Nº 1251

 

A PÁSCOA

"Sede passantes

Este tema da passagem é o tema da Páscoa.

Pessah em hebraico, quer dizer passagem.

A passagem, no rio, de uma margem à outra margem,

a passagem de um pensamento a outro pensamento,

a passagem de um estado de consciência

a outro estado de consciência.

A passagem de um modo de vida

a um outro modo de vida.

Somos passageiros.

A vida é uma ponte e, como diziam os antigos,

não se constrói sua casa sobre uma ponte.

Temos que manter, ao mesmo tempo,

as duas margens do rio, a matéria e o espírito,

o céu e a terra, o masculino e o feminino e

fazer a ponte entre estas nossas diferentes partes,

sabendo que estamos de passagem.

É importante lembrar-se do carácter passageiro de nossa existência,

da impermanência de todas as coisas,

pois o sofrimento geralmente é de querermos fazer durar

o que não foi feito para durar.

A grande páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna,

é a abertura do coração humano ao coração divino.

É a passagem da escravidão para a liberdade,

passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus,

do Egito para a terra Prometida.

Sede passantes.

Creio que esta palavra é verdadeiramente um convite

para continuarmos o nosso caminho

a partir do lugar onde algumas vezes paramos.

Observemos o que para a vida em nós,

o que impede o amor e o perdão,

onde se localiza o medo dentro de nós.

É por lá que é preciso passar, é lá o nosso Mar Vermelho.

Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz,

não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida."

 

Jean Yves Leloup (adaptado)

 

MEDITAR

Domingo de Páscoa - Ressurreição do Senhor

A Páscoa chegou até nós através dos olhos e da fé das mulheres que haviam seguido Jesus, num alvorecer cheio de surpresas, de corridas, de medos. Maria Madalena e Maria de Jacob saem de casa na hora entre escuridão e luz, o mais rápido possível, com a urgência de quem ama. E foram visitar o túmulo.

Com as mãos vazias, simplesmente para visitar, ver, olhar, demorarem-se, tocarem a pedra. E eis que houve um grande terremoto e um anjo desceu: competição da terra e do céu, e a pedra rola, não para que Jesus saísse, Ele já o tinha feito, mas para o mostrar às mulheres: venham, olhem para o lugar onde Ele estava.

Não é um sepulcro vazio que torna plausível a ressurreição, mas encontrá-lo vivo, e o anjo continua: Eu sei que estão a procurar de Jesus, Ele não está aqui! Como isso é belo: não está aqui!

É, existe, vive, mas não aqui. Vão procurá-lo, noutro lugar, de outro modo, é andando pelas ruas que Ele está vivo, um Deus a ser surpreendido na vida. Em todos os lugares, exceto procurá-lo nas coisas mortas. Está nos sonhos de beleza, em todas as escolhas por um amor maior, no ato de gerar, nos gestos de paz, nos abraços dos que se amam, no choro vitorioso da criança que nasce, no último suspiro dos moribundos, na ternura com a qual um doente é tratado.

Às vezes, tenho um sonho: que no Santo Sepulcro haja um diácono que seja anunciador para repetir as palavras do anjo aos que procuram: não está aqui, vai à vossa frente. Está do lado de fora, para diante. Procurem melhor, procurem com uns olhos novos.. Precede-vos na Galileia, onde tudo começou, onde ainda pode começar novamente.

O anjo pede-vos: vão, Ele confia em vós, espera-vos e juntos viverão desde o início. Precede-vos: a ressurreição de Jesus é uma novidade absoluta em relação aos milagres da ressurreição dos quais o Evangelho fala.

Mil vezes mais fácil, mais convincente, seria fundar o cristianismo sobre a vida de Jesus, inteiramente dedicada ao próximo, à cura, ao encorajamento, à remoção das barreiras e dos preconceitos.

Uma vida boa, bela e feliz de imitar. Mas muito mais fácil fundá-lo na paixão, nessa maneira corajosa de se colocar em frente do poder político e religioso, morrendo a perdoar e entregando-se a si mesmo.

A ressurreição, o fundamento sobre o qual a Igreja se apoia ou cai (stantis vel cadentis ecclesiae) não é uma escolha dos apóstolos, é um facto que se lhes impõe. O mais árduo e o mais belo de toda a Bíblia. E nele se reverteu a vida.

Ermes Ronchi

 

 

Uma Santa e Feliz Páscoa para todos vós!

 

Na mesa de Jesus TODOS têm um lugar

"Cada vez que olho para um quadro da Santa Ceia, vejo ali um infinito amor, um amor capaz de acolher até um Judas e também todos os que acabaram por trair Jesus, porque na hora do Calvário, a verdade é que só estavam presentes o discípulo João, a Mãe de Jesus e mais um pequeno grupo de mulheres...

Sempre as mulheres para chorar o amor. Sempre as mulheres as primeiras em tudo, até a testemunhar Cristo Ressuscitado. O que seria da Igreja sem elas.

Tendemos a olhar para os judas das nossas vidas, como os que estão definitivamente perdidos, os que não têm solução. Mas nenhum daqueles discípulos era melhor que Judas. E também nenhum de nós é melhor que os judas deste mundo, "não há um justo, nem um sequer."

A única diferença está na resposta que damos ao perdão: se nos deixamos perdoar ou desistimos dele, desacreditado do seu poder. Essa foi a única diferença entre Judas e Pedro após a traição: a resposta ao Amor que está sempre pronto a perdoar, até as maiores traições.

Na mesa de Jesus todos têm um lugar. No perdão de Jesus cabem todos e cabem os maiores pecadores, porque o Amor, quando acolhido, tem sempre a última palavra.

O que Jesus rejeita em nós é o pecado. O Senhor jamais nos rejeitaria, antes pelo contrário, é quando Ele nos ama ainda mais... de um amor que chora lágrimas de compaixão, como Ele também chorou naqueles dias por Jerusalém.

Na mesa de Jesus há sempre um lugar para ti."

Victor Ferreira

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Creio em Deus como a festa maior que há de vir

e das encruzilhadas em que os pedintes nos surpreendem

creio no amor como fidelidade ao puro dom da graça

creio em Deus, força da vida e madrugada de todas as coisas

creio na reconciliação no amor como poder universal

creio na Páscoa do Espírito e do Fogo

creio no Espírito da diferença irredutível,

no intenso e no profundo que nos liga

ao espaço-tempo da presença-amante

Renuncio à verdade solitária ou particular

renuncio à fé sem amor, que é o puro subjetivismo

renuncio à esperança judiciária, distributiva,

que dá a uns a recompensa e a outros o inferno

renuncio ao fel das relações envenenadas

a sedução do dinheiro que compra a vida e a fama

renuncio a um coração que seja em nós um rio que não corre

José Augusto Mourão (adaptado)



 

TEKE-AWAY

A Sociedade Estímulo vai ter à disposição de todos “caldo de funcho”, no próximo dia 11 de abril. As reservas devem ser feitas até ao dia 8 de abril,

Telm. 917742253


Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 1251

Agenda Pastoral

Destaque

Mais Recente Carta Familiar em PDF!

Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

Os nossos Links

Ouvidoria de São Jorge
FAJÃS Grupo de Jovens
Cartas Familiares Anteriores

Visitas


Ver Estatísticas