Nº 1224

 

A ARTE DE ESCUTAR

«É curioso como algo tão simples e natural como escutar se tornou hoje em dia uma verdadeira habilidade social.

Todos conhecemos aquela pessoa especial nas nossas vidas que realmente sabe escutar, porque é a primeira em quem pensamos quando precisamos partilhar algo que nos preocupa.

Talvez me engane, mas aposto que essa pessoa ocupa um lugar único e sagrado no nosso coração — um lugar de acolhimento e conforto, onde não há medo de ser julgado e reina a liberdade completa para sermos nós mesmos.

Porque escutar implica uma generosidade tão profunda, que a grande maioria de nós não tem consciência disso. Quando falo de generosidade, refiro-me a não impor a nossa visão do mundo nem oferecer conselhos não pedidos; trata-se de dar espaço para que o outro se possa expressar livremente, oferecendo a nossa presença como um refúgio seguro onde possa encontrar as suas próprias respostas.

Escutar é guiar, e guiar não significa resolver problemas, mas sim acompanhar com respeito e presença. Nos bons e maus momentos, nas alegrias e nas tristezas, escutar é um dos mais profundos atos de amor que existem neste mundo.

Que possamos sempre mostrar a nossa gratidão a todos aqueles que, como dizia Jesus, deixam tudo para se porem ao serviço dos outros.»

Pau Company, in Pastoral SJ

 

MEDITAR

Cuidado com o invisível. Aí se refugia o eterno.

História de um homem rico, um mendigo e um "grande abismo" cavado entre as pessoas. O que escava o fosso e nos separa? Como ultrapassá-lo? História da qual emerge o princípio ético e moral decisivo: cuidar do humano contra o inumano.

Primeiro tempo: dois protagonistas que se cruzam e não se falam, um está vestido de chagas, o outro de púrpura; um vive como um nababo, numa casa luxuosa, o outro está doente, mora na rua, disputa algumas migalhas com os cães. É este o mundo que Deus sonhou para os seus filhos? Um Deus que nunca é mencionado na parábola, mas que está lá: não vive na luz, mas nas feridas de um homem pobre; não há lugar para ele dentro do palácio, porque Deus não está presente onde está ausente o coração.

Talvez o rico seja mesmo um devoto e ore: “Ó Deus, inclina o ouvido à minha súplica”, enquanto fica surdo ao lamento dos pobres. Desvia-se deles como se faz com uma poça de água. Aproximar-se, tocá-lo, nem pensar: o pobre é invisível para quem perdeu os olhos do coração. Quantos invisíveis nas nossas cidades, nos nossos países! Atenção ao invisível, aí se refugia o eterno.

O rico não prejudica Lázaro, não lhe faz mal. Faz ainda pior: não o faz existir, redu-lo a uma recusa, a um nada. Matou-o no seu coração. "O verdadeiro inimigo da fé é o narcisismo, não o ateísmo" (K. Doria). Para Narciso ninguém existe. Em vez disso, um samaritano que viajava deu por ele, teve pena, desceu do cavalo, curvou-se sobre aquele homem meio morto.

Ver, emocionar-se, descer, tocar, verbos muito humanos, os primeiros para que nossa terra seja habitada não pela ferocidade, mas pela ternura. Quem não acolhe o outro, na realidade isola-se, é a primeira vítima do “grande abismo”, da exclusão.

Segundo tempo: os pobres e os ricos morrem, e a parábola coloca-os nos antípodas, como já o eram na terra. «Peço-te, Pai Abraão, manda Lázaro com uma gota de água na ponta do dedo». Uma gota para atravessar o abismo.

O que te custa, Pai Abraão, um pequeno milagre! Uma palavra só para os meus cinco irmãos! Mas não, porque não é a volta de um morto que vai converter alguém, é a vida e os vivos.

Não são os milagres que mudam a nossa trajetória, nem as aparições ou os sinais, a terra já está cheia de milagres, cheia de profetas: Eles têm os profetas, escutem-nos; têm o Evangelho, ouçam-no!

Mais ainda: a terra está cheia de pobres Lázaros, escutem-nos, olhem para eles, toquem-nos. "O primeiro milagre é dar-se conta que o outro existe" (S. Weil). Não há acontecimento sobrenatural que valha o clamor dos pobres. Ou o seu silêncio.

O cuidado das criaturas é a única medida da eternidade.

Ermes Ronchi

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Senhor, eu aprenderei também a ajoelhar-me

no mundo do invisível

do inescrutável e do eterno.

Então, não me moverei mais do que as folhas de uma árvore

num dia sem vento e

banhado de luz,

como o vagabundo que, finalmente, chega a casa

e se ajoelha em paz, despojado das coisas desnecessárias;

de todo o movimento; até de palavras.

 

Mary Oliver, in Sede


 

INFORMAÇÕES

ABERTURA DO ANO DE CATEQUESE

A abertura do ano de catequese para toda a ilha de São Jorge,  será no próximo sábado, dia 4 de outubro, na Paróquia da Ribeira Seca.

O Programa do Jubileu;

10h00 - Acolhimento, junto à Ermida do Solar dos Noronhas donde sairá uma procissão até à Igreja, com a Imagem do Senhor Santo Cristo da Caldeira e Via Sacra;

11h00 - Missa na Igreja;

12h00 - Almoço Partilhado;

13h30 – Atividades.

Haverá autocarros a sair dos vários pontos da Ilha:

Autocarro 1 - Rosais, Santo Amaro, Urzelina, Manadas, Biscoitos e Calheta

Autocarro 2 – Velas, Beira e Nortes.

Autocarro 3 – Topo.

Nota: Os autocarros saem às 9h00.

REUNIÃO DE PAIS

Haverá uma reunião para os pais que têm  os seus filhos a frequentar a catequese  nos seguintes dias:

Dia 29 de Setembro - Biscoitos às 18h30 na Igreja.

Dia 30 de Setembro - Calheta às 18h30 na Igreja.

Dia 1 de Outubro - Ribeira Seca às 18 horas na Igreja.

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO - RIBEIRA SECA

Tríduo - dias 1, 2 e 3 de outubro, missa às 19 horas.

Confissões - Quinta-feira, 2 de outubro, das 18 horas às 19 horas.

Dia 3 às 19 horas, missa com a presença do Sr. Santo Cristo da Caldeira, a seguir à missa Exposição do Santíssimo até às 21 horas. A Igreja estará aberta até às 22 horas.

Festa - dia 5 de outubro com Eucaristia às 14 horas seguida de procissão.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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