Nº 1249

O MEU DEUS É FRÁGIL
«O meu Deus não é um Deus duro, impenetrável, insensível, estoico, impassível.
O meu Deus é frágil.
É da minha raça. E eu sou da sua.
O meu Deus conheceu a alegria humana, a amizade, o gosto pela Terra e pelas suas coisas.
O meu Deus teve fome e sono e cansaço.
O meu Deus irritou-se, teve paixões.
E foi manso como uma criança.
O meu Deus tremeu perante a morte
O meu Deus alimentou-se com o leite duma mãe, sentiu e bebeu toda a ternura feminina.
O meu Deus foi desterrado.
Foi perseguido e aclamado.
O meu Deus foi um homem do seu tempo.
Vestiu como os outros, falou o dialeto da sua terra, trabalhou com as suas mãos, gritou como os profetas.
O meu Deus foi manso com os débeis e severo com os soberbos.
O meu Deus é frágil.
O meu Deus acabou com a velha moral de “dente por dente, olho por olho”, da vingança mesquinha,
e inaugurou a fronteira de um amor e de uma compaixão, totalmente novos.
O meu Deus, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar.
Por isso, o meu Deus venceu a morte.
E brotou com um fruto novo nas mãos: a Ressurreição.
O meu Deus frágil,
o meu Deus que chora,
o meu Deus que não se defende, é difícil para tantos!
É difícil o meu Deus frágil, amigo da vida,
o meu Deus que sofreu a mordedura de todas as tentações,
o meu Deus que suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai.
É difícil este Deus, este meu Deus frágil, para quem só se triunfa vencendo;
para quem só se defende matando;
para quem salvação é sinónimo de esforço e não de dom gratuito;
para quem o humano é pecado;
para quem santo é igual a estoico e Jesus igual a anjo.
É difícil o meu Deus frágil para quem continua a sonhar com um Deus que não se pareça com os homens.»
Juan Arias, in O Deus Em Quem Não Creio (adaptado)
MEDITAR
Não é a vida que vence a morte, é o amor.
Sobre Lázaro sabemos poucas coisas, mas são as que contam: a sua casa é hospitaleira, é o irmão amado de Marta e Maria, amigo especial de Jesus. O seu nome é: Convidado, amigo e irmão, junto com as irmãs: aquele-que-TU amas, o nome de cada um de nós
Por causa de Lázaro ficaram juntas para nós duas das palavras mais importantes do Evangelho: Eu sou a ressurreição e a vida. Não já: serei, num longínquo último dia distante, numa outra vida, mas aqui, agora, eu sou.
Observa a disposição das palavras: a primeira é a ressurreição e depois a vida. De acordo com a lógica devia ser o oposto. Mas não: Eu sou a ressurreição das vidas extintas, sou o despertar do ser humano, o retomar da vida que se rendeu.
Viver é a infinita paciência de renascer, sair para fora dos nossos recantos escuros, permitir que se soltem os fechos e fechaduras que nos bloqueiam, retirar as bandas dos olhos e das velhas feridas, e partir de novo para o sol: desatem-no e deixem-no ir.
Rumo a coisas que merecem não morrer, em direção à Galileia, do primeiro encontro.
Invejo Lázaro, não porque volta à vida, mas porque está cercado de pessoas que lhe querem bem até às lágrimas. Porquê a sua ressurreição? Pelas lágrimas de Jesus, pelo seu amor que chegou ao pranto.
Também eu vou ressuscitar, porque o meu nome é esse mesmo: amado para sempre; porque o Senhor não aceita ser roubado dos seus amados. Não é a vida que vence a morte, mas o amor. Se Deus é amor, dizer Deus e dizer ressurreição é dizer a mesma coisa.
Lázaro, vem para fora! Ele sai, envolto nas faixas como um recém nascido, como quem vem à tona novamente. Vai morrer uma segunda vez, é verdade, mas então abrem-se para ele grandes esperanças: agora as portas da morte ficaram escancaradas para a vida.
Soltem-no e deixem-no andar! Tirem os mortos da sua morte. E libertem-se da ideia da morte como o fim de uma pessoa. Libertem-no, como se soltam as velas, se desatam os nós dos que estão dobrados sobre si próprios.
E, em seguida, deixem-no ir, dêem-lhe uma estrada, amigos, algumas lágrimas e uma estrela polar.
Três imperativos descrevem a ressurreição: sai, liberta-te e vai! Quantas vezes morri, desisti, tinha-se acabado o óleo na lâmpada, tinha-se acabado o desejo de amar e de viver. Nalgum recanto da alma uma voz dizia: não quero saber de mais nada, nem de Deus, nem do amor, nem da vida.
E então uma semente começou a germinar, não sei porquê; removeu—se uma pedra, entrou um raio de sol, um amigo quebrou o silêncio, as lágrimas molharam as minhas ligaduras, e isso aconteceu em segredo, misteriosamente, envolvendo razões de amor: um Deus enamorado dos seus amigos, que não os vai deixar nas mãos da morte.
Ermes Ronchi
«A fotografia a preto e branco cabe na palma da mão. (...)
Foi tirada em 1954.
Tenho portanto três anos. (...)
Dou a mão direita ao meu pai.
Estamos num caminho campestre.
Dirigimos ambos o olhar para longe, na mesma direção,
e as nossas expressões, semi-intrigadas semi-preocupadas,
não procuram agradar a ninguém.
Quando mostrei essa fotografia à minha mãe, ela exclamou:
"Quando tinhas essa idade estavas sempre com o teu pai, nunca o largavas."
Pensei, sem lho dizer,
que continuava a ser o caso
e que era preciso bem mais do que a morte
para afastar essas duas mãos calmamente fechadas uma sobre a outra.
Claro, alguma coisa mudou,
e se hoje pudéssemos tirar uma fotografia,
com um rolo suficientemente sensível para captar o invisível,
esta mostraria as mesmas pessoas, de mãos dadas,
mas com os tamanhos trocados:
sou eu agora o homem maduro que o meu pai era,
e ele tem a idade que a morte nos dá quando nos atinge com a sua inocência,
seja em que momento for: dois ou três anos, pouco mais, e talvez menos.»
Christian Bobin, in Ressuscitar
PENSAMENTO DA SEMANA
Podemos ter caminhado durante trinta anos
num caminho espiritual,
ou atravessar um bosque salpicado de luz,
ou ter acabado de encontrar um amigo
que será amigo para sempre —
e, de súbito, o amor está presente:
chega inesperadamente,
como uma ternura que se revela,
como uma fragrância
no coração.
Llewellyn Vaughan-Lee
INFORMAÇÕES
VILA DE JESUS
No dia 29 de março, na paróquia de São Tiago, da Ribeira Seca, vamos fazer a “Vila de Jesus” com o seguinte horário:
13h45 - cortejo de ramos com as crianças da catequese e toda a comunidade.
14h00 - missa solene
15h00 - arraial com animação (crianças vestidas à época de Jesus; quiz para todos participarem e tasca junto à igreja.
CONFISSÕES
Biscoitos - sexta feira, 27 de março, a partir das 17 horas.
Ribeira Seca - sexta feira, 27 de março, a partir das 18 horas.
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Agenda Pastoral
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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