Nº1260

 

A presença do Espírito Santo

é percebida com total limpidez

no olhar de uma criança inocente

num casulo prestes a desabrochar

num pássaro que se balança sobre um ramo

 

Parece-me difícil que alguém possa pôr em causa

a presença do Espírito Santo

num pão acabado de sair do forno

num copo de água cristalina

numa onda batendo contra uma rocha

 

Teria de ser cego de nascença!

até um ateu treme de emoção

ante um campo semeado que se inclina

sob o peso das espigas maduras

ante um belo cavalo de corrida

 

O difícil é saber detetá-lo

onde parece que não está

nos lugares menos prestigiados

nas atividades inferiores

nos momentos mais desesperantes

é aí que o comum dos mortais falha

quem poderia dizer que o percebe

nos achaques da velhice

nos adornos das prostitutas

nas pupilas dos moribundos?

 

E, no entanto, também está aí

porque impregna tudo como o sódio

que o digam os Padres da Igreja!

 

Ajoelhemo-nos uma vez mais

em homenagem ao Espírito Santo

sem cuja aprovação nada nasce nem cresce

e tampouco morre neste mundo.

Nicanor Parra (Chile, 1914 - 2018)

 

MEDITAR

«Jesus viu Mateus. Disse-lhe "Segue-me".

Jesus chama Mateus para ser eu discípulo, quando era coletor de impostos, um pecador público para os seus conterrâneos, pois roubava aos seus para entregar aos Romanos invasores.

O texto bíblico diz que Jesus “VIU” Mateus, fitou nele um olhar acolhedor, sem preconceitos, sem julgamentos, sem condenação, um olhar de puro amor.

Em Jesus Cristo, o Amor é atraente, envolvente, transformador. Mateus levantou-se e seguiu Jesus imediatamente. Ele sentiu-se amado. Na casa de Mateus muitos outros “pecadores” sentaram-se à mesa com Jesus.

 Estes foram acolhidos, amados e sentiram-se bem ao lado de Jesus, o Deus Misericordioso.

Ao contrário da reação dos fariseus, feita de indignação, preconceito, incompreensão, o amor de Jesus observa o interior, o mais profundo! Jesus via e vê em cada pessoa o que não vemos.

E Jesus faz um desafio: «Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.”.»

Como podemos desenvolver o olhar amoroso de Jesus? Pela oração! Quanto mais partilhamos com Jesus o alimento da Palavra de Deus, pela oração, mais veremos o mundo e as pessoas na ótica do Seu olhar: Ele veio para todos, ama a todos e o Seu amor é o único remédio para os males da humanidade doente por falta de AMOR!

O que Jesus nos diz hoje é que nada há mais importante na relação com Deus – a que chamamos religião – do que a prática da misericórdia divina: o nosso coração misericordioso, bondoso, generoso, mais acolhedor.

Não adianta ir à Igreja, percorrer toda a face da terra, se essa caminhada não converte o nosso coração, não o torna mais bondoso para com o próximo. Que saibamos acolher aqueles que o mundo despreza, aqueles a quem não olhamos com um bom olhar, que consideramos como “pessoas que não servem”.

A casa de Deus é para os enfermos, sobretudo para as doenças do coração, para as feridas – maus hábitos, maus pensamentos, más ações – que adquirimos neste mundo. Precisamos dizer: “Jesus, eu quero e preciso de um coração terapêutico como o Teu: manso, humilde, acolhedor e misericordioso para com o próximo! Um coração que ama tanto e tão intensamente, que quem beneficia desse amor não pode senão querer retribuir e praticar do mesmo modo. E é isso a cura. É isso a conversão. É isso ser santos/misericordiosos como Deus é santo/misericordioso.

Publicado Fraternitas Movimento

A tua fé te salvou

Quando algo não nos corre bem temos a tendência de apontar o dedo a Deus e perguntar: “onde estavas?”

Quando vemos as notícias na televisão de guerras e destruição temos a tendência de apontar o dedo a Deus e perguntar: “porque não fazes nada?”

Temos vontade de nos revoltar e até cobrar a Deus toda a nossa devoção, oração e missão em prol da messe, em troca de benfeitorias eternas. Será legítimo?

Gostaria muito de não ser assolada por preocupações mas, não seria mais santa por isso. Que testemunho daria eu aos outros se amar Deus apenas porque ele me dá o que quero?

Que testemunho daria aos outros se abandonasse a minha fé apenas porque Deus, aparentemente, me virou as costas, provando-me com a doença, morte ou dificuldades financeiras?

É mais fácil testemunhar Deus quando assistes a milagres, mas será tão mais importante nos momentos em que estiveres a passar dificuldades teres a capacidade de, ainda assim, louvares a Deus e a mostrar que confias Nele.

Toma por exemplo o amor de uma mãe ou pai.

Quando é que nos focamos mais nos filhos? Precisamente quando mais eles precisam de nós. Podem ter mil e um defeitos, mas basta tossir ou estarem abatidos que lá vamos nós com todo o amor.

E é muito fácil falar dos nossos filhos quando eles são bons alunos, atletas, educados, mas não será mais valente aquele que apesar de reconhecer as fragilidades do filho ainda tem a coragem de testemunhar o quanto o ama?

E nós? Basta a vida correr mal que duvidamos logo do amor de Deus e pomos em causa a nossa fé como se ela de nada nos valesse.

Será que ainda não nos apercebemos que a nossa fé, a nossa confiança, enfim o nosso amor a Deus é o que nos salva? O que seria de nós, se apesar das contrariedades, não tivéssemos a certeza de que não estamos sós e que nada é em vão?

Por isso se um dia estiveres a passar um mau momento e te perguntarem: “Ainda assim tens fé?” Lembra-te de responder: “O que seria se não tivesse?”

Raquel Rodrigues

  PENSAMENTO DA SEMANA

 

Se a nossa fé
não nos fizer acreditar que o dia de hoje pode ser melhor do que o de ontem;
se não nos arrancar da mesquinhez egoísta que nos esmaga de solidão e morte;
se não nos puxar os braços para os outros, na gratuidade natural de quem respira;
se não fizer com que a poesia desça ao nosso peito e as crianças e velhos bebam luz dos nossos olhos;
se formos secos de ternura e apenas e só prudentes como as serpentes;
se não passarmos de atarefados medricas a fugir, dias fora, da própria sombra;
se faz tremer a verdade e não rói os alicerces à mentira;
se não estrangula o desespero e incendeia a alegria;
se não nos fizer pôr na vida a beleza das palavras que engendramos,
então não é fé, pelo menos não é cristã.


Agarra-nos pelos ombros e diz-nos outra vez: «se a tua fé fosse sequer do tamanho de um grão de mostarda, dirias a esta montanha: vai daqui para ali, e ela iria e nada te seria impossível.» 

(Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")


 INFORMAÇÕES

FESTA DE SANTO ANTÓNIO - CALHETA

Dia 13 de junho - às 19 horas na Ermida de Santo António, Rua de Baixo,  Calheta. Missa seguida de procissão.

 

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

RIBEIRA SECA

 

Tríduo preparatório - 10, 11 e 12 de junho Eucaristia às 18 horas.

Reunião para a 1ª Comunhão e Profissão de Fé, 11 de junho, entre as 17 e as18 horas.

Eucaristia Solene, 14 de junho, às 11h00 seguida de procissão.


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Agenda Pastoral

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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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