Nº 1250

 

AMOR TOTAL E INCONDICIONAL

«A Semana Santa é ocasião privilegiada para refletir sobre a revisão dos nossos quadros teológicos sobre o valor da morte na cruz. Esta é a melhor altura do ano para tomar consciência da coerência de toda a vida de Jesus. Ao tomar consciência das consequências dos seus atos, Ele não recua e aceita-as plenamente. É um aviso para nós, que estamos sempre a acomodar os nossos comportamentos para evitar consequências desagradáveis. Sabemos que a nossa plenitude está em darmo-nos aos outros, mas continuamos a calcular as nossas ações para não irmos longe demais, estabelecendo limites "razoáveis" para a nossa entrega; sem nos darmos conta de que um amor calculado não passa de um egoísmo camuflado. (...)

A morte de Jesus é a consequência direta de uma rejeição frontal e absoluta por parte dos chefes religiosos do seu povo. Rejeição dos seus ensinamentos e da sua pessoa, por tentar purificar a sua religião. Não pensemos que se trata de uma rejeição gratuita e malévola. Os fariseus, os escribas e os sacerdotes não são pessoas depravadas que se opõem a Jesus porque Ele é bom. Eram religiosos que pretendiam ser fiéis à vontade de Deus, que encontravam na Lei.

A morte de Jesus não pode ser pensada como desligada da sua vida. A sua morte foi uma consequência da sua vida. Não foi um plano de Deus para que o seu Filho morresse na cruz e assim nos libertasse dos nossos pecados. Jesus foi plenamente um ser humano que fez as suas próprias escolhas.

Há explicações teológicas da morte de Jesus que continuam a ser apresentadas aos fiéis, embora a grande maioria dos exegetas e teólogos as tenha abandonado há muito tempo. Já não devemos interpretar a morte de Jesus como um resgate exigido por Deus para pagar a dívida do pecado. Para além de ser um mito antigo, é contrário à ideia de Deus que o próprio Jesus revelou na sua vida. Um Deus que é amor, que é Pai, não se coaduna com o Senhor que exige o pagamento de uma dívida até ao último cêntimo.

Para nós, hoje, a morte de Jesus obriga-nos a refletir sobre a verdadeira profundidade de cada vida humana. Jesus soube encontrar, como nenhum outro ser humano, o caminho que todos nós devemos seguir para alcançar a plenitude humana. Ao amar até ao extremo, deu-nos a verdadeira medida do humano. Desde então, ninguém precisa de se esforçar para encontrar o caminho de uma maior humanidade. Quem quiser dar sentido à sua vida não tem outro caminho senão o amor total, até desaparecer.

Nesse amor está a verdadeira salvação. O "poder" de Deus manifesta-se na vida daquele que é capaz de amar dando tudo o que é.»

Fray Marcos, in Fé Adulta (Adaptado)

 

MEDITAR

As coisas de Deus se estivermos bem perto dele pesam mais

O Domingo de Ramos mergulha-nos num dos momentos mais festivos da vida de Jesus: um rio de sorrisos, desde o Monte das Oliveiras até ao templo. E ao redor era primavera, alegre e poderosa, como agora. Nunca me esqueci de uma conversa que tive há muitos anos com um monge trapista da Abadia de Orval, na Bélgica. Dei uma mãozinha na "brasserie", tentando fazer-me útil, quando me ocorreu perguntar-lhe: «Padre, nunca se cansou de Deus? Rezar, pensar nele, dar-lhe o tempo todo? Quando nos cansamos de Deus, o que devemos fazer?”.

Esperava que me dissesse: mas como acontece cansar-se de Deus? Quer dizer que somos pouco crentes... Em vez disso, olhou-me com os seus olhos profundos e contou-me uma homilia de São Bernardo aos seus monges: «no dia de Ramos, na procissão que acompanha o Mestre e os discípulos desde o Monte das Oliveiras, há quem cante, quem aplauda, ??quem agite e estenda os seus mantos, quem agite palmas: um jardim que caminha.

Quem está mais perto de Jesus, quem está mais longe. Mas todos estão contentes. Porém, há um personagem que sente a maior fadiga de todos, mesmo que seja forte, mesmo que seja o mais próximo, e é a jumenta com sua cria (Mateus 21:2), sobre a qual estenderam seus mantos, sobre a qual Jesus subiu .

Quem sente todo o peso daquele homem na ladeira que sobe da torrente do Cedron em direção ao templo e se cansa é a jumenta.

É a mais próxima de Jesus e, no entanto, a que mais se cansa. Assim também continuou «quando ficamos cansados, quando sentimos o peso das coisas de Deus, talvez seja porque estamos muito perto do Senhor, carregamo-lo juntamente com o peso do céu sobre nós, com as suas escuras nuvens a serem levadas mais para cima. O importante é continuar: pouco depois está Jerusalém».

A Semana Santa traz consigo os dias supremos da história, a vida dele e a nossa um só rio, os dias da "vingança" de Deus: quando Deus se vinga de toda a distância, de toda a separação, de toda a indiferença, erguendo a cruz que levanta a terra, que abaixa o céu, que junta os horizontes, a encruzilhada de todas as nossas estradas dispersas.

A cruz é o abismo onde Deus se torna o amante. Lá em cima, os braços de Jesus, cravados e estendidos num abraço irrevogável, que nunca mais é revogado, são as portas do Éden escancaradas para sempre, são uma dilatação do coração a ponto de se dilacerar, ainda antes do golpe da lança. Nova génese do homem em Deus: o amado nasce sempre da ferida do coração de quem o ama.

O homem nasce do coração dilacerado de seu criador. Revelação definitiva de que Deus e a vida são sempre um dom de si mesmo e nunca sereis abandonados. Então, na cruz de Jesus, resplandece verdadeiramente a glória da vida.

 

Ermes Ronchi

 

 

Na Cruz

Diante da mais bela e profunda expressão de Amor que a história da humanidade já conheceu, só nos resta o silêncio, a contemplação e a gratidão. 

Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, morreu. Aquele que nunca fez nem nada disse de mal foi assassinado.

Contudo, mais do que lhe terem tirado a vida, a verdade é que Ele quis dá-la por nós e para a nossa salvação. 

Porque quis que o seu sangue fosse o sinal mais sublime da ternura de Deus pela humanidade. Para nos oferecer a verdadeira vida e a autêntica felicidade. 

Ele deu-se inteira e completamente para ressuscitarmos daquilo que nos oprime, escraviza e empobrece. 

Nasceu para morrer por todos. 

Na Cruz, a fé vence a dúvida e a incerteza, a esperança vence o desânimo e o pessimismo, e o Amor vence o ódio e o egoísmo. 

Novos horizontes, novos sentidos e valores para a existência, novos pontos de vista e perspetivas para uma vida em plenitude. 

Ele quis propor-nos um projeto de salvação e continua a desafiar-nos a procurarmos salvar e a dar a vida uns pelos outros. Não conseguimos salvar o mundo, mas podemos sempre salvar a vida de alguém. 

Sempre que olharmos o outro como irmão e lhe dermos a nossa mão, estaremos a amar o próximo e a construir um mundo mais humano, justo e solidário.

Juntos e com Ele, seremos melhores e mais fortes. 

Ele e a humanidade precisam de cada um de nós. 

Da nossa melhor versão. 

Podemos e devemos afetiva e efetivamente fazer a diferença.

Mais do que de palavras, intenções e conselhos, o mundo precisa do que somos, sabemos, sentimos, pensamos e fazemos. 

Mais do que de coisas extraordinárias, precisamos todos de gestos simples e concretos, cheios de altruísmo, verdade, pureza e bondade. 

O madeiro da cruz diz-nos que Deus desce até nós em Jesus Cristo para nos elevar para Si e, ao mesmo tempo, através d’Ele, abre os braços, envolvendo toda a humanidade como uma só família.

Sejamos dignos e merecedores de tão inefável e desmesurada prova de Amor.

Paulo Costa (Adaptado)

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 Aprender as escrituras é fácil;

mas vivê-las é tarefa árdua.

É mais simples ler palavras numa página

do que buscar o coração vivo das coisas.

Tateando no nevoeiro do estudo,

a tropeçar, perdi as minhas últimas palavras.

— E a minha visão clareou.

Oh, que visão me esperava então!

Lalleshwari


 

INFORMAÇÕES

CONFISSÕES

Calheta - segunda feira, 30 de março, a partir das 19h00.

 

ASSEMBLEIA GERAL

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Calheta, convoca os seus sócios para uma Assembleia Geral a realizar no dia 20 de abril pelas 19 horas.


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Agenda Pastoral

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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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