Nº 1232

SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA
Santa Catarina de Alexandria nasceu no ano 287, em Alexandria, atual Egipto, foi criada como pagã, contudo Anania converteu-a dando-lhe uma ótima formação cristã. É uma das mais célebres mártires dos primeiros séculos, venerada pela Igreja Ortodoxa como uma grande mártir, e na Igreja Católica é reverenciada como um dos catorze Santos Auxiliadores.
Diz a lenda que o pai era Costes, rei de Alexandria. Aos 17 anos, Catarina era a mais bonita e a mais sábia das jovens de todo o império. Catarina anunciou que desejava casar-se, contando que fosse com um príncipe tão belo e tão sábio como ela. Esta segunda condição inibiu os pretendentes de se apresentarem perante ela.
O ermitão Ananias, que tinha revelações disse-lhe “Será a Virgem Maria que te procurará o noivo sonhado”. De facto, Maria aparece a Catarina na noite seguinte, trazendo o Menino Jesus pela mão. “Gostas tu d’Ele?”-perguntou Maria. “Oh, sim”-respondeu Catarina. “E tu, Jesus, gostas dela?”, “Não gosto, é muito feia”. Catarina foi logo ter com Ananias: “Ele acha que sou feia”, disse chorando. “Não é o teu corpo, é a tua alma orgulhosa que Lhe desagrada”, respondeu o eremita.
Este instruiu-a sobre as verdades da fé, batizou-a e tornou-a humilde; depois disso, tendo-a Jesus encontrado bela, a Virgem Santíssima colocou o anel no dedo dos dois; a este acontecimento, chamou-se o “casamento místico de Santa Catarina”.
Ansiosa de ir ter com o seu Esposo celestial, Catarina ficou pensando unicamente no martírio. Conta-se que ela apresentou-se em nome de Deus, diante do perseguidor, imperador Maximino, a fim de repreendê-lo por perseguir os cristãos, bem como para demonstrar a irracionalidade e inutilidade da religião pagã.
Santa Catarina, com sabedoria, e conduzida pelo Espírito Santo, conseguiu demonstrar a beleza do seguimento de Jesus na sua Igreja. Incapaz de lhe responder, Maximino reuniu para a confundir os 50 melhores filósofos da província, que, além de se contradizerem, curvaram-se para a Verdade e converteram-se ao Cristianismo, tudo isso para infelicidade do terrível imperador.
Maximino mandou os filósofos serem queimados vivos, assim como à sua mulher Augusta, o ajudante de campo Porfírio e os duzentos oficiais que, depois de ouvirem Catarina, se tinham proclamado cristãos. Após a morte desses, Santa Catarina foi provada na dor e aprovada por Deus no martírio, tendo sido sacrificada numa máquina com quatro rodas, armadas de pontas e de serras. Isto aconteceu por volta do ano 305.
Historiadores contam que o corpo de Santa Catarina foi levado pelos anjos ao Monte Sinai, onde, anos mais tarde, em honra à mártir, foi construído o Mosteiro de Santa Catarina por ordem do imperador bizantino Justiniano I.
A sabedoria que Catarina demonstrou leva-a a ser muitas vezes invocada pelos estudantes.
Santa Catarina é considerada padroeira dos estudantes, filósofos e professores.
MEDITAR
O Senhor está dentro da nossa dor
No Calvário, entre os três condenados à mesma tortura, Lucas coloca a sua última parábola sobre a misericórdia. Que começa na boca de um homem, na verdade de um delinquente, aquele que na sua impotência de levado à morte, exprime, dos espinhos da dor, o mel da compaixão pelo seu companheiro de cruz, Cristo.
E tenta defendê-lo nesse tumulto, e gostaria de protegê-lo do escárnio dos outros, com a última voz que tem: não vês que Ele também está na mesma dor que nós? Palavras como uma revelação para nós: mesmo na vida mais distorcida vive uma migalha de bondade; nenhuma vida, nenhum homem sem um pingo de luz.
Um assassino é o primeiro a meter em circuito o sentimento de bondade, é ele quem abre a porta, quem oferece uma ajuda, e Jesus entra naquele reino de ordinária, extraordinária humanidade. Não veem que Ele sofre connosco? Uma grande definição de Deus: Deus está dentro do nosso sofrimento, crucificado em todos os infinitos crucifixos da história, navega neste rio de lágrimas.
A vida dele é a nossa vida, um só rio. “Tu és um Deus que sofre no coração do homem” (Turoldo). Um Deus que entra na morte porque todos os seus filhos entram nela. Para estar com eles e como eles. O primeiro dever de quem ama é estar junto de quem ama.
Ele nada fez de errado. Que bela definição de Jesus, clara, simples, perfeita: nada de mal, para ninguém, nunca. Só bem, exclusivamente bem. Nos patíbulos, perante a morte, estabelece-se uma comunhão mais forte que o tormento, um momento humaníssimo e sublime: Deus e o homem apoiam-se um no outro. E o ladrão que ofereceu compaixão agora recebe compaixão: lembra-te de mim quando estiveres no teu reino.
Jesus não apenas se lembrará, mas o levará consigo: hoje estarás comigo no paraíso. Como um pastor que carrega nos ombros a ovelha perdida, para que a volta a casa seja mais fácil, mais leve . “Lembra-te de mim” pede o pecador, “estarás comigo” responde o amor.
Síntese extrema de todas as orações possíveis. Lembra-te de mim, pede o medo, estarás comigo, responde o amor. Não só a lembrança, mas o abraço que aperta e une e não deixa cair nunca: “comigo, para sempre”. As últimas palavras de Cristo na cruz são três palavras de príncipe, três éditos reais, como verdadeiro rei do universo: hoje-comigo-no paraíso.
O nosso Jesus, o nosso idealista irredutível, de um idealismo selvagem e indómito! A morte está sobre ele, a morte dentro dele, e pensa na vida, para aquele filho de Caim e do amor que escorre sangue e medo ao lado dele. É derrotado e pensa na vitória, num hoje comigo, um hoje de luz e comunhão. E já é Páscoa.
Ermes Ronchi
Estar presente ou ser presente?
Começámos cedo demais a ser reféns da época natalícia. Ainda nem tinham sido assadas as primeiras castanhas e já estávamos a ser bombardeados com acessórios de toda a espécie e feitio. Quase como se houvesse uma intrusão e um desnorte que nos provoca desorientação e incompreensão.
Que tempos são estes em que vivemos presos a um futuro que nem sabemos se chega? Que forma de estar é esta que nos obriga a viver dois passos à frente e a condenar sistematicamente o momento presente?
Queixamo-nos depois de que as crianças estão ansiosas. Preocupadas. Que dormem mal e que não conseguem descansar. Não há grandes hipóteses de que aconteça o contrário quando nós, os ditos adultos orientadores deste “carrossel”, embarcamos nestas antecipações com tão pouco sentido.
Vivemos para o futuro. E isso não tem de ser necessariamente mau, obviamente. É necessário, e prudente, pensar no que pode vir. No que nos pode bater à porta ou nos imprevistos que podem vir alojar-se nos nossos dias. Mas viver de futuro, somente, não traz paz a ninguém. Traz destabilização. Incoerência. Pressa pouco legitimada.
Para quê querer viver o que ainda não chegou?
Para quê antecipar o Natal e vesti-lo de um consumismo que nada rima com as origens da dita época?
Que sentido estamos a dar ao nosso dia-a-dia se não estamos mergulhados nele?
Estamos a viver, de facto? Ou a voar sobre os dias como quem não quer saber ou descobrir o que anda cá a fazer?
Uma coisa de cada vez e tudo a seu tempo.
O tempo de cada coisa não se ultrapassa por querermos vivê-la antes de tempo.
O Natal só o é quando chegar.
Viver tudo antes do tempo é, quase sempre, tempo profundamente perdido.
Já dizia Chiara Petrillo “apenas vivendo o hoje é possível enfrentar a vida”.
PENSAMENTO DA SEMANA
A REVOLUÇÃO DE JESUS CRISTO
Derrubar as muralhas do egoísmo,
criar um coração novo,
mudar os motivos e critérios do homem,
trabalhar pelos outros
com o mesmo interesse com que trabalharia para mim mesmo,
despreocupar-me de mim mesmo para me preocupar com os outros,
adquirir a capacidade de perdoar e compreender...
Tudo isso é tarefa de séculos e milénios.
É essa a grande revolução de Jesus Cristo.
Ignacio Larrañaga, in O Sentido da Vida
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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