Nº 1253

PÁSCOA: A CHAVE, NÃO A RESPOSTA
De novo, a Páscoa.
Como todos os anos, sinto-me atraído pela vida,
ou pela ressurreição — que, neste caso, é a mesma coisa.
Não me interessam questões dogmáticas ou teológicas,
mas o compromisso com a vida — ou a ausência dele.
É a partir desta grande realidade, a Vida,
que quero falar dela, a partir da Páscoa como experiência existencial.
Para mim, a Páscoa não é a “resposta” para o “depois”,
mas a “chave” para o “agora”.
Jesus, em quem deposito toda a confiança,
é a Ressurreição e a Vida em “abundância”.
É à “Galileia da vida” que se deve ir
para encontrar Jesus vivo.
Lá estão pessoas que, na sua maioria,
não entendem de culto, de ritos, de dogmas ou de verdades de fé.
É a Galileia da abundância e do prazer,
do poder e do dinheiro,
mas também da fome, do sofrimento e da miséria.
É a Galileia onde alguns se arrogam juízes do amor,
dizendo o que é santo, o que é legítimo ou o que é lícito,
desprezando a sinceridade dos corações
e a sacralidade das consciências daqueles que se amam.
É a mesma Galileia onde religiões gastam esforços
para separar o sagrado do profano,
em vez de se guiarem pela ética, pelo Amor
e pela prática da fraternidade.
Felicito todos os que se esforçam
por fazer da “Galileia quotidiana”
um lugar onde o Deus da Vida se deixa descobrir
através do encontro, da prática da fraternidade,
do diálogo e da convivência.
Juan Zapatero Ballesteros, in Eclesalia
MEDITAR
Jesus não pede, não tira, oferece tudo
O Evangelho de Emaús desenvolve-se como uma grande liturgia em três partes: a liturgia do caminho, da palavra, do pão.
Emaús fica a onze quilómetros de Jerusalém, três horas a pé, passadas a falar do sonho em que tanto investiram, naufragados em sangue.
E eis que Jesus se aproximou e caminhava com eles. Como um Deus espalhado por todas as estradas, que não impõe passos, toma os meus. Para Ele basta o ritmo do momento, o quotidiano. Todo o caminhar lhe agrada, desde que seja caminho.
Depois, a liturgia da palavra: e começando por Moisés e pelos profetas, explicou-lhes as Escrituras, explicou a vida com a Palavra, explicou que a Cruz não é um acidente, mas a plenitude.
E os dois descobrem a imensa verdade: veem um Deus que, de tão escondido parece ausente, tece o fio de ouro na tela do mundo a partir do ponto mais escuro, a cruz. Agora sabem que quanto mais escondida a mão de Deus parece, mais poderosa ela é. Quanto mais silencioso, mais eficaz é. Uma vez em Emaús, Jesus mostra que quer "ir mais longe".
Como um sem-teto, um Deus migrante por espaços livres e abertos que pertencem a todos. Abre-se então a liturgia do pão, em torno do primeiro altar que é a mesa da casa: reconheceram-no ao partir o pão.
Sim, porque numa quinta-feira, ao entardecer, Jesus havia dito palavras terríveis sobre o pão e o vinho: tomai e comei. Esse é o meu corpo. É tudo de mim, até a última fibra, até a última ferida.
É para vós. A história de Jesus tem cheiro de pão. O pão, bom por si só e bom com tudo.
Mas partir o pão não mostra a conclusão, é só o primeiro tempo da doação. Tomo qualquer coisa de mim e dou-ta. Deixo um pedaço de mim nas tuas mãos, uma porção, uma fração, migalhas, qualquer coisa que de mim se torna tua.
Repartir: resume a alma de Jesus, a sua história, a sua missão. Não tira a ninguém, reparte-se a si mesmo. Não pede nada, oferece tudo. Durante séculos, a Missa foi chamada de fractio panis, a fração do pão e a sua entrega.
Extraído de Isaías 58: Reparte o teu pão com o faminto e a tua fome acabará; ilumina os outros e serás iluminado; cura a ferida dos outros e curarás a tua ferida. A espinha dorsal do evangelho é a dádiva e não o sacrifício.
Partiram sem demora e voltaram para Jerusalém, partem como chamados, como se a noite nunca mais viesse, partem com o sol dentro, sem medo. Um milagre. Mas o primeiro milagre foi outro: não ardia o nosso coração enquanto no caminho Ele nos explicava o sentido das Escrituras e da vida? Porque «quem me come, come fogo! Comemos fogo no pão”.
Ermes Ronchi
A Semana de Oração pelas Vocações 2026, que decorre entre 19 e 26 de abril, terá o lema “Eu estou contigo” (Is 41,10).
“Partindo do Profeta Isaías (41,10), foi possível com o generoso contributo do Secretariado das Vocações da Diocese de Aveiro, a elaboração de alguns recursos e propostas, a utilizar na valorização e divulgação desta semana anual que termina no IV Domingo da Páscoa, chamado do ‘Bom Pastor’.
No texto, D. Vitorino Soares, alude à mensagem do Papa para o 63º Dia de Oração pelas Vocações, a 26 de abril, na qual Leão XIV apela a que os jovens escutem a “voz do Senhor que os convida a viver uma vida plena, realizada, fazendo frutificar os próprios talentos e pregando as próprias limitações e fraquezas na gloriosa Cruz de Cristo”.
“E recorda quatro caminhos a desenvolver, um dos quais diretamente ligado ao lema escolhido: ‘Eu estou contigo’, que é o caminho da confiança”.
O presidente da CEVM, defende que “é, pois, num contexto de interioridade, através de um encontro pessoal, que se descobre, desenvolve e amadurece a vocação, o que contraria” os ambientes em que cada um vive.
Segundo D. Vitorino Soares, “as ofertas da aparência, do virtual, do ritmo acelerado, do ruído do mundo, acabam por dificultar a paragem, uma paragem com os outros, que permita uma reflexão e um olhar profundo interior”.
“É precisamente a partir da ‘descoberta dos dons’ que estão dentro de nós, que se ilumina a confiança na convicção de que ‘Deus está connosco’. ‘Deus está contigo’! Só a partir do reconhecimento desta promessa se podem iniciar processos de resposta, serenos, confiantes, arriscados e tantas vezes nada previsíveis e programados”.
A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios sugere como proposta para esta semana o “fomentar experiências de encontro de cada um consigo próprio, onde se identifiquem os dons de Deus” e depois “alimentar o conforto da presença de Deus que sustenta todas as respostas: sacerdotais, religiosas, seculares, masculinas e femininas”.
“’Nada te perturbe, nada te espante, quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta’, recordava S.ta Teresa de Jesus, ou de Ávila. Mais do que aquilo que ainda não possuímos ou não conhecemos, importa o que já possuímos e já conhecemos. ‘Eu estou contigo’”, expressa D. Vitorino Soares.
In Ecclesia
PENSAMENTO DA SEMANA
Senhor Jesus,
venceste a morte sem armas nem violência:
derrotaste o seu poder com a força da paz.
Dai-nos a vossa paz,
tal como às mulheres perplexas na manhã da Páscoa,
tal como aos discípulos escondidos e amedrontados.
Enviai o vosso Espírito,
sopro que dá vida, que reconcilia,
que torna irmãos e irmãs os adversários e os inimigos.
Inspirai-nos a confiança de Maria, vossa Mãe,
que, com o coração despedaçado, permaneceu ao pé da vossa cruz,
firme na fé de que teríeis ressuscitado.
Que a loucura da guerra tenha fim
e que a Terra seja cuidada e cultivada por aqueles que ainda
sabem gerar, guardar, amar a vida.
Ouvi-nos, Senhor da vida!
Papa Leão XIV
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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