Nº1266

Estar presente nas férias!
Às vezes é difícil estarmos, realmente, presentes e a experienciar o momento que estamos a viver.
Muitas vezes, vivemos em modo de sobrevivência. Ou em estado de alerta constante, em estado de Hiper vigilância e em modo de permanente antecipação de todos os problemas e cenários caóticos que poderão, um dia, vir a existir. Enquanto assim é, não estamos realmente presentes no momento e no dia que estamos a viver. Vamos navegando numa prisão mental que nos impede, tantas vezes, de ver a realidade tal como ela é.
Como nos habituamos a viver presos ao passado ou em antecipação do futuro, desaprendemos a arte de aproveitar o dia-a-dia. E quando assim é, nem quando vamos de férias conseguimos realmente disfrutar e aproveitar. Podemos estar num cenário idílico e com uma excelente companhia e conseguir, ainda assim, deixar que a nossa mente nos leve para longe do cenário quase perfeito que nos rodeia.
Assim, trazemos um desafio forte para estas próximas férias: vivê-las! Parece simples, não é? Mas a mim parece-me bastante mais complexo do que poderíamos julgar à primeira vista. Senão vejamos: quando estamos de férias, estamos mais relaxados; mas também temos mais tempo para pensar e para divagar, uma vez que a mente está menos ocupada em produzir, chegar a horas ao trabalho, fintar o trânsito, corresponder aos desafios físicos (e de calendário) diários.
Vamos de férias, mas parece que os problemas que a nossa cabeça cria (ou tinha adiado) voltam para nos perturbar.
Fica a proposta para este tempo de maior acalmia que estamos prestes a viver.
Focar a nossa atenção no que podemos controlar. Na forma como queremos reagir e receber o que nos vai acontecendo. Pensar que só podemos, realmente, viver o dia de hoje porque não temos (mesmo) mais nenhum.
Prescindir dos ecrãs pelo menos algumas horas por dia e substituir esse tempo estéril pela leitura de um livro (mesmo que o tempo de concentração seja curto e que só consigamos ler duas ou três páginas de cada vez). Sair da zona de conforto em doses homeopáticas: explorar um novo caminho, um novo restaurante, uma praia diferente. E o mais importante: ter tempo de qualidade sozinha. Ou sozinho.
É no silêncio do nosso coração que nascem os projetos mais bonitos e que se apaziguam as maiores tempestades. Dentro do que somos há sempre sol. Mesmo que não o consigamos sempre ver.
MEDITAR
De olhos de sombra a olhos de manhã
Uma parábola leve e poderosa, que escutada, pode mudar a nossa relação com Deus, levando-nos do negativo ao positivo, do olhar julgador àquele que acolhe, dos olhos sombrios aos olhos matutinos. Aconteceu comigo também, há muitos anos: fez-me sair de uma fé entendida como sala de um tribunal, e estar alegremente no meio de uma seara.
Uma questão de olhar: os olhos dos servos estão fixos no joio, no negativo, os do proprietário repousam no bom grão. Questão de prioridades: vamos arrancar o joio? A resposta é clara: não, porque se mete em risco o grão, que vem primeiro e vale mais.
Questão de método: vós que arrancais? O Deus da paciência de camponês usa outros meios. Não é destrutivo, mas semeia; não destrói, cria. A voz do instinto diz-me para seguir o caminho dos servos: arrancar imediatamente os meus defeitos, o pueril, o errado, o imaturo, o defeituoso que cresce em mim.
Arranca e ficarás bem. O evangelho fala com outra voz: tem paciência, não tenha pressas, não destruas. Não és os teus defeitos, mas o teu amadurecimento; não coincides com as ervas daninhas que há no teu coração, mas com as tuas boas espigas.
Tem em consideração todas as energias positivas, sementes de vida, generosidade, beleza, paz, justiça que Deus semeou em ti. Deixa-as emergir com força total e verás o joio diminuir.
O dono do campo é grande: não teme que o joio prevaleça, confia que o trigo vencerá. Não consulta os seus medos, mas os seus sonhos: o grão que chega à altura do coração, o cheiro do pão na mesa, a profecia da fome saciada.
Perspetiva ensolarada, confiante e divina: o mal não revoga o bem; em vez disso, é o bem que revoga o mal na tua vida. Devemos agir em relação a nós mesmos como Deus em relação à criação: para vencer a escuridão da noite, ilumina com a manhã todos os dias; para vencer o inverno envia o sol da primavera; para fazer a estepe florescer, lança milhões de sementes no ar.
Assim, o nosso espírito só é capaz de grandes coisas se tiver fortes paixões positivas, não grandes reações instintivas.
Cada um de nós pode adotar este olhar positivo e vital para o campo do coração, libertando-se de falsos exames de consciência negativos. A nossa consciência madura, clara e sincera deve-se concentrar não tanto nos defeitos, mas no bem e no belo que foi semeado em nós.
Então, o nosso trabalho religioso básico será fazer com que as sementes divinas, os talentos, o potencial, os grãos do céu amadureçam em nós e nos outros. Façamos que irrompam com todo o seu poder, em toda a sua beleza e veremos as forças boas levarem a noite ainda mais para longe.
Ermes Ronchi
Um pouco de fé
Charles Chaplin disse, uma vez: "Penso que a fé é a extensão do espírito. É a chave que abre a porta do impossível". E eu acrescento que "ela" é um dos tesouros inestimáveis do ser humano.
Quem crê, verdadeiramente, reveste-se de força e luz e não se deixa abater. Cai e levanta-se. Inspira os outros. É feliz. Para os que a põem em causa há que estar atento aos sinais, num mundo onde vivemos distraídos e apressados.
Recorrendo a uma expressão Bíblica, deixo tantas vezes este meu pedido a Deus: "Senhor eu creio, mas aumenta a minha fé".
PENSAMENTO DA SEMANA
Assim que o calendário começou a dizer verão,
saí rápido da escola,
atravessei os jardins, fui para o bosque,
e passei todo o verão
esquecendo o que me ensinaram —
dois vezes dois, a diligência, e assim por diante,
como ser modesta e útil, como ter sucesso,
máquinas, petróleo, plástico, dinheiro,
e assim por diante.
Lá pelo outono, já quase curada,
fui chamada de volta
às salas de giz e às carteiras,
para sentar
e lembrar
de como o rio continuava virando os seixos,
de como os pássaros selvagens cantavam
sem um centavo no banco,
e de como as flores se vestiam
essencialmente de luz.
Mary Olive
INFORMAÇÕES
FESTA DE SÃO TIAGO MAIOR - RIBEIRA SECA
Tríduo: Dias 21, 22 e 23 de julho às 19h00.
Dia 25 de julho - Missa de festa às 19h00 seguida de Procissão.
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Agenda Pastoral
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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