Nº 1240

 

Sem tempo para cuidar das feridas

Poucos são os dias em que a vida nos é agradável sem que tenhamos de lutar por isso. Não podemos controlar o que nos acontece, mas somos chamados a responder a tudo o que sucede connosco e à nossa volta, procurando sempre apontar o rumo da história para onde queremos.

Não se trata de uma escolha por ano, nem sequer por semana; é necessário decidir várias vezes ao dia, corrigindo os desvios das adversidades e anulando as tentações a que estamos sempre expostos. É mais fácil deixar-se ir, mas nesse caso o destino é quase sempre um conjunto de desgraças cada vez maiores.

Neste oceano dos dias, quem não se esforça para se manter à superfície vai ao fundo como se fosse uma pedra.

Contudo, há algo verdadeiro que parece ilógico à maior parte das pessoas: se procuramos o nosso próprio bem, nunca chegaremos a concretizar os nossos sonhos. Só é feliz quem luta contra os seus instintos egoístas e se dedica a cuidar do bem dos que lhe estão próximos.

Só é feliz quem ama, todos os dias. Só ama quem vence o seu natural egoísmo.

Muitas são as doenças graves que não se podem combater, porque o adversário não joga segundo as mesmas regras que nós. Na verdade, ninguém perde a luta contra uma enfermidade, porque nela não existe qualquer justiça. Ainda assim, nesses casos, cabe a cada um de nós lutar contra o desânimo que, qual tempestade, procura enfraquecer-nos e fazer de nós vivos sem vida.

Somos chamados a ser guerreiros, amando os que estão próximos de nós a cada dia e cuidando do que há de bom em nós, pensando neles.

Se há algo que pude aprender na vida é que temos de lutar tanto que, quando acontece uma vitória, não é uma enorme alegria que sinto, mas um alívio pelos meus esforços terem valido a pena.

Consiga cada um de nós que o seu último sopro aqui e o primeiro lá – seja um só suspiro… de alívio!

 José Luís Nunes Martins

 

MEDITAR

 

O Cordeiro que traz a ternura divina

João Batista vê Jesus chegar (João 1,29-34)… Poder ter, como ele, olhos de profeta, e sei que não é impossível, porque «há um laivo de profeta nos recantos de cada existência humana» (A.J.Heschel).

Ver Jesus enquanto vem, eternamente caminhando ao longo da corrente dos dias, carregado de toda a distância; enquanto vem nos olhos dos irmãos mortos como cordeiros; enquanto vem ao longo da fronteira entre bem e mal onde se joga o teu e, em ti, o destino do mundo.

Vê-l’O chegar (como nos foi concedido no Natal) peregrino da eternidade, na poeira dos nossos caminhos, espalhado por toda a Terra, perscrutador de amor dentro do acampamento humano, de onde nunca mais se irá embora.

Eis o cordeiro, o pequenino do rebanho, o último nascido que ainda precisa da mãe e se confia ao pastor, que quer crescer connosco e no meio de nós. Não é o «leão de Judá», que vem tratar dos malvados e prepotentes, mas um pequeno Deus que não pode nem quer meter medo a ninguém; que não se impõe, mas se propõe e pede apenas para ser acolhido. Acolhido como a narração da ternura de Deus.

Vem e traz a revolução da ternura, traz uma outra maneira possível de habitar a Terra, vivendo uma vida livre de engano e violência. Amai-vos, dirá, de outra forma destruir-vos-eis, o Evangelho está todo aqui.

Eis o cordeiro, indefeso e mais forte que todos os Herodes da Terra. Um desafio de cara destapada à violência, à sua lógica, ao desamor, que é a raiz de todo o pecado.

Vem o Cordeiro de Deus, e traz muito mais do que o perdão, traz-se a si mesmo: Deus na carne, o cromossoma divino no nosso ADN, o seu coração dentro do nosso coração, respiração na nossa respiração, para sempre.

E tira o pecado do mundo. O verbo declina-se no presente: eis aquele que incansavelmente, infalivelmente, dia a dia, continua a tirar, a lançar fora, agora mesmo, o mal do ser humano.

E de que modo tira o mal? Com a ameaça e o castigo? Não, com o mesmo método vital, positivo, com que opera na criação. Para vencer a escuridão da noite, Deus começa a soprar sobre a luz do dia; para vencer o gelo, acende o seu sol; para vencer a estepe, semeia milhões de sementes; para vencer o joio do campo, lança o gérmen bom; para demolir a mentira, Ele passa livre, desarmado, amoroso entre as criaturas.

O pecado é tirado: no Evangelho o pecado está presente, e todavia está ausente. Jesus fala dele só para nos dizer: foi tirado, é perdoável sempre! E como Ele, o discípulo não condena, mas anuncia um Deus que se esquece de si próprio por trás de uma ovelha perdida, uma criança, uma adúltera. Que morre por eles e a todos tomará dentro da sua ressurreição.

 

Ermes Ronchi

 

Não estaciones a tua alma em espaços onde não cabem os teus sonhos, deixa-os seguir em frente.

Jamais estaciones a tua alma,

ela precisa de movimento.

Jamais estaciones os teus sonhos,

eles precisam de liberdade e ação para se moverem.

Jamais estaciones a tua esperança,

ela precisa de espaço, para exercitar a sua fé.

Jamais estaciones a tua alegria,

ela precisa de ação, pois acima de tudo a alegria cura.

Jamais te estaciones onde não cabes,

não te contenhas,

não permitas ser reprimido, pois a liberdade é tudo.

Somos alma em evolução,

somos o caminho que ensina,

somos a luz que sempre vence a escuridão.

Jamais estaciones!»

Roberta França, conceituada médica geriatra do Rio de Janeiro, Brasil

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Quando tocares alguém, lembra-te de que nunca tocas apenas um corpo.

Tocas uma pessoa,

e nesse corpo habita a memória de toda a sua existência.

Mais profundamente ainda, ao tocar um corpo, lembra-te de que tocas um Sopro.

Esse Sopro é o sopro singular de uma pessoa,

com os seus entraves, fragilidades e caminhos,

e é também o grande Sopro do Universo que tudo anima.

Assim, quando tocares um corpo, toca com presença e respeito,

pois tocas um Templo.

 

Jean-Yves Leloup (adaptado)


 

INFORMAÇÕES

RECEITAS:

Cortejo de oferendas Portal - 1.107,00€.

Cortejo de oferendas Fajã dos Vimes - 1.485,00€.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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