martins

 

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

“Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar: combinei comigo não desistir de mim.

Quanto mais o tempo passa, mais amorosamente, mais contente, mais compassiva, eu cumpro esse trato.”

Ana Jácome


 

INFORMAÇÕES

 

IRMANDADE DO DIVINO ESPÍRITO SANTO DA VILA DA CALHETA

CONVOCATÓRIA

Convocam-se os Irmãos da Irmandade do Divino Espírito Santo da Vila da Calheta, para a reunião ordinária da Assembleia Geral, a ter lugar na sua Sede pelas 20:00 horas do próximo dia 15 de fevereiro (quarta-feira) do ano de 2023, com a seguinte Ordem de Trabalho:

- Eleição dos Corpos Gerentes para o triénio 2023/2024/2025.

Caso não se consiga eleger novos Corpos Gerentes a chave será entregue ao Presidente da Assembleia Geral.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

“Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar: combinei comigo não desistir de mim.

Quanto mais o tempo passa, mais amorosamente, mais contente, mais compassiva, eu cumpro esse trato.”

Ana Jácome

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