Nº 1259

SANTÍSSIMA TRINDADE
Um mistério de pura relação de amor e de perfeita comunhão entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
As palavras são pobres para falar deste mistério...
Mas precisamos delas — mesmo que seja só para dizer o que nelas não cabe.
Deus tem três jeitos de AMAR...
Chamamos a esses “jeitos” de Pessoas.
Deus é Trindade: Comunhão perfeita de Três Jeitos de Ser, de amar, de se dar, de se abrir, de estar em relação.
Jeito de amar do Pai:
“Sou todo para ti! Dou-te todo o Meu Amor, dou-Me todo a Ti!”
Amor com jeito de dom total, de sonho, de iniciativa, de graça.
É o Amor que Jesus nos ensinou a chamar “Abba”, Papá.
Jeito de amar do Filho:
“Sou todo por ti! Acolho o Teu Amor, recebo-Me todo de Ti!”
Amor com jeito de acolhimento, escuta, obediência, abertura.
É o Amor revelado na vida, palavras e gestos de Jesus.
Jeito de amar do Espírito Santo:
“Sou todo para todos! Acolhe o Amor, acolhe o Amor!”
Amor com jeito de abraço, aliança, inspiração, laço de encontro.
É a ternura maternal de Deus, que nos une, anima e guia.
Deus não precisa de me amar para ser AMOR...
Mas, por ser AMOR, não pode deixar de me amar!
Neste domingo, deixemo-nos envolver na dança da Trindade —
no movimento eterno do Amor que nos criou, nos sustenta e nos envia!
Se amaste, se te deixaste amar, se criaste laços...
fizeste a mais bela profissão de fé na Trindade.
MEDITAR
A Trindade é espelho do sentido do universo
Para dizer a Trindade, Jesus usa nomes de família, de casa, nomes que abraçam e unem: Pai, Filho, Espírito bom, sopro que respira vida.
A festa da Trindade é o anúncio de que Deus não é em si solidão, mas comunhão, vínculo, abraço. Que nos alcança e nos dá o seu coração plural. Então entendo porque a solidão pesa tanto sobre mim e me assusta: porque é contra a minha natureza. Então entendo porque quando estou com alguém que me ama, me sinto tão bem: porque cumpro minha vocação.
A Trindade é o espelho do meu sentido último e do sentido do universo: tudo caminhando para um Pai que é fonte de vidas livres, para um Filho que se apaixona por mim, para um Espírito que ilumina com comunhão as nossas solidões.
Também a auto-apresentação de Deus no Monte Sinai, diante do seu grande amigo Moisés, tem nomes calorosos: misericordioso, compassivo, tardio em irar-se, rico em graça e fidelidade (Ex 34,6).
Moisés subiu com dificuldade, com duas tábuas de pedra na mão, e Deus desconcerta-o e a todos os moralistas, escrevendo palavras de ternura naquela pedra rígida. E Moisés compreende e reza: “Que o Senhor caminhe no meio de nós , venha para o meio do seu povo. Não fique na montanha, a dirigir do alto e de longe, mas que desça e se perca no meio do atropelo do povo”.
Toda a Escritura nos assegura que no atropelo do povo, no pó de nossos caminhos, o Espírito acende as suas sarças e os seus profetas; o Pai abranda o seu passo pelo nosso ritmo; o Filho é a salvação que caminha ao nosso lado: «não veio para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo» (Jo 3, 17).
Não condena nem julga: "Eu não julgo!" (Jo 8.15). Palavra perturbadora, para ser repetida à nossa fé temerosa setenta vezes sete! Não julgo, nem por sentenças de condenação, nem por veredictos de absolvição.
Posso pesar as montanhas com pesos e o mar com a concha da minha mão (Is 40:12), mas o homem não peso nem meço: amo -o; Não preparo balanças nem tribunais, porque não julgo, salvo.
“Digam-lhes o que o vento diz às rochas, o que o mar diz às montanhas.
Digam-lhes que uma bondade imensa penetra o universo,
digam-lhes que Deus não é o que eles acreditam,
que é um vinho festivo, um banquete de partilha em que todos dão e recebem.
Digam-lhes que Deus é quem toca flauta na plena luz do dia,
Aproxima-se e desaparece, e chama-nos para as fontes.
Contem-lhes a inocência de seu rosto, as suas feições, o seu sorriso.
Digam-lhes que Ele é o teu espaço e a tua noite,
A tua ferida e a tua alegria. Mas digam-lhes também que Ele não é o que dizes Dele, que a Sua tenda está sempre além..."
Ermes Ronchi
Que significa amar?
Amar um ser é esperar sempre dele algo de novo, algo de melhor. Amar um ser é esperar nele para sempre.
Amar alguém é chamá-lo à vida, é convidá-lo a crescer. E não se tem a coragem de crescer senão para alguém que crê em nós.
Deus existe em cada ser e espera ser adivinhado nele para nele crescer.
Amar um ser é dirigir-lhe o mais forte e imperioso apelo, é alvoroçar nele um ser oculto e mudo que não pode evitar levantar-se à nossa voz; um ser tão novo que era desconhecido até daquele que o contém e todavia tão verdadeiro que não pode deixar de o reconhecer quando o descobre.
Importa que alguém nos ame bem profundamente, bem audaciosamente para nós ousarmos mostrar-nos humildes, bondosos, ternos, simples, vulneráveis.
Jesus esperava tudo de todos. Para além das nossas comédias mais enfadonhas, das nossas defesas mais consternadoras – respeitabilidade, seriedade, sobranceria, dignidade ou indignidade, mutismo ou imprecações, Ele adivinhava a criança insuficientemente amada que tinha cessado de crescer porque tinham deixado de crer nela.
Pensemos, por exemplo, em Maria Madalena: Cristo esperava dela algo que ninguém tinha conseguido descobrir e amou-a tanto, perdoou-lhe tão generosamente que dela obteve o amor mais puro e mais fiel e, admirados, todos à sua volta comentavam: «Será possível que ela seja assim?! Tínhamo-la julgado, pensávamos conhecê-la, havíamo-la condenado e tudo porque nunca fora convenientemente amada...»
Cristo amou-a com tal perfeição que a tornou aquilo que os outros, pobres e desconfiados, demasiado avarentos de amor, não tinham sido capazes de suscitar nela.
Cristo aguardava, esperava tudo de toda a gente. Fazia surgir ao Seu redor, vocações, amizades e generosidades; e todos os que supunham conhecer de longa data aqueles personagens, ficavam perplexos: «Como? Zaqueu tornou-se generoso? Maria Madalena tornou-se pura e fiel? Tomé tornou-se crente? Mateus, o publicano, feito Apóstolo? E todos esses pobres, todos esses pecadores se transformaram em apóstolos e santos?... Como é possível?
Alguém os tinha amado, tinha acreditado neles.»
Louis Evely
PENSAMENTO DA SEMANA
ENQUANTO...
"Enquanto eu for para ti um deus que vive lá nas alturas;
enquanto eu for para ti a hora por semana da missa de Domingo;
enquanto eu for para ti um deus que vive fechado nas igrejas;
não serei o teu Deus.
Serei o teu Deus quando deixares de Me ter na mão, e me deixares ter-te na Minha.
Serei o teu Deus quando, por tudo e por nada, te lembrares de Mim.
Serei o teu Deus quando me convidares a entrar na tua intimidade e me levares para as lutas do dia-a-dia.
Serei o teu Deus quando me trouxeres para as tuas decisões e me levares para a rua."
João Delicado
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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