Nº1279

A esperança de sermos compreendidos
Gostamos que gostem de nós. Na maior parte dos casos, esse desejo é sinal de que somos carentes, de que precisamos da atenção e do afeto dos outros para nos sentirmos completos e realizados.
Hoje, até chamamos amigos a pessoas com quem apenas temos contacto, mas sabemos, no fundo, que ser amigo de verdade é muito mais do que ter uma ligação no mundo virtual.
Por trás dessa confusão entre contacto e amizade está o desejo de não estarmos sós. É um desejo profundo, que corresponde a uma íntima e imensa necessidade de abraços que nos acolham, de quem nos aceite, compreenda e goste de nós como somos.
Claro que a responsabilidade também passa pela ilusão que criamos e alimentamos. Uma grande ilusão é o princípio da desilusão. Importa saber sonhar e moderar o desejo de que gostem de nós.
Depois, costumamos esconder as nossas facetas mais sombrias e complexas, enquanto sonhamos que os outros gostem, ou pelo menos aceitem, também aquilo que, por medo de sermos rejeitados, escondemos deles…
Connosco anda sempre uma esperança secreta de que possamos ser compreendidos pelos outros, mais ainda por aqueles que nos são próximos.
O maior problema desta atitude é que, na ânsia de procurar compreensão, não tentamos sequer compreender os outros: nem os próximos, que julgamos conhecer já muito bem, nem os estranhos, de quem muitas vezes a aparência nos basta para julgar que sabemos quem são.
Seria bom que aprendêssemos a olhar e a escutar o outro, sobretudo aquele que nos é próximo, com atenção e respeito, partindo sempre do princípio de que tudo quanto julgamos saber acerca dele não é, nem de perto, suficiente.
MEDITAR
Aprendamos a devolver a Deus o que é dele
Temos sempre necessidade de pertencer a alguém. Somos todos como a moeda romana que mostram a Jesus: “Divo Tibério”, “Pertenço ao divino Tibério, filho de Augusto”. E a quem pertenço eu? Talvez às coisas, aos poderes fortes, ao pensamento dominante, ou aos meus sonhos, aos vínculos vitais, ao amor que sinto e que, a Bíblia me garante (cf. 1 João 4,16), é "Deus que ama em mim "?
Os pró-imperialistas de Herodes e os independentistas do Sinédrio fazem a Jesus uma daquelas perguntas contundentes que fazem crescer a audiência e dividem os espectadores: mestre, tu que és livre e dizes as coisas como elas são, que relação tens com César, com o poder ?
A resposta de Jesus é perspicaz: como é seu costume, diante de perguntas maliciosas ou capciosas, leva os ouvintes a outro nível, surpreendendo-os com uma dupla mudança de perspetiva.
Primeira mudança: substitui o verbo “pagar” por “restituir”: dar, restituir a César o que é de César.
Viver é restituir a vida, que vem de antes de nós e vai para além de nós. Vivemos para retribuir amor a quem nos fez e nos faz viver com amor. Como respirar: acolher e retribuir, não se pode reter, é pura dádiva. “Recebeis, doai, ao doar ter-me-eis de novo”, escreve o antigo livro do Rig Veda.
Segunda mudança de perspetiva: Jesus põe em jogo a sua visão e a sua força profética, cortando claramente a ligação entre as duas palavras gravadas no dinheiro: o divino Tibério. César não é Deus, Tibério não é divino. Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Neste ponto Jesus para, não nos substitui, não nos isenta da responsabilidade de usar a nossa inteligência para avaliar, escolher, decidir quais são as coisas de César, quais são as coisas de Deus.
Restitui a Deus o que é de Deus: a terra e tudo o que ela contém é de Deus (Dt 10:14). César também pertence a Deus. Cada pessoa tem gravada a inscrição profética: “Eu pertenço ao meu Senhor”, “tem escrito na sua mão: eu sou do Senhor!” (Isaías 44.5).
Cada um é uma pequena moeda de ouro, em alto relevo, a imagem e semelhança de Deus, encimada por uma dedicatória sagrada: “Eu sou de Deus”. Cada um é um talento enviado ao mundo, para dar frutos e depois devolvê-los ao bem comum. Mas sem os perder: “doando-me, os receberei de novo”.
Entrando assim no circuito do dom que Jesus estabelece em vez da posse. Não acumulação, mas restituição; não as portas blindadas sobre os meus haveres, mas a sua circulação nas veias do mundo. O homem vive uma vida doada. Primeiro recebida e depois restituída.
Ermes Ronchi
Um Caminho sempre novo
O Evangelho não pretende contar-nos simplesmente a vida de Jesus, um galileu do século I. Não quer narrar o que aconteceu num determinado momento, nem se reduz a uma crónica dos factos.
O Evangelho é, antes, um apelo ao despertar. A sua finalidade — aquilo a que verdadeiramente se propõe — é que acreditemos e que, «acreditando, tenhamos Nele vida». Por isso, não nos podemos aproximar do Evangelho em busca de respostas fechadas, como se fosse um receituário para a felicidade.
Não há receitas.
A fé não é uma resposta: é um caminho.
A fé é quase uma pergunta,
e crer é o gesto de responder a esse anseio.
É como apaixonar-se: não se encontra uma resposta pronta, mas um caminho novo, inesperado, cheio de vida e novidade.
Os Evangelhos foram escritos para nos «apaixonar», para nos desinstalar e lançar num caminho sempre novo.
Se acreditamos, amamos…
então damos passos,
entramos na Vida eterna,
na Vida plena.
Comunidade de Monjas Trinitarias
PENSAMENTO DA SEMANA
Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas da nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar,
porque os sonhos tornam a pessoa livre.
Walt Whitman
INFORMAÇÕES
RECEITAS
Festa de Nª Sr.ª da Boa Viagem - Portal 1.615,00€ (arrematações).
Festa de Nª Sr.ª do Socorro - Biscoitos 1.111,00€ (arrematações).
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Nº1279Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas da nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar,
porque os sonhos tornam a pessoa livre.
Walt Whitman
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