Nº 1227

 

Não apontem dedos. Apontem caminhos.

Volta e meia deparamo-nos com obstáculos, dificuldades e problemas difíceis de resolver que poem à prova a nossa capacidade de superação.

Gosto de olhar para os problemas como oportunidades, mas confesso, que nem sempre é fácil.

Quando fazemos parte de um grupo ou comunidade somos impelidos a dar sugestões para resolver situações mais difíceis e às vezes focamo-nos tanto no problema que não vemos as oportunidades. Eu sei que nem sempre é fácil sermos iluminados com ideias inovadoras e com caminhos de sucesso, eu sei, mas nem sempre nos esforçamos o suficiente.

Apontamos os dedos a tudo e todos, e muitas  vezes temos razão, mas isso não nos distrai do essencial?

Gostamos de atribuir culpados, seja uma pessoa ou um sistema, mas quantas vezes nos damos ao trabalho de pensar num caminho alternativo?

Pensar dar trabalho, dar opinião às vezes é perigoso e assumir um caminho é arriscado.

Eu sei, que nem sempre é fácil, aliás acho que na maioria das vezes é mesmo muito difícil. É mais fácil sermos juízes e definir culpados do que apresentar uma solução alternativa. Dirás tu, querida amiga: "falar para quem não quer ouvir?" Também é verdade que nem sempre encontramos quem compreenda as nossas ideias e as faça crescer, outros aguardam que corram mal para apontarem dedos, mas vá lá, para um pouco e pensa bem para onde queres apontar o dedo. 

Na dúvida, reza, pede inspiração, estuda mais o caso e apresenta o teu caminho. E se não tiveres caminho para apresentar, escuta com atenção quem o tem, ou então inspira os outros a ter essa ideia. Sim, porque sabes que há pessoas inspiradoras que apenas precisam de sentir um incentivo ou apelo ao processo de mudança e, quem sabe, não és tu a desencadear isso.

Por isso, querida amiga, da próxima vez que apontares, que sejam caminhos.

Raquel Rodrigues

 

MEDITAR

Como é possível orar sempre?

Então disse uma parábola sobre a necessidade de orar sempre, sem nunca se cansar. Essas “sempre e nunca”, palavras infinitas e definitivas, parecem uma missão impossível. No entanto, alguém conseguiu: "No fim de sua vida, o irmão Francisco não rezou mais, tornou-se ele próprio uma oração" (Tomás de Celano).

Mas como é possível trabalhar, conhecer, estudar, comer, dormir e orar ao mesmo tempo? Devemos entender: orar não significa dizer orações; orar sempre não significa repetir fórmulas sem parar. O próprio Jesus advertiu-nos: "Quando orarem, não multipliquem as palavras, o Pai sabe ..." (Mt 6: 7).

Um mestre espiritual dos monges antigos, Evágrio o Pôntico, assegura-nos: "Não fiques satisfeitos com o número de salmos que recitaste: lança um véu sobre o teu coração. Vale mais uma só palavra na intimidade, do que mil ficando longe ". Intimidade: orar às vezes é apenas sentir uma voz misteriosa que como sussurra no teu ouvido: amo-te, amo-te, amo-te. E tentar responder.

Orar é como querer bem e é sempre tempo para querer bem: se amas alguém, ama-lo dia e noite, sem parar. Basta só que evoques o nome e o rosto de alguém, e de ti alguma coisa se põe a caminho em direção a essa pessoa. Assim é com Deus: pensa n’Ele, chama-O, e viajas para a morada do eterno: "O desejo sempre reza, mesmo que a língua se cale. Se desejas sempre, sempre rezas "(Santo Agostinho).

O teu desejo de oração já é oração, não é preciso estar sempre a pensar nisso. A mulher grávida, mesmo que não pense continuamente na criatura que nela vive, torna-se cada vez mais mãe a cada batida do coração. O Evangelho leva-nos então à escola de oração de uma viúva, uma bela figura de mulher, forte e digna, anónima e inesquecível, indomável diante do abuso.

Havia um juiz corrupto. E uma viúva procurava-o todos os dias e perguntava: “Faz-me justiça contra o meu adversário!" Uma mulher que não se rende revela-nos que a oração é um protesto ao “assim são as coisas”, é mesmo o primeiro vagido de uma história recém-nascida: a oração muda o mundo mudando os corações.

Aqui Deus não é representado pelo juiz da parábola; pelo contrário vamos encontra-lo na pobre viúva, que é a carne de Deus na qual Ele clama a fome de justiça.

Para quê orar? É como perguntar: para quê respirar? Para viver! No final, orar é tão fácil como respirar. “Respirem sempre Cristo", a última pérola do abade António para seus monges, porque Ele está à nossa volta. "N’Ele vivemos, nos movemos e existimos" (Atos 17:28). Então a oração é tão fácil quanto respirar, tão simples e vital quanto respirar o próprio ar de Deus

Ermes Ronchi

 Catequese não é um depósito de filhos.

Muitos pais inscrevem os filhos na catequese mas nunca aparecem na Igreja, não rezam em casa, não vivem nada em família que fale de Deus. Como esperar que a fé floresça se a semente nunca é regada?

A catequese não é um curso rápido nem um ritual de passagem para “despachar sacramentos”. É vida. É encontro. É experiência de comunidade. Se os pais não participam, se não mostram com gestos e escolhas que Deus é importante, como podem os filhos acreditar que Ele é essencial?

A primeira catequese é em casa. Num simples Pai-Nosso antes da refeição. Num “obrigado Senhor” antes de dormir.

O domingo não é só descanso. É o dia em que a família inteira é chamada a celebrar a vida na Eucaristia.

Os filhos precisam ver fé vivida nos pais — mais do que ouvir palavras sobre fé nos catequistas.

Pais, a catequese não funciona sozinha. É como fogo: se não encontra lenha em casa, apaga-se. Se não encontra testemunho, torna-se apenas rotina.

Se querem que os vossos filhos tenham fé, deixem que a vossa fé seja visível. A catequese começa convosco, continua na comunidade e floresce na Eucaristia.

 In Fraternitas

 

A beleza do desapego...

Ver a beleza do desapego... é algo difícil. 

Somos seres apegados a tudo o que nos rodeia: sítios, coisas, pessoas, lembranças, rotinas. 

Apegamo-nos até mesmo a ideias sobre quem somos. 

Apegamo-nos ao que conhecemos, pois o desconhecido por vezes assusta.
Queremos prender os ciclos efémeros da natureza. Mas a vida é movimento. Um movimento profundo de aprendizagem e transformação. 

Há um convite de leveza e harmonia no desapego. Um convite em aceitar a beleza de cada instante. Um convite em experimentar a humildade da existência. 

Há um convite de fé e de esperança, em cada acolher de mãos abertas. 

O desapego pode ser a prova mais subtil da consciência humana, e também, a mais libertadora.

O desapego deixa o convite de habitarmos a vida e confiar no seu fluxo invisível de amor. 

Carla Correia

 


 INFORMAÇÕES

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Festa de Nossa Sr.ª da Boa Viagem - Portal - 1.200,00€.

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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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