Nº \1238

Novo ano ou novo eu?
Talvez não seja nem uma coisa nem outra.
Vivemos esta altura com as expectativas implantadas da novidade. De repente, é esperado que tudo mude e, obviamente, para melhor. De um minuto para outro é importante que se tomem resoluções repentinas e acaloradas que nem sempre rimam com a realidade. Essa ficção que somos chamados a viver só nos afasta daquilo que é a verdade com que vivemos diariamente.
Aquilo que a vida é, não se muda num dia.
Aquilo que somos não se altera só porque bate a meia-noite.
Nós podemos demorar uma vida a alterar um detalhe em nós. Quando nos trabalhamos interiormente nasce-nos esta esperança quase infantil de acordarmos diferentes. Mais iluminados. Mais bondosos. Mais adultos, até. Mas as verdadeiras mudanças internas não se compadecem das nossas pressas. Vão-se revelando, a pouco e pouco, à medida que envelhecemos e que avançamos na experiência do que a vida é. Basta estar na disposição de receber e de se deixar permear pelos acontecimentos mais diversos que nos forem atropelando os dias.
E, se assim é, como podemos esperar que tudo (nos) mude quando se muda a página do calendário?
Que este final de ano possa servir-nos para observar o tanto que já vivemos e as diferentes lições que nos têm sido ensinadas. Para aprender alguma coisa é preciso querer. Para mudar, também.
Que a nossa verdade (seja ela qual for) possa ser o que nos enche o copo e as medidas. Que a nossa inteireza e coerência de espírito possam substituir os confettis e as passas ressequidas. Só quando nos conhecemos verdadeiramente podemos, enfim, abrir espaço para que o novo faça casa em nós.
Mais do que um ano bom, que seja um ano de verdade. Com tudo o que isso implica e significa!
MEDITAR
O presente mais precioso dos Magos? A sua própria viagem
Epifânia, festa dos que buscam Deus, dos longínquos, que se puseram a caminho seguindo o seu profeta interior, em palavras como as de Isaías. "Levanta a cabeça e olha." Dois lindos verbos: levantar, erguer os olhos, olhar para cima e ao redor, abrir as janelas da sua casa ao grande sopro do mundo. E olha, procura uma fresta, um canto do céu, uma estrela polar, e lá de cima interpreta a vida, partindo de objetivos elevados.
O Evangelho narra a busca de Deus como uma viagem, ao ritmo da caravana, ao ritmo de uma pequena comunidade: caminham juntos, atentos às estrelas e atentos uns aos outros. Olhando para o céu e ao mesmo tempo para os olhos de quem caminha ao lado, abrandando o passo à medida do outro, de quem tem mais dificuldade.
Depois, o momento mais surpreendente: a viagem dos Magos está repleta de erros: perdem a estrela, encontram a cidade grande em vez da pequena aldeia; perguntam a um assassino de crianças sobre o menino; procuram um palácio e encontraram uma casa pobre. Mas têm a paciência infinita para recomeçar.
O nosso drama não é cair, mas render-se às quedas. E eis que viram a criança nos braços de sua mãe, e se prostraram e ofereceram presentes. O presente mais precioso que os Magos trazem não é o ouro, é a sua própria viagem.
Deus quer que O desejemos. Deus tem sede da nossa sede: a nossa dádiva maior. Entrando, viram o Menino e sua mãe e o adoraram. Adoraram um menino. Lição misteriosa: não o homem da cruz, nem o glorioso ressuscitado, nem o sábio com palavras de luz, nem um jovem em pleno vigor, simplesmente uma criança.
Não só no Natal Deus é como nós, não só é Deus-connosco, mas é um Deus pequenino entre nós. E dele não se pode ter medo e não nos podemos afastar de uma criança que ama. Informem-se bem sobre o Menino e depois façam-mo saber para que eu também vá adorá-l’O!
Herodes é o matador de sonhos ainda em faixas, está dentro de nós, é aquele cinismo, aquele desprezo que destrói os sonhos e as esperanças.
Gostaria de resgatar estas palavras da sua profecia de morte e repeti-las ao amigo, ao teólogo, ao artista, ao poeta, ao cientista, ao homem da rua, a qualquer um: Encontraste o Menino?
Peço-te, procura ainda, afincadamente na história, nos livros, no coração das coisas, no Evangelho e nas pessoas; busca com cuidado de novo, fixando o abismo do céu e o abismo do coração, e depois conta-me como se conta uma história de amor, para que eu também vá adorá-l’O, com os meus sonhos salvos de todos os Herodes da história e do coração.
Ermes Ronchi
PENSAMENTO DA SEMANA
«Jesus é um Presente sonhado e preparado desde sempre, ideia presente já no Coração de Deus enquanto o Poema da Criação ia nos seus primeiros versos.
Jesus é um Presente de Deus necessitado de acolhimento e cuidado. Não apela primeiramente à nossa obediência, mas ao nosso carinho. Não puxa pelas nossas forças, mas mete-se com o que em nós há de mais entranhável, capaz de ternura e compaixão.»
INFORMAÇÕES
FESTAS MÓVEIS em 2026:
Batismo do Senhor - 11 de janeiro
Quarta-feira de cinzas - 18 de fevereiro
Domingo de Páscoa - 5 de abril
Ascensão de Senhor - 17 de maio
Domingo de Pentecostes - 24 de maio
Santíssima Trindade - 31 de maio
Corpo de Cristo - 4 de junho
Sagrado Coração de Jesus - 12 se junho
Festa de Cristo Rei - 22 de novembro
I Domingo do Advento - 29 de novembro
Sagrada Família - 27 de dezembro
RECEITAS
BISCOITOS - Cortejo de oferendas e beija-pé 559,60.
ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIO DA CALHETA
A Associação do Bombeiros apela à sensibilidade e solidariedade dos seus sócios para a regularização da quotas associativas. O pagamento pode ser efetuado na secretaria da Associação ou por transferência bancária para o NIB da CGD PT50 0035 0189 0000 1396 930 05. Mail: abvc.geral@gmail.com
Assembleia Geral
Convocam-se os Associados dos Bombeiros para uma Assembleia Geral, no dia 16 de janeiro de 2026 pelas 19h, com a seguinte ordem de trabalho:
- Localização do Novo Quartel dos Bombeiros;
- Outros assuntos de interesse para a Associação.
Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº \1238
Agenda Pastoral
Destaque
Mais Recente Carta Familiar em PDF!
Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
Os nossos Links
Ouvidoria de São JorgeFAJÃS Grupo de Jovens
Cartas Familiares Anteriores
Visitas
Ver Estatísticas
