Nº 1271

 

O Deus em que não acredito

Não acredito no Deus dos «espaços reservados». Não acredito que Deus habite espaços, tempos ou lugares onde haja irmãos do seu Filho impedidos de entrar por causa da sua condição social, religiosa ou pessoal, ou simplesmente pela forma como se vestem ou vivem.

Acredito num Deus que espera sempre que nos reconheçamos como irmãos e celebremos juntos o maior dos seus dons: a vida.

Também não acredito num Deus dos «silêncios prudentes». Não consigo imaginar que o Deus que inspirou os profetas permaneça em silêncio diante de tanto sofrimento, nem que contemple serenamente o silêncio de tantas Igrejas e a sua proximidade aos poderosos deste mundo, em nome de um alegado bem maior. Sinto falta de gestos proféticos, de palavras corajosas e de tomadas de posição claras por parte da Igreja. Há tantos irmãos e irmãs que precisam de sentir que não estão sozinhos na sua luta por um mundo mais justo...

Também não acredito num Deus «das coisas sérias». Muitas das nossas liturgias apresentam-nos um Deus austero, distante e difícil de compreender, mesmo quando são celebradas na língua do povo. A linguagem e os gestos parecem, por vezes, pertencer mais ao universo dos iniciados do que ao quotidiano das pessoas simples.

Custa-me acreditar que Deus permaneça indiferente quando não posso levar as minhas vizinhas analfabetas a uma celebração porque nada conseguem compreender. Elas precisam de uma liturgia que alimente a fé, e não de uma liturgia que as afaste cada vez mais da «Igreja dos padres».

E o mesmo poderia dizer dos jovens... Acredito que Deus também se faz presente na festa, na dança e numa linguagem próxima da vida concreta das pessoas.

Por fim, custa-me acreditar num Deus que não me faça recordar Jesus do Evangelho, o Filho de Deus, carpinteiro de Nazaré. Tudo o que se afasta da mesa aberta a todos, da disponibilidade sem reservas para acolher os mais simples e do amor incondicional, que antecede qualquer resposta da nossa parte, dificulta a minha relação com Deus.

Confesso que a minha fé vacila quando assisto a uma procissão, a uma celebração ou a qualquer outra manifestação religiosa e, na mesma rua, encontro pessoas a mendigar.

Creio, antes, que Deus está presente no pobre. E pergunto-me quando deixaremos que a justiça toque verdadeiramente os nossos bolsos.

 Carmela Barrientos, Irmãzinha de Jesus

 

MEDITAR

É só Cristo quem torna a minha vida apaixonada

Depois de dois anos e meio passados ??com Jesus, percorrendo caminhos e aldeias, os discípulos são envolvidos numa espécie de sondagem de opinião: o que se diz de mim? A opinião das pessoas é bela: Rabi, és aquele que dilata os corações, o melhor, um enamorado de Deus, aquele que vai curar a vida.

Jesus lança uma segunda provocação, aperta o círculo: mas vós, vós que abandonastes os barcos, vós que caminhais comigo, vós amigos que escolhi um por um, o que sou eu para vós? As suas perguntas lembram as dos enamorados: quanto conto para ti? Que lugar ocupo, que importância tenho na tua vida?

Jesus não precisa da resposta dos discípulos para saber se é melhor que os outros rabinos, mas para saber se estão enamorados pelo menos das suas palavras, se Pedro lhes abriu o coração. Não é fácil responder: o primeiro passo é fechar os livros e os catecismos e olhar para dentro das minhas experiências. Como dizer quem és tu para mim , Senhor? Sê o meu remorso, a minha doce ruína; a voz que sobe, diz e repete, e nunca se cala, vento nas minhas velas, amor desarmado.

És um mestre das asas. O segundo passo para uma resposta verdadeira é sair do reconfortante e imóvel redil das frases feitas; longe do manual de afirmações insuportáveis, que são a ruína da comunicação da fé. Em vez disso, perder-se nos campos da vida: “Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,4).

A vida é teóloga, é a primeira catequista. Pedro responde: Tu és o Messias, a mão de Deus, o seu projeto de liberdade. Tu és o filho do Deus vivo, aquele que mantém a minha vida viva, o milagre que a faz poderosa, inesgotável e ilimitada.

A questão surge agora para mim: porque o sigo? A resposta é simples: para ser feliz. Cristo foi a melhor coisa da minha vida. O que não significa ter uma vida sem problemas ou feridas, mas sim mais plena, ardente, apaixonante, vibrante, projetada: para a frente, em volta, para o alto.

Na segunda parte do trecho, Jesus volta a questão ao contrário, num belíssimo contraponto: “Pedro agora cabe-me dizer quem és para mim: tu és pedra e sobre esta pedra….

A bem-aventurança de Pedro (bem-aventurado és, Simão!) chega a todos nós. Talvez eu também seja na linguagem de Jesus “kefà”, pedrinha. Certamente não uma mó de moinho, mas apenas uma pedra. No entanto, para ele, nenhuma pedra pequena é inútil, nenhum pedaço é para ser deitado fora.

Deus não usa mós de moinho, mas pedras rejeitadas; não escolheu ouro para fazer as suas criaturas, mas barro. As suas são mãos de oleiro que moldam para dar a melhor forma ao meu barro, mãos de ourives que preparam uma carícia de luz para colocar nas minhas feridas.

Ermes Ronchi

 

O amor ainda mora aqui

Para ti, que também precisas de um abraço que chegue sem pressa, que se demore e que te deixe demorar, que te envolva como refúgio.

Para ti, que também precisas de uma mão que segure a tua, de um olhar que te veja por dentro, de um sorriso que te ilumine o dia (e o coração).

Para ti, que também precisas de um colo onde serenar a alma, de uma palavra feita de ternura, de um silêncio que te compreenda o coração.

Para ti, que também precisas de uma companhia que permaneça, que te ampare e que faça tudo melhorar, só por estar ali.

Para ti, que também precisas de um gesto que te salve o dia, que te toque a vida, que te faça sorrir o coração.

Para ti, que também precisas de um abraço. Mesmo sem saber.

Para ti (e para mim):

Ainda há esperança. Na poesia das coisas simples, na bondade que ainda existe, no amor que ainda mora aqui.

Daniela Barreira

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Para os cristãos, o critério não é a certeza. Não é a correção doutrinal. Não é “estar certo”.

O critério é o amor.

Amor que não manipula.

Amor que não condena.

Amor que não fere e depois justifica a ferida chamando?lhe “vontade de Deus”.

Amor que tem o rosto de Jesus.

Amor que cura.

Amor que inclui.

Amor que restaura.

Amor que levanta os vulneráveis.

Amor que deseja o bem para as pessoas. Amor que, no fim, se alegra mais com a verdade do que com ter razão.

Por isso, em vez de perguntarmos: “O que acreditas?”

Talvez devêssemos perguntar: “Que tipo de amor produz a tua teologia?”

Porque, no fim, a fé revela?se no modo como amamos. E a teologia — como a árvore — conhece?se pelos frutos que dá no mundo.»

Rev. Dr. Mark Sandlin (Adaptado)


 

INFORMAÇÕES

FESTA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO – LOURAL

Tríduo: 26, 27 e 28 de agosto missa às 19h00.

Missa de Festa: 30 de agosto às 13h00 seguindo-se a procissão.

 

 

FESTA DE SANTO CRISTO DA CALDEIRA

De 31 de agosto a 5 de setembro - confissões e terço às 19h30, Missa às 20h00.

O dia 3 de setembro será dedicado a Nossa Senhora. Procissão de velas depois da missa.

Dia 5 de setembro - Almoço de “sopas” do Espírito Santos às 12 horas.

Dia 6 de setembro: 09h00 - Eucaristia.

                                    11h00 - Eucaristia de Festa seguida de arrematações e procissão.

 

Sexta - Baile com Os Severinos.

Sábado - Cantoria com Bruno Oliveira, Fábio Ourique e Jorge Sebastião e baile com Zé Maria.


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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