Nº 1262

 

A medida da nossa grandeza

Vivemos num mundo que nos ensina a correr. Correr para chegar primeiro. Correr para ter mais. Correr para parecer melhor do que os outros.

Mas a vida, essa grande mestra silenciosa, acaba sempre por nos ensinar outra coisa: não somos felizes quando vencemos alguém; somos felizes quando nos vencemos a nós próprios.

Há três hábitos simples que podem transformar uma vida.

O primeiro é a compaixão.

Todos os dias cruzamos pessoas que carregam batalhas invisíveis. O sorriso que nos oferecem pode esconder uma lágrima. A serenidade que aparentam pode esconder uma tempestade.

Por isso, trata os outros da forma como gostarias de ser tratado. Com respeito. Com delicadeza. Com humanidade.

É bom ser importante. Mas é muito mais importante ser bom.

O segundo hábito é a responsabilidade.

Há momentos em que descobrimos uma verdade difícil: ninguém virá viver a nossa vida por nós. Ninguém pode fazer o caminho que nos pertence.

A disciplina silenciosa dos pequenos gestos, a coragem de recomeçar depois das quedas e a determinação de continuar quando tudo parece pesado são os verdadeiros alicerces de uma vida sólida.

O terceiro hábito é deixar de competir.

Comparar-nos constantemente com os outros é uma das formas mais rápidas de perder a paz. Haverá sempre alguém mais rico, mais inteligente, mais admirado ou mais bem-sucedido. Mas a única comparação que realmente importa é esta:

Sou hoje uma pessoa melhor do que era ontem? Mais paciente? Mais humana? Mais verdadeira? Mais capaz de amar?

A vida não é uma corrida contra os outros. É uma peregrinação interior.

E talvez a verdadeira grandeza não esteja em chegar mais longe do que os outros, mas em chegar mais perto daquilo que Deus sonhou para nós.

Começa hoje. Com um gesto de bondade. Com uma decisão responsável. Com menos comparação e mais gratidão. Pequenas mudanças podem abrir grandes horizontes. Porque uma vida bela não se constrói de uma só vez.

Constrói-se todos os dias, um coração de cada vez.

Padre João Torres (Adaptado)

 

MEDITAR

Porque é que o Pai faz a contagem até dos nossos cabelos

Não tenham medo; vós valeis muito mais do que os pardais. De cada vez, frente a estas palavras, sinto medo e emoção em conjunto: medo de não entender um Deus que quase se perde atrás das mais pequenas das criaturas: os pardais e os cabelos da cabeça; a emoção das imagens que me falam do inimaginável de Deus, que te faz o que ninguém fez, o que ninguém fará: contar todos todo os cabelos da cabeça e preparar-te um ninho nas suas mãos. Para dizer que vales a pena para ele, que cuida de ti, de cada fibra do corpo, de cada célula do teu coração: enamorado de todos os teus detalhes.

Nem mesmo um pardal cai no chão sem o Pai o querer. No entanto, os pardais continuam a cair, os inocentes a morrer, as crianças a serem vendidas por um pouco mais que um centavo ou deitadas fora apenas no começar do seu breve voo.

Mas então, é Deus que faz cair no chão? É Deus quem quebra as asas dos voos curtos que são as nossas vidas, que envia a morte, e ela acontece ? Não. Interpretamos este passo no eco de alguns ditados populares como: nem uma folha se agita sem que Deus o queira. Mas o Evangelho não diz isso, no entanto garante que nem mesmo um pardal cai no chão sem que Deus não esteja envolvido, que ninguém vai cair fora das mãos de Deus, longe de sua presença. Deus estará lá.

Nada acontece sem a presença do Pai, é a tradução literal, e certamente não sem que Deus o queira. Mas na verdade, muitas coisas, demasiadas coisas acontecem no mundo contra a vontade do Pai. Todo o ódio, toda a guerra, todo o ato de violência acontece contra a vontade do Pai, e no entanto nada acontece sem que Deus esteja envolvido, ninguém morre sem que Ele sofra também a agonia, ninguém é recusado sem que ele não o seja também (Mateus 25), ninguém é crucificado sem que Cristo não seja mais uma vez crucificado.

O que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços, no trabalho, na escola, nos encontros de todos os dias anunciai que Deus cuida de cada um de seus filhos, que não há nada verdadeiramente humano que não encontre eco no coração de Deus.

Temei antes quem tem o poder de destruir a alma, a alma é vulnerável, a alma é uma chama que pode definhar: morre de superficialidade, de indiferença, de falta de amor, de hipocrisia. Morre quando te deixas corromper, quando desanimas os outros, e lhe tiras a coragem, quando trabalhas a derrubar, a caluniar, a troçar dos ideais, a espalhar o medo.

Por três vezes Jesus nos assegura: Não tenham medo (vv 26,28,31), vós valeis a pena! Como é belo esse verbo! Para Deus, tenho valor. Valho mais, mais do que muitos pardais, mais do que todas as flores do campo, mais do que eu ousava esperar. E se uma vida vale pouco, no entanto, nada vale tanto quanto uma vida.

Ermes Ronchi

 

Oração ao que fica por dizer…

Que saibamos encontrar formas de comunicar o que nos pesa.

Que não deixemos cristalizar a dor debaixo da nossa pele.

Que não naturalizemos o não falar. O não dizer. O guardar para nós.

Que as nossas palavras sejam mais vezes penas do que setas.

Que as nossas atitudes revelem a bondade do nosso coração, mas que isso não seja confundido com permissividade.

Que as palavras saiam depois de serem pensadas e rezadas. Que sejam eco nosso, mas nunca (simplesmente) reação em modo fogo posto.

Que possamos ser quem somos, ainda que os outros possam não gostar. Ou até julgar.

Que nos sobre empatia, mesmo quando os outros nos devolverem arrogância ou artilharia pesada.

Que a nossa assertividade não se confunda com agressividade.

Que a comunicação menos violenta seja um modo de vida. Uma aprendizagem que fique e que se torne forma de ser e de estar.

Que a nossa alma seja livre quando decidir falar ou expressar-se.

Que a nossa voz tenha asas para voar quando decidir ir contra o que todos pensam.

Que os nossos ouvidos filtrem o bom, apenas. E que o coração deixe cair o que foi menos simpático ou até doloroso.

Que as nossas palavras sejam colo e pão para quem vive sozinho ou com fome de amor e de companhia.

Que o que somos atravesse os outros de uma forma delicada, gentil e corajosa.

Que a nossa verdade seja sempre maior que a verdade que o mundo nos quer impingir.

O que fica por dizer pode transformar-se em pedra pesada dentro do coração.

Que não fique nada por dizer. E que o que for dito seja dito com amor.

Marta Arrais

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Pardal

Hoje,

ao passar pelo pátio da prisão,

encontrei um pardal.

Picava um pedaço de pão gelado,

uma migalha fria, na neve.

“Tu e eu somos dois prisioneiros famintos”, disse?lhe.

E, nesse instante, largou a migalha

e voou para longe.

Então pensei:

“Serás tu menos do que este pobre pardal?

Diz?me: porque não largas tu também o pão,

como o pássaro?

Deixa essa migalha

e voa —

mesmo que a fome te roa.

Mahvash Sábet


 

INFORMAÇÕES

FESTA DO CRUZEIRO NA CALHETA

Tríduo de preparação nos dias 22, 23 e 24 de junho às 18 horas, com missa.

A festa será no dia 25 de junho, com missa às 20h00 horas seguida de procissão de velas.


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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