Nº 1233

 

VELAI

«Velai!» é a palavra do Senhor que torna o Advento realidade (Mateus 24, 42-44), que o faz existir, que o faz começar mais uma vez, criando ao mesmo tempo a chegada e a espera.

Há palavras, como esta, que quando ressoam têm a capacidade de dar vida a um mundo, desenhar horizontes, evocar imagens e sentimentos, mas também medos e esperanças.

«Velai» ressoa no momento em que à nossa volta a natureza, exausta pelos frutos, adormece no sono do inverno e os dias vêem diminuir a luz e crescer a noite.

Não é por acaso que é nestes dias que a Igreja começa a liturgia do Advento, os dias mais escuros do ano e, portanto, dias de longa vigília.

São dias em que a luz é desejada e invocada mais do que nunca, até ao Natal, que, tradicionalmente, é o dia em que o sol e a sua luz voltam a vencer as trevas.

A nossa vida humana e espiritual, com os seus tempos e estações, com o seu ritmo quotidiano tão repetitivo e uniforme, na realidade forma um todo com o ritmo da natureza.

O ritmo humano e o ritmo cósmico, o ritmo do espírito e o ritmo da terra são uma só coisa, o que significa que a natureza não é o pano de fundo dos nossos dias, a natureza não vive apenas à nossa volta, mas vive connosco até viver em nós.

O Advento é tempo litúrgico porque está inscrito no livro da natureza tanto quanto está escrito no livro litúrgico.

Reconhecer o Advento em tudo o que há um sopro de vida significa compreender que em cada coisa há uma espera, cada ser contém em si mesmo um futuro, cada ser vivo espera uma chegada.

Em tudo isto está inscrita a espera de nós, cristãos, que invocamos aquele que vem, tornando-nos voz de toda a criatura: «Marana tha! Vem, Senhor Jesus!».

Humanos, animais, criaturas animadas e inanimadas, tudo e todos esperamos, tudo e todos gememos na espera. Nada nem ninguém está isento de espera.

Por isso, entrar no espírito do Advento não significa simplesmente entrar na Igreja para realizar ritos seculares, ouvir leituras bíblicas e orações antigas, mas, muito mais profundamente, significa aceder a uma dimensão do espírito que nos pertence. Não há vida plena onde não há capacidade e vontade de velar.

Presbítero Joseba Kamiruaga Mieza

 

MEDITAR

O advento é espera: este mundo carrega outro no seu ventre

No tempo de Noé, os homens comiam e bebiam ... e não davam conta de nada. Não perceberam que este mundo havia acabado. Os dias de Noé são os dias da superficialidade: "o vício supremo da nossa era" (R. Panikkar). O Advento que começa é antes um tempo para nos apercebermos. Para viver com atenção, tornando cada momento mais profundo.

A imagem condutora é Míriam de Nazaré, na espera do parto, grávida de Deus, grávida da Luz. Esperar, infinito do verbo amar. As mulheres, as mães, sabem nos seus corpos o que é esperar, conhecem-no por dentro. Advento é a vida que nasce, dizer que este mundo traz outro mundo no útero; hora de perceber, como gestantes, que sementes de vida crescem e sobem em nós.

Hora de olhar para cima e para mais longe. Também eu vivo dias como os de Noé, quando nem percebo quem se aproxima de casa e talvez tenha os olhos inchados, ou daqueles que me dirigem a palavra; dos cem homens naufragados em Lampedusa, deste planeta saqueado, de outro kamikaze em Bagdad.

É possível viver sem se aperceber dos rostos. E este é o dilúvio! Viver sem rostos: rostos de povos em guerra; de crianças vítimas de violência, fome, abuso, abandono; rostos de mulheres violadas, compradas, vendidas; rostos de exilados, refugiados, de migrantes em busca de sobrevivência e dignidade; rostos de prisioneiros nas infinitas prisões do mundo, de doentes, de trabalhadores precários, sem garantia nem esperança, roubados ao seu futuro; é possível, como então, comer e beber e não perceber nada.

Os dias de Noé são então os meus, quando esqueço que o segredo da minha vida está além de mim, sacio a fome do céu com grandes goles de terra e não sei mais sonhar.

Se o dono da casa soubesse a que horas chega o ladrão... sempre me preocupou a imagem do Senhor descrita como um ladrão da noite. Tento entender melhor: porque sei que Deus não é um ladrão de vida. Só de pensar nisso me parece uma blasfémia.

Deus vem, mas não é a morte o seu momento. Virá, já vem, na hora que não imaginam, que é agora, e surpreende-te onde não o esperam, no abraço de um amigo, numa criança que nasce, numa iluminação repentina, numa emoção de alegria que te invade sem saberes porquê. É um ladrão muito estranho: aumenta o que é humano, incrementa a humanidade, é uma intensificação da vida, o Natal.

Estejam prontos, porque na hora que não imaginam, vem o Filho do Homem. Estejam preparados não para o evitar, mas para não faltar ao encontro, a fim de não falhar o compromisso com um Deus que não vem como assaltante, mas como um dom, como Encarnação, "a ternura de Deus caída na terra como um beijo" (Benedetto Calati) .

Ermes Ronchi

 

INVESTIR NA PARTILHA

«Só é verdadeiramente nosso o que partilhamos.

Só nos pertence o que somos capazes de dar.

Nós habituámo-nos a falar de Ti, Deus da Vida e da Bondade, como o Criador e Senhor de Tudo; mas, muitas vezes, esquecemo-nos que isso significa que Tu nada reténs, nada guardas, nada possuis. Tudo em Ti é Dádiva e Generosidade, tudo é Liberdade e Graça.

És capaz de Criar, porque não és capaz de reter.

És capaz de tomar conta, porque não és capaz de tomar posse.

Quando queremos guardar e reter, tonamo-nos como buracos negros, que são o contrário de qualquer dinamismo criador.

Uma vez o Teu Jesus contou aquela parábola das moedas que um Senhor entregou aos seus servos antes de partir. O primeiro foi pôr a render as moedas que tinha recebido. O segundo fez igual. Mas o terceiro, cheio de medo, guardou num paninho e enterrou a moeda que tinha recebido. Quando chegou o seu Senhor, ele devolveu-lha assim mesmo, e o Senhor irritou-se. Porquê? Porque guardar daquela maneira significa que não recebeu desde o princípio! Não recebeu o Dom do Senhor… A prova é que não tratou aquela moeda como sua, mas a guardou como algo a devolver.

A vida também é assim, não é, meu Senhor e meu Dono?

Ou a gente a investe na partilha e na doação ou perceberemos - talvez tarde demais - que não é coisa que se possa devolver embrulhada na palma da mão.»

Rui Santiago, cssr, in Ora Vê

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

É nas pequenas coisas... 

 ...que o mundo nos mostra o que tem de mais verdadeiro. 

É nas pequenas coisas, 

que encontramos a grandeza da simplicidade. 

É nas pequenas coisas,

que a vida se revela inteira, mesmo quando parece fragmentada.

É nas pequenas coisas,

que reconhecemos o cuidado escondido nos detalhes. 

É nas pequenas coisas, 

que o silêncio nos abraça e o instante permanece.

É nas pequenas coisas,

que o propósito se semeia, 

Pois é, nas pequenas coisas, que o extraordinário floresce! 

Carla Correia


 

INFORMAÇÕES

 

5 PRIMEIROS SÁBADOS

O grupo de catequese da Ribeira Seca pretende fazer os 5 primeiros sábados do mês como pediu Nossa Senhora em Fátima para reparar as ofensas contra o seu Imaculado Coração. Vamos começar já no próximo mês a instruir as crianças nesta mensagem. Assim, a missa será às 17 horas antecedida do terço rezado pelas crianças.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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