Nº 1264

 

O Amor Desarmado

Não sei o que é Deus.

Sei o que Ele não é.

Ele não é o que me força.

Não é o que exige ser visto.

Vamos ao essencial: Deus não é representável.

Fazer de Deus um objeto é idolatria.

Deus é interior porque é a própria vida.

A vida não se exibe; acolhe?se no íntimo.

E esse acolhimento pede recolhimento.

Servir?se de Deus, agitá?lo como uma bandeira, é também fazer dele uma coisa.

Da mesma forma, servir?se de outro é fazer dele uma coisa. É humilhá?lo.

Por exemplo, servir?se dos pobres para lhes fazer caridade.

Assim também, falar de Deus sem a discrição do amor é humilhá?lo.

Não devemos passar os dias a fixar o sol. Deus não é para ser olhado.

Mas é Ele que ilumina tudo o resto.

Falemos menos sobre Deus; deixemos que a vida se revele na sua luz.

A verdade mais escandalosa: Deus é fraco no mundo.

Ele não tem senão a força do nosso amor.

Deus é forte, sabemos. Criador do céu e da terra, Senhor todo?poderoso do Antigo Testamento, do qual foi escrito que não seria retirada uma só vírgula.

Mas o Antigo Testamento desemboca no Natal: Deus tornou?se fraco no mundo.

Porque o amor só se pode exprimir pela fraqueza.

Não é fácil fazer?se reconhecer quando se é Deus.

Se Ele tivesse vindo em glória e majestade, como um guerreiro a cavalo;

se tivesse feito publicidade aos milagres;

se tivesse convocado um comício descomunal no Tabor;

se tivesse descido da cruz —

as massas tê?lo?iam seguido,

mas como se segue um ditador:

no calor do sangue e no barulho dos passos multiplicados.

Pois não teria sido amado, mas adulado.

O amor anda desarmado.

Jean Sulivan (Adaptado)

 

MEDITAR

O pão do amor para o nosso coração cansado

É um período de insucessos para o ministério de Jesus: contestado pela instituição religiosa, recusado pelas cidades em redor do lago, por uma geração que não hesita em descrever como "filhos" (Mateus 11:16), Jesus tem de repente uma explosão de espanto, uma abertura frente a uma iluminação inesperada, uma reviravolta: Pai, eu entendo, e louvo-te.

À volta de Jesus o lugar parecia ter ficado vazio, tinham-se afastado os grandes, os sábios, os escribas, os sacerdotes e eis que o lugar foi preenchido pelos pequenos: os pobres, os doentes, as viúvas, as crianças, os preferidos de Deus.

Agradeço-te, Pai, porque lhes falaste, e eles entenderam-te. Os pequenos são as colunas secretas da história; os pobres, e não os poderosos, são as colunas ocultas do mundo. Jesus vê e entende a lógica de Deus, e sua compaixão começa pelo último da fila, os açoitados pela vida.

Não é difícil Deus: está do lado dos pequenos, traz-lhes o pão do amor de que precisam todos os corações cansados... E cada coração está cansado. Um sinal de afeto é uma necessidade desesperada da alma humana: é a verdadeira linguagem universal do Pentecostes, que cada pessoa de coração puro entende, em todas as idades, em todo o mundo.

Jesus, que se maravilha com Deus encanta-me, é lindíssima esta maravilha que o invade e o faz sentir feliz, enquanto as suas palavras passam dos lamentos para a dança. Mas, ainda não basta, Jesus dá mais um passo adiante.

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei, não num novo sistema de pensamento, não numa moral melhor, mas a renovação, o conforto de viver. Para mim e para ti, nomear Cristo deve equivaler a confortar os vivos.

Os nossos sermões, as muitas reuniões deviam tornar-se contos de esperança e liberdade. Caso contrário, são palavras e gestos que não vêm dele, são o túmulo da busca do homem e da resposta de Deus. Em vez disso, onde as questões da humanidade e da beleza do Deus de Jesus se encontram, explode a vida.

Aprendei de mim …

Andar com Jesus é andar na escola da vida. Aprendei com o meu coração, com o meu modo de amar, suave e indomável. O professor é o coração. Se ouvires por um minuto o teu coração, escreve o místico Rumi, darás uma lição aos sábios e inteligentes.

O meu jugo é suave e o meu fardo é leve: música suave, uma boa notícia. O jugo, na Bíblia, aponta para a Lei. Agora, a lei de Jesus é o amor. Tomai sobre vós o amor, que é um rei leve, um tirano amável que nunca afeta o que está no coração do homem, não proíbe mais que o homem dê alegria à vida, mas é incansável em restaurar, curar, recolocar no caminho. O que é o amor? É oxigênio. E se a vida parou, espera-a, impregna-a de si e restaura o ânimo.

Ermes Ronchi

 

Tempo

Quando somos crianças não existe, sequer, a noção de tempo. À medida que vamos crescendo, vamos percebendo que ele corre veloz. Ainda ontem eu...

 

Que distância vai do bebé ao velhinho? É que, para quem não sabe, o velhinho já foi bebé (estou a falar a sério).

 

Assim sendo, e porque não o podemos agarrar, acho que não precisamos de correr atrás dele. Acho até que ele gosta que disfrutemos dele com calma. Tempo para ter tempo. E acho também que ele gosta de ser vivido hoje, em cada hora do dia. E acredito, ainda, que o que ele gosta mais é que o dêmos aos outros (aqueles a quem dizemos tantas vezes: -desculpa, não tenho tempo).

 

Durante uns anos, tive exposta no meu quarto esta frase de um autor que desconheço:

 

"Não é decerto razoável afirmar,

Que tens a vida toda para viver,

O tempo é todo feito no presente,

Amanhã podes querer e já não ter."

Li. Reli. Decorei. Falta viver.

 Lucília Miranda

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Rezar

Não tem de ser a íris azul,

podem ser ervas daninhas num terreno baldio

ou algumas pequenas pedras;

apenas presta atenção,

junta algumas palavras e não tentes elaborá-las, isto não é uma competição,

mas a porta de entrada para a gratidão

e um silêncio em que outra voz pode falar.

Mary Oliver


 

INFORMAÇÕES

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO NA FAJÃ DOS VIMES

No dia 7 de julho tem início o Novenário de Nossa Senhora do Carmo na Fajã dos Vimes. A Eucaristia será todos os dias às 19 horas, apenas no dia 10 que será às 18 horas e no dia 11 que será às 20 horas.

 

Dia 16 de julho: 19h00 Missa de Festa com a bênção do Carmo seguida de Procissão.

OFERTÓRIO PARA A VENEZUELA

As coletas e ofertórios dos dias 11 e 12 de julho, de todas as missas, são para ajuda as vítimas dos sismos na Venezuela.


Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 1264

Agenda Pastoral

Destaque

Mais Recente Carta Familiar em PDF!

Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

Os nossos Links

Ouvidoria de São Jorge
FAJÃS Grupo de Jovens
Cartas Familiares Anteriores

Visitas


Ver Estatísticas