Nº 1257

O CORAÇÃO QUE CAMINHA ATÉ FÁTIMA
Há um povo que caminha.
De noite e de dia.
Em silêncio ou em canto.
Com promessas nos pés e esperança no coração.
São os peregrinos de Fátima.
Uns já lá estão — ajoelhados no Santuário,
olhos fixos na imagem da Mãe,
lágrimas que não se explicam, mas que dizem tudo.
Outros ainda vão a caminho...
estradas longas, passos cansados,
mas uma certeza que os sustenta:
vale a pena chegar.
E há também os que não podem ir…
mas fazem do seu lugar um pequeno Fátima:
na igreja da sua terra,
na procissão de velas que ilumina a noite,
no mês de Maio rezado com fé simples e persistente.
Velas acesas.
Mãos unidas.
Ave-Marias repetidas como quem respira.
E, no meio de tudo isto, uma oração que se repete,
tão simples… e tão humana:
“Nossa Senhora do Rosário de Fátima,
toma conta de nós…”
Não são palavras complicadas.
São palavras de filhos.
Pedidos pela família.
Pelos amigos.
Por quem sofre em silêncio.
Por quem já não sabe rezar.
E ali, naquele mar de luzes,
cada vela é uma vida.
Cada chama é um pedido.
Cada passo é uma história.
Há quem vá agradecer.
Há quem vá pedir.
Há quem vá só… porque precisa de sentir que não está sozinho.
Fátima não é só um lugar.
É um encontro.
Um encontro com o silêncio que cura.
Com o coração que, mesmo cansado, continua a acreditar.
Padre João Torres (Adaptado)
MEDITAR
Um Deus que vai ficar ainda mais perto
O último encontro de Jesus com os seus discípulos é sobre um monte na Galileia, a terra onde tudo começou. As montanhas são como dedos que apontam para o infinito, a terra que se chega ao céu, escabelo para os pés de Deus, morada da revelação da luz: sobre os montes repousa, de facto, o primeiro raio de sol e se apaga o último.
Quando O viram, prostraram-se. Mas duvidaram. Jesus deixou a terra com um balanço deficitário: restaram apenas onze homens assustados e confusos, e um pequeno grupo de mulheres tenazes e corajosas.
Seguiram-no por três anos nas estradas da Palestina, não entenderam muito, mas amaram-no muito, e todos eles vieram para o encontro no último monte.
E esta é a única garantia de que Jesus precisa. Agora, pode voltar para o Pai, com a certeza de ser amado, embora não completamente compreendido, e sabe que nenhum deles O irá esquecer.
Jesus realiza um ato de enorme, de ilógica fé em homens que duvidam ainda, a que tem que explicar e reexplicar. O Evangelho e o mundo novo, que sonharam juntos, confia-los à sua fragilidade e não à inteligência dos mais capazes: é a lei da semente de mostarda, da pitada de sal, o pouco que possam ser é fermento e talvez até mesmo fogo, para contagiar de Evangelho e de nova vida aqueles que encontrarem.
Há uma passagem surpreendente nas palavras de Jesus: Foi-me dada todo o poder no céu e na terra... Portanto, ide. Este, portanto, é belíssimo: para Jesus é óbvio que tudo o que é seu é também nosso. Tudo é para nós: a sua vida, a sua morte, a sua força! Portanto, ide. Fazei discípulos de todas as nações...
Com que finalidade? Para alistar devotos, para fazer o movimento crescer com novos membros? Não, para um contágio, uma epidemia divina a ser espalhada sobre a terra. Ide, perfumai de céu as vidas que encontrarem, ensinai a arte de viver, como me viram fazer, ide mostrar-lhes como são belos e grandes.
E depois as suas últimas palavras, o seu testamento: Eu estarei sempre convosco, todos os dias, até o fim do mundo, convosco, sempre até ao fim.
O que é a ascensão compreendemos por estas palavras. Não foi para longe, para o alto, para algum canto remoto do cosmos, mas tornou-se mais próximo do que antes. Se primeiro estava com os discípulos, agora ficará neles. Não foi para além das nuvens, mas para além das formas. Ascendeu à profundidade das coisas, ao intimo da criação e das criaturas, e é a partir de dentro que impulsiona como força de elevação no sentido de uma vida mais luminosa.
Que Jesus é este, que tomou para si a cruz para me oferecer em todos os meus sofrimentos brilhos de ressurreição, para abrir brechas nas paredes das minhas prisões, ele é o meu Deus, especialista de superação!
Ermes Ronchi
FÉ VIVA QUE DESINSTALA
A fé viva perturba sempre os sistemas fechados.
Porque Deus escapa a todas as imagens que fabricamos d’Ele.
A verdade interior exige coragem:
a coragem de abandonar as certezas que nos protegem,
as palavras que nos escondem,
as ideias com que tentamos domesticar o mistério.
A luz de Deus atravessa muitas vezes a noite.
Não vem sempre como claridade imediata,
mas como presença silenciosa
que lentamente desfaz as máscaras
e abre espaço dentro de nós.
Quanto mais o ser desce ao seu próprio fundo,
mais o silêncio se torna a sua linguagem
e se revela como a sua verdadeira morada.
Então, a interioridade deixa de ser fechamento
e torna-se abertura ao real
uma escuta mais funda da vida,
dos outros,
e de Deus.
Aquele que reza verdadeiramente
torna-se, pouco a pouco,
transparente para si mesmo.
E o verdadeiro encontro com Deus
deixa o homem mais humilde, mais nu, mais livre.
PENSAMENTO DA SEMANA
"Sinto saudades de coisas que nem sei dizer.
Sinto saudades das pessoas alegres que coloririam a minha infância.
Sinto saudades do arco- íris que me devolvia a esperança.
Sinto saudades da barulheira em casa da minha avó.
Sinto saudades do sumo que a minha tia fazia.
Sinto saudades dos joelhos esfolados.
Das tardes de verão que não terminavam mais.
Sinto saudades dos teus beijos de Boa Noite.
Sinto saudades de não ter Saudades!
Sinto saudades de pessoas que já não vejo mais.
Sinto saudades de pessoas com quem não falo mais.
Sinto saudades de pessoas que ainda vivem.
Pena, que seja somente em meu coração!"
Marisa Sousa
Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 1257
Agenda Pastoral
Destaque
Mais Recente Carta Familiar em PDF!
Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
Os nossos Links
Ouvidoria de São JorgeFAJÃS Grupo de Jovens
Cartas Familiares Anteriores
Visitas
Ver Estatísticas
