Nº 1281

 

Todos os Santos e "Halloween": tão próximos, tão diferentes

Há mais de 2500 anos que os celtas celebram, a 31 de outubro, o seu novo ano, o fim das colheitas, a mudança de estação e a chegada do inverno.

Esta cerimónia festiva, em honra da divindade Samhain (deus da morte), permitiria comunicar com o espírito dos mortos. Nesse dia, abriam-se as portas entre o mundo dos vivos e dos mortos. De acordo com a tradição, nessa noite os fantasmas dos mortos visitavam os vivos. Para acalmar os espíritos, a população depositava ofertas diante das portas das casas.

A festa foi conservada no calendário irlandês após a cristianização do país como um elemento de folclore. Mais tarde implanta-se nos EUA com os emigrantes irlandeses do final do século XIX, onde conhece, ainda hoje, um imenso sucesso. O Halloween volta a atravessar o Atlântico, em sentido contrário, em direção à Europa, essencialmente por razões comerciais.

A verdadeira luz

Para além das crenças primordiais das origens, o "Halloween" é um pretexto para fazer a festa e esquecer as longas noites outonais, muitas vezes chuvosas e tristes.

Por seu lado, a solenidade de Todos os Santos é uma festa mais "interior". A Igreja liberta do medo da morte ao insistir, no primeiro dia de novembro, na esperança da ressurreição e na alegria daqueles que colocaram as Bem-aventuranças no centro da sua vida.

Esperança e medo

Enquanto o "Halloween" é uma festa do medo, com as crianças (e adultos) a divertirem-se a causar medo aos outros e a elas próprias, a evocação católica é uma festa de comunhão, comunhão com os santos, a 1 de novembro, e com os "fiéis defuntos", no dia seguinte.

Comunhão de todos por e com um Deus de amor. Estar em comunhão de pensamento, pela oração, é estar em ligação, em relação, em simpatia com os outros. Ao contrário, cultivar o medo é afastar-se dos outros, isolar-se deles, recolher-se nos seus próprios medos.

O "Halloween" é uma festa do negativo: o medo, o susto, a morte anónima, a angústia. A solenidade de Todos os Santos é uma festa do positivo: a proximidade com os mortos da família, a memória dos outros. Os santos foram pessoas que, desejosas de seguir o Evangelho, amaram os outros, devotaram-se em corpo e alma pela humanidade sofredora. São modelos de vida.

Conferência Episcopal Francesa(Adaptado)

 

MEDITAR

Todos os Santos: Bem-aventurados os últimos, os pobres, os que choram, Deus está convosco

Bem-aventurados os pobres, proclama Jesus no seu primeiro discurso, sobre a montanha (Mateus 5,1-12, Evangelho do domingo de Todos os Santos). Que significa bem-aventurado, este termo algo desusado e descolorido? A mente corre depressa para sinónimos como feliz, contente, afortunado.

Mas a palavra não pode ser compreendida só no mundo das emoções, empobrecida a um estado de alma aleatório. Em vez disso, indica um estado de vida, consolida a certeza mais humana que temos e que a todos nos configura em unidade: a aspiração à alegria, ao amor, à vida.

Bem-aventurados, e é como dizer: de pé, a caminho, em frente, vós pobres (A. Chouraqui), Deus caminha convosco, de coluna direita, não vos rendais, vós não violentos, sois o futuro da Terra; coragem, ergue-te e lança fora o manto do luto, tu que choras; não deixes cair os braços, tu que produzes amor.

Profundidades às quais nunca chegarei, Evangelho que continua a espantar-me e a escapar-me, e que, todavia, é preciso salvar a todo o custo; nostalgia prepotente de um mundo feito de paz e sinceridade, de justiça e corações puros, uma maneira totalmente outra de estar vivo.

As bem-aventuranças não são mais um preceito ou um novo mandamento, mas a bela notícia que Deus oferece alegria a quem produz amor, que quem se encarrega da felicidade de alguém, o Pai encarregar-se-á da sua felicidade.

Vosso é o reino: o Reino é dos pobres, porque o Rei se fez pobre. A terra é dos mansos, porque o poderoso se fez manso e humilde. A esta terra, embebida em sangue (o sangue do teu irmão grita-me), planeta de túmulos, quem oferece futuro? Quem está mais armado, é mais forte, mais desapiedado? Ou, antes, o tecedor de paz, o não violento, o misericordioso, o que cuida?

A segunda palavra do Evangelho diz: bem-aventurados aqueles que estão no pranto. A bem-aventurança mais paradoxal: lágrimas e felicidade mescladas, mas não porque Deus goste da dor, mas na dor Ele está contigo.

Um anjo misterioso anuncia a quem chora: o Senhor está contigo. Deus está contigo, no reflexo mais profundo das tuas lágrimas para multiplicar a coragem; em cada tempestade está ao teu lado, força da tua força, refúgio para os teus medos.

Como para os discípulos apanhados na noite pela borrasca no lago, Ele está na força dos remadores que não se rendem, nos braços sólidos de quem manobra o leme, nos olhos do vigia que perscruta a aurora.

Jesus anuncia um Deus que não é imparcial, tem as mãos enredadas na densidade da vida, tem um fraco pelos fracos, começa pelos últimos da fila, dos subterrâneos da história, escolheu os descartados do mundo para criar com eles uma história que não avança pela vitória dos mais fortes, mas por sementes de justiça e colheitas de paz.

 

Ermes Ronchi

 

Ó Cristo,

Tu que conheces a fuga

e as lágrimas dos feridos e oprimidos,

acolhe no Teu coração a mãe, a filha,

o marido, o irmão,

aquele que parte sozinho,

abrindo caminho aos que ficaram.

Cada novo passo é uma vida inteira;

cada fronteira, uma nova provação.

Dá-lhes coragem para atravessar

os labirintos sem rosto da burocracia.

 

Ó Cristo,

à Tua mesa ninguém é estrangeiro.

E que, ao chegarem à outra margem,

encontrem um rosto caloroso e acolhedor,

uma chávena de chá,

um lugar onde possam finalmente repousar.

Ensina-nos a compaixão,

para que sejamos aqueles que curam e reparam as brechas,

que restauram caminhos onde seja possível voltar a habitar.

Que em cada rosto saibamos reconhecer-Te.

E que aqueles que chegam, exaustos do caminho,

repousem finalmente nos braços da Tua Graça.

Samuel Jackson-Reed

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Onde alguém oferece pão a quem tem fome, água a quem tem sede,

abrigo a quem não tem casa,

cuidado a quem sofre

ou presença a quem está só,

Deus deixa-Se encontrar,

mesmo quando o Seu nome não é pronunciado.

Faustino Vilabrille, in "Fé Adulta

 


 

INFORMAÇÕES

MÊS DAS ALMAS NA RIBEIRA SECA

Durante o mês de novembro, também chamado “Mês das Almas”, haverá missa na Ribeira Seca, de segunda a sexta-feira, às 7h45.

O peditório para as “Missas das Almas” será feito nos moldes dos anos anteriores.


           
ASSEMBLEIA PASTORAL DE OUVIDORIA

No próximo dia 7 de novembro, vai haver um encontro para todos os movimentos, Conselhos Pastorais, Económicos, Catequistas, Grupos: corais, limpeza, enfeites. leitores… no Salão Paroquial da Urzelina.

Tem início às 10 horas com reflexão; 12 horas almoço convívio.

 

Music Azores’26

O Museu Francisco de Lacerda convida a assistir ao concerto in tenebris, pelo duo StaberPreinfalk, no âmbito do Music Azores’26, a realizar no auditório do Museu Francisco de Lacerda, no próximo dia 4 de novembro, pelas 21 horas.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Onde alguém oferece pão a quem tem fome, água a quem tem sede,

abrigo a quem não tem casa,

cuidado a quem sofre

ou presença a quem está só,

Deus deixa-Se encontrar,

mesmo quando o Seu nome não é pronunciado.

Faustino Vilabrille, in "Fé Adulta

 

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