Nº 1256

 

Vem, o? Santo Espírito,

 

Deus nunca desiste de nós...

não se deixa levar pelas nossas deceções,

medos, incapacidades e dúvidas...

Ele rompe portas, penetra paredes,

enfrenta adversidades, desata correntes e liberta...

 

Por isso o Espírito Santo... É Deus em liberdade.

Que inventa, abre, sacode, faz coisas que não esperas.

que nunca segue esquemas nem respeita estatísticas...

que dá a Maria um filho fora-da-lei e a Isabel um filho profeta,

e que em nós cumpre incansavelmente a mesma obra de então:

torna-nos ventres do Espírito, que dão carne e sangue e história à Palavra.

 

Precisamos do Espírito Santo,

para acreditar, para descobrir o rosto de Deus,

para compreender os seus caminhos e segui-los,

para nos libertarmos de nós mesmos e nos permitir ser habitados por Deus.

 

... sem o Espírito Santo nós somos só o pó,

nós somos só a terra, nós somos só o barro,

nós somos só isto que se vê daqui,

e isto que morre aqui, todos os dias, a todas as horas.

 

É o Espírito que nos torna maiores, é o Espírito que nos projeta.

Ele é o mestre, é o mapa, é o oceano, é a viagem.

 

«Vem, o? Santo Espírito,

vem, Amor ardente, acende na terra tua luz fulgente».

 

 Padre João Torres

 

MEDITAR

No ADN humano, um gene divino

Sete versículos, nos quais Jesus propõe, sete vezes, o centro da sua mensagem: no princípio de tudo e no fim de tudo, coloca a mesma ação: amar, pedra angular e chave da vida viva. Toda a lei é precedida por um "és amado" e seguida por um " amarás”. Ser amado, fundamento da lei; amar, o seu cumprimento. Quem abstrair a lei deste princípio amará o contrário da vida» (P. Beauchamp). Amará a morte. "Se me amais."

Jesus não dita regras, faz-se respeitoso e paciente mendigo de amor. Entra silencioso e de pés nus no tecido mais íntimo da vida.

Não reivindica amor para si, espera-o. E fá-lo com extrema delicadeza, metendo um "se" à frente de tudo. O ponto de partida mais humilde, frágil, confiante, paciente: "se me amais". Nenhuma ameaça, nenhuma chantagem.

Pode-se acolher ou não, em total liberdade.

Mas amá-lo é perigoso: amor é uma palavra que queima os lábios se for mal pronunciada, se soa incoerente. "Se me amas, observarás..." um belo automatismo, raiz da coerência: só se amares, observas. O quê? “Os meus mandamentos."

Não as tábuas de pedra do Sinai, mas a sua, a nova, a única, a crónica do seu amor que se tornou lei: aquele que se perde atrás das ovelhas perdidas, atrás dos cobradores de impostos e das prostitutas e das viúvas pobres, que faz das crianças os príncipes do reino, que ama primeiro e a fundo perdido.

O segundo termo decisivo do Evangelho de hoje é uma palavrinha, muito curta, mas explosiva como uma mina espalhada ao longo do trecho, a preposição “em”: “tu em mim e eu em ti”. Deus dentro de mim e eu dentro de Deus, enxertado, imerso. E não é esforço de conquista, pico que não se alcança.

Já estamos nele, só precisamos de tomarmos consciência disso! E não fugir, não fugir atrás de agendas e telemóveis, mas ouvir o seu pedido contido: fica comigo, permanece em mim! Gosto da minha imagem imersa “em” Deus, ramo da videira mãe, a mesma seiva, a mesma vida; raio de sol, a mesma luz, o mesmo fogo; gota de água do mesmo oceano.

Existe um cromossomo divino no nosso ADN. É por isso que a nossa vida é cheia de futuro. Na verdade, na passagem, está subjacente um fio de ouro de verbos no futuro: "rezarei, te darei, não te vou deixar, virei, ver-me-ão, sabereis, vivereis, amarei, manifestar-me-ei“.

Que sensação de vitalidade e de caminhos escancarados, de sementes e de nascimentos! Temos um Deus que preside a todos os nascimentos, que nos precede em todos os caminhos, que irrompe do futuro e não do passado: “Não vos deixarei órfãos, eu vivo e vós vivereis”. Trazer vida é vocação de Deus, o seu trabalho. A primeira lei de Deus é que o homem viva e esta é também toda a sua alegria.

Ermes Ronchi

 

A leveza e a beleza de uma vida mais simples

Será que viver com menos coisas e escolhas nos faz mais felizes? Talvez a disciplina seja uma excelente forma de aumentar a nossa liberdade.

Se a nossa atenção se concentrar e não se deixar dispersar pelos muitíssimos apelos do mundo à nossa volta, então é possível que aprofundemos a nossa vida de um modo que aumente a nossa paz. Uma vida com menos escolhas, com menos consumo, será uma vida com menos necessidades e preocupações.

Todos os dias somos levados a querer, a criar necessidades que não existiam e, com isso, a sentir uma insatisfação crescente.

Vivemos a alta velocidade, quase sempre a sonhar com a tranquilidade de um ritmo lento, conscientes de que uma desaceleração nos permitiria diminuir a ansiedade e aumentar o sabor dos dias.

Talvez bastassem algumas regras, horários e rotinas que nos servissem de suporte e nos afastassem da prisão das constantes tentações que nos seduzem a entrar numa lógica de mil e uma escolhas sem importância. No final, depois de muito nos inquietarem, não trazem nada de interessante à nossa vida.

A quantidade não é, em si, um bem; pelo contrário, a simplicidade é, em muitas dimensões da nossa vida, a forma mais elevada. Se aprendêssemos a viver bem com o que somos e com o que temos, sem perdermos um minuto a pensar no que nos dizem que nos falta, viveríamos melhor.

Muitos dos problemas dos nossos dias não vêm da falta, mas do excesso.

Seria bom que fôssemos capazes de simplificar o nosso dia a dia, protegendo-nos dos atentados à nossa estabilidade que vêm sempre sob a aparência de promessas de felicidade.

Seria bom que abrandássemos o ritmo das nossas horas e que, em cada uma, encontrássemos beleza e bem, sem procurarmos passar por elas como se fossem iguais.

Seria excelente que não nos deixássemos distrair e encontrássemos, nos nossos silêncios, a paz divina que existe mesmo dentro de nós.

 

José Luís Nunes Martins

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

E por dentro do amor,

até somente ser possível

amar tudo,

e ser possível tudo ser reencontrado

por dentro do amor.

 

tornar o amor uma casa

erguê-lo como se ergue um lugar, abrigar-se nele

entrar dentro do amor

refugiar-se em suas trincheiras como

os que vêm feridos de morte

os que de súbito entendem que viver é breve - mas amar é longo

 

Excerto de poemas de Herberto Helder e Mar Becker


 

INFORMAÇÕES

Prémios Bazar

Mantendo a tradição, a Paróquia de São Tiago encontra-se a organizar o seu bazar, uma iniciativa que continua a refletir o espírito de união, generosidade e entreajuda da nossa terra. Assim, em nome da comissão organizadora, dirigimo-nos a todos vós com um pedido de colaboração, através da oferta de prémios ou artigos para o bazar. Serão muito apreciadas contribuições destinadas tanto a adultos como a crianças, que dão vida e alegria a estas celebrações. Desde já, manifestamos o nosso sincero agradecimento por toda a vossa disponibilidade e contributo. A comissão


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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