Nº 1274

Querido(a) professor(a),
Antes de começares mais um ano letivo, há uma coisa que nós, os teus alunos, precisamos de te dizer. Mesmo que nem sempre saibamos como.
Sabemos que não vais ter apenas uma turma.
Vais ter mundos inteiros à tua frente.
Cada um com os seus medos, as suas manias, as suas perguntas, os seus silêncios…
Cada um a precisar de ti de uma maneira diferente.
E, mesmo assim, vais tentar chegar a todos.
Sabemos que haverá dias em que vais chegar a casa a duvidar de ti.
A pensar se fizeste bem. Se foste justo. Se conseguiste chegar àquele aluno.
Se fizeste alguma diferença.
E, no dia seguinte, vais voltar. Mesmo cansado, vais sorrir.
E esse sorriso, acredita, pode mudar o dia de um de nós.
Sabemos que vais corrigir trabalhos e testes até tarde.
Que vais preparar aulas quando já não te apetece.
Que vais responder a mensagens fora de horas.
Que vais ouvir críticas que não mereces e, muitas vezes, receber menos reconhecimento do que aquele que merecias.
E vais continuar.
Também sabemos que nem sempre te vamos facilitar a vida.
Vamos testar limites. Vamos responder torto. Vamos fazer barulho. Vamos distrair-nos. Vamos achar-te injusto.
Ou simplesmente não prestar atenção à aula.
Mas, muitas vezes, por baixo de tudo isso, pode estar um pedido que não sabemos fazer:
“Não desistas de mim.”
Às vezes não vamos saber mostrar. Mas precisamos que continues a acreditar em nós.
Porque tu não és “só o professor”.
És aquela pessoa de quem podemos lembrar-nos muitos anos depois.
És uma voz que fica na nossa cabeça.
És alguém que pode fazer-nos acreditar que somos capazes.
E, às vezes, és colo, mesmo quando estás a puxar por nós.
Por isso, obrigada. Por ficares. Por voltares. Por te importares. Mesmo nos dias em que ninguém te agradece.
Hoje, agradecemos nós.
Esta carta é para ti, professor.
Para o que ensinas.
Mas, sobretudo, para aquilo que deixas em cada criança que passa por ti."
Marta Rodrigues
MEDITAR
A medida do perdão é perdoar sem medida
“Não até sete, mas até setenta vezes sete”, sempre: a única medida do perdão é perdoar sem medida. Jesus não levanta a fasquia da moral, traz a boa nova de que o amor de Deus não tem medida. E conta-o com a parábola dos dois devedores. O primeiro devia uma soma astronómica ao seu senhor "então, atirando-se por terra, implorava-lhe ...".
A dívida, no tempo de Jesus, era uma coisa duríssima, quem não podia pagar ficava escravo para sempre. Quando rezamos: perdoa as nossas dívidas, estamos a pedir: dá-nos, para hoje e amanhã a liberdade, deixa-nos toda a liberdade de voar, de amar, de gerar.
Mas o servo perdoado “acabado de sair”: não há uma semana, não no dia seguinte, não uma hora depois, mas “acabado de sair”, ainda atordoado de alegria, logo que liberto «apanhou o seu companheiro pelo pescoço, e estrangulava-o aos gritos: “Dá-me os meus cêntimos” », ele perdoado por milhões!
É nítida a alternativa evangélica: não devias também tu ter misericórdia? Somos colocados diante da regra moral absoluta: também tu como eu, eu como Deus ... não por orgulho, mas por responsabilidade máxima. Porquê perdoar? Simples: porque Deus assim o faz.
O perdão é escandaloso porque pede a conversão não daqueles que cometeram o mal, mas daqueles que o sofreram. Quando, diante de uma ofensa, penso em cobrar a minha dívida com uma contra ofensa, não faço nada além de aumentar o nível de dor e de violência. Em vez de libertar a dívida, adiciono uma grade à minha prisão. Penso curar uma ferida ferindo à minha volta. Como se o mal pudesse ser reparado, cicatrizado por outro mal. Mas então não serão apenas uma, mas duas feridas a sangrarem
O Evangelho lembra-nos que somos maiores do que a história que nos fez nascer e nos fere, que podemos ter o coração de um rei, que somos grandes quanto "o perdão que arranca dos círculos viciosos, quebra a imposição de repetir nos outros o mal sofrido, parte a cadeia de culpa e vingança, quebra as simetrias do ódio ”(Hanna Arendt).
O tempo do perdão é a coragem da antecipação: fá-lo sem esperar que tudo aconteça e esteja no lugar certo; é a coragem dos começos e recomeços, porque o perdão não liberta o passado, liberta o futuro.
Então, é o requisito final: perdoar de coração ...
São Francisco escreve a um guarda que reclamava dos seus frades: faz ver perdão nos teus olhos. Não o perdão difícil, não o de cara severa, mas aquele que sai dos olhos, aquele novo e bom, que muda a maneira de ver a pessoa.
E tornam-se então olhos que te guardam, dentro dos quais te sentes em casa. Quem perdoa tem os olhos de Deus, aquele que sabe ver o desabrochar de primaveras nos meus invernos.
Ermes Ronchi
MARIA, MÃE DE JESUS
"Depois de um certo eclipse da devoção mariana, provocado em parte por abusos e desvios notáveis, os cristãos estão de novo interessados em Maria para descobrir o seu verdadeiro lugar dentro da experiência cristã.
Não se trata de recorrer a Maria para ouvir "mensagens apocalípticas" que ameaçam com castigos terríveis num mundo mergulhado na impiedade e na descrença enquanto ela oferece a sua proteção materna àqueles que fazem penitência ou recitam certas orações.
Também não é uma questão de encorajar uma piedade que alimenta secretamente uma relação infantil de dependência e fusão com uma mãe idealizada. Há muito que a psicologia nos põe em guarda face aos riscos de uma devoção que exalta falsamente Maria como "Virgem e Mãe", favorecendo, no fundo, um desprezo pela "mulher real" como eterna tentadora do homem.
O primeiro critério para verificar a "verdade cristã" de toda a devoção a Maria é ver se ela fecha o crente em si mesmo ou se o abre ao Projeto de Deus; se o faz retroceder para uma relação infantil com uma "mãe imaginária" ou se o impele a viver a sua fé de forma adulta e responsável no seguimento fiel de Jesus Cristo.
Os melhores esforços da Mariologia atual procuram levar os cristãos a uma visão de Maria como Mãe de Jesus Cristo, a primeira discípula do seu Filho e modelo de uma vida autenticamente cristã.
Mais especificamente, Maria é para nós hoje um modelo de aceitação fiel de Deus a partir de uma postura de fé obediente; um exemplo de atitude de serviço ao seu Filho e de preocupação solidária para com todos os que sofrem; uma mulher comprometida com o "Reino de Deus" pregado e promovido pelo seu Filho.
Nestes tempos de cansaço e pessimismo incrível, Maria, com a sua obediência radical a Deus e a sua esperança confiante, pode levar-nos a uma vida cristã mais profunda e mais fiel a Deus.
A devoção a Maria não é, portanto, um elemento secundário para alimentar a religião de gente "simples", inclinada a práticas e ritos quase "folclóricos".
Aproximar-se de Maria é, antes, colocarmo-nos na melhor posição para descobrir o mistério de Cristo e para o acolher. O Evangelista Mateus lembra-nos Maria como a mãe de "Emanuel", ou seja, a mulher que nos pode aproximar de Jesus, "O Deus connosco".
José Antonio Pagola, in O Caminho Aberto por Jesus - Lucas
PENSAMENTO DA SEMANA
Maria de Nazaré
Há pessoas de quem não nos é contado o passado,
mas sabemos que abriram futuros ao mundo.
Há maneiras de viver que semeiam na história
de muitas pessoas coisas boas e esperançosas.
Há pessoas tão bonitas que o mais importante que temos a dizer delas é o que elas deixaram de herança no mundo.
Há maneiras de viver tão fecundas que nem a morte pode com elas!
ERA UMA VEZ uma pessoa assim,
uma mulher bonita,
que viveu na Galileia e se chamava Maria.
Não nos foi contada nenhuma história do seu passado.
O seu feito mais famoso foi ter sido Mãe.
A obra mais famosa da sua vida é o seu filho Jesus.
As mães entendem isto muito bem.
Rui Santiago cssr
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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