Nº 1219

 

O que devemos pedir a Deus?

É importante saber, antes de tudo, que devemos reconhecer, valorizar e agradecer tudo quanto temos de bom – aquilo que, muitas vezes, nos chegou sob a forma de milagre discreto. É comum que as pessoas só reconheçam as graças recebidas quando, por alguma razão, as perdem.

Será que sabemos mesmo o que queremos ou será que podemos estar enganados em relação àquilo que mais nos pode beneficiar? O que desejamos é, de facto, o que precisamos? Será que aceitamos que muito do que queremos pode, na verdade, não nos fazer bem?

E se, por alguma razão, nos chegar o que desejamos mas não é bom? Saberemos lidar com isso? E se nos for dado o que mais precisamos, seremos capazes de o aceitar e agradecer ou, porque não é o que queríamos, iremos rejeitá-lo e ainda nos queixaremos do que julgamos ser mais um golpe da nossa má sorte?

Algo que devemos sempre pedir a Deus é juízo para compreender a nossa vida e o que nos cabe fazer em relação a cada uma das suas dimensões. O discernimento é um dos dons da sabedoria. De pouco serve saber muitas coisas, feliz e sábio é quem sabe o que é o mais importante.

A felicidade depende da sensatez! Quantos não andam infelizes só porque não sabem que bastaria mudar o seu olhar sobre a sua própria existência para que se enchessem da mais pura e luminosa alegria?

Peçamos a Deus juízo, discernimento ou sensatez – ou como quer que chamemos a essa capacidade de ver a realidade como ela é!

 

José Luís Nunes Martins

MEDITAR

 

Essa porta "estreita" para nos abrir ao essencial

Jesus está a caminho da cidade onde morrem os profetas. No caminho, alguém faz-Lhe uma pergunta sobre a salvação: de Jerusalém e de todos. Tremor e ansiedade na voz dos que perguntam. E Jesus responde com igual cuidado: haverá salvação, mas não será fácil. E usa a imagem da porta estreita. Um adjetivo que nos inquieta, porque "estreito" evoca para nós trabalhos e dificuldades.

Mas todo o Evangelho é portador não de enlutados, mas de boas novas: a porta é estreita, isto é, pequena, assim como o são os pequeninos e as crianças e os pobres que se tornarão as bases do Reino de Deus; é estreita, mas à escala humana, de um homem nu para o essencial, que deixou tudo o que o incha: papéis, carteiras atafulhadas, a lista de méritos, a bagagem inútil, o supérfluo; a porta é estreita, mas está aberta.

O ensinamento é claro: tornem-se pequenos e a porta far-se-á grande. Quando o dono da casa fechar a porta, ireis bater: Senhor, abri. E ele: Não sei de onde são, não vos conheço. Tendes credenciais falsas. Aqueles que se aglomeram para entrar vangloriam-se de coisas que importam pouco: comemos e bebemos contigo, estávamos nas praças para Te escutar. Mas isso só pode ser um álibi conveniente. "Quando é a verdadeira fé e quando é apenas religião? A verdadeira fé é quando te fazes a ti mesmo à medida de Deus; a simples religião é quando fazes Deus à tua medida "(Turoldo).

Comemos na Tua presença ... Não basta comer o pão que é Jesus, partido para nós, devemo-nos fazer pão, partido para a fome dos outros. Afastem-se de mim, todos vós causadores da injustiça. Não vos conheço. O reconhecimento está na justiça ativa.

Deus não te reconhece por fórmulas, ritos ou símbolos religiosos, mas porque tens as mãos da justiça. Não te reconhece porque fazes coisas para Ele, mas porque com Ele e como Ele fazes coisas para os pequenos e os pobres. Não sei de onde são: a vossa maneira de ver está muito longe da minha, vêm de um mundo diferente do meu, de outro planeta. De facto, aqueles que batem na porta fechada fizeram coisas para Deus, mas nenhum gesto de justiça para os irmãos.

A conclusão da pequena parábola é cheia de surpresas: a sala está cheia, para além daquela porta Jesus imagina uma festa multicolorida: virão do leste e do oeste, do norte e do sul do mundo sentar-se à mesa. A ideia da porta estreita como uma porta só para alguns, apenas para os melhores é dissipada. Todos podem passar pela misericórdia de Deus.

O seu sonho é fazer surgir filhos de toda parte, para uma dádiva de felicidade, para uma vida plena. Recolhe-os de todos os cantos do mundo, imigrantes clandestinos do reino, chegados por último e por Ele considerados os primeiros.

Ermes Ronchi

 

O que é a «Consciência»?

Há algo em nós que observa tudo. Não fala alto, mas está sempre lá - um sussurro que escuta, que sente, que pesa. A consciência. Essa presença íntima, quase invisível, que mora entre o que somos e o que mostramos.

Ela desperta no silêncio dos nossos pensamentos, nas pausas entre as decisões, na dúvida antes da palavra dita ou escrita. Às vezes parece leve, como um afago que nos guia com ternura. Noutras, pesa como pedra no peito, lembrando-nos do que tentamos esquecer ou fingir que não vemos. A consciência não se cala facilmente. Ela insiste. Espera. Persiste.

É aquela voz que não engana, mesmo quando tudo ao redor parece justificar os nossos deslizes. Ela não julga - apenas mostra. Ilumina aquilo que preferiríamos deixar no escuro. E, nessa luz, temos duas escolhas: encarar ou fugir. Mas fugir da consciência é tentar escapar de si. E ninguém consegue correr da própria sombra.

Há momentos em que ela nos salva. Quando tudo parece ruir, é a consciência que nos reconecta ao que é verdadeiro. Ela sabe o que, lá no fundo, já sabíamos. Ela não precisa de provas, nem de testemunhas. Basta existir.

Ser consciente não é estar certo o tempo todo. É ter coragem de olhar para dentro, mesmo quando dói. É aceitar que somos imperfeitos, mas ainda assim responsáveis. É fazer perguntas difíceis, mesmo sem garantia de resposta.

A consciência é o espelho mais honesto. E talvez, por isso, seja também o mais temido. Mas é nela que mora a liberdade — não a liberdade de fazer tudo, mas a de ser inteiro. De viver em paz com aquilo que ninguém vê, mas que sabemos. E saber, às vezes, é tudo.

 

Helena Sacadura Cabral

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Ver com o coração

 

Serenar toda a correria. Silenciar todo o ruído, por dentro e por fora. Para respirar, para sentir, para ver com o coração.

Voltar a olhar e deixarmo-nos tocar pelas coisas mais bonitas.

 

Aqueles abraços que nos fazem sentir em casa.

Aquelas mãos que nos seguram.

Aqueles olhares em cheio na alma.

Aqueles sorrisos que nos abraçam.

Aqueles colos que são refúgio.

Aquelas palavras (e aqueles silêncios) que nos falam ao coração.

Aquelas companhias que nos curam.

Aquelas pessoas que tanto nos querem bem.

Aqueles momentos que nos fazem sorrir.

Aqueles gestos que reacendem em nós a chama da esperança.

 

Nem sempre as coisas mais bonitas fazem barulho ou fogo-de-artifício.

Às vezes, é só um sopro de amor que passa e que nos salva o dia (e que nos salva do dia).

Talvez precisemos de (re)aprender a ler a poesia das coisas simples. E de (re)aprender a ver a vida com o coração.

Daniela Barreira

 


 INFORMAÇÕES

FESTA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO - LOURALTríduo: 27, 28 e 29 de agosto missa às 19h00.

Missa de Festa: 31 de agosto às 13h00 seguindo-se a procissão.

 

BAZAR ERMIDA BOM JESUS

Todas as pessoas que quiserem colaborar com donativos para o Bazar da Ermida do Bom Jesus da Fajã Grande, favor entregar os prémios à Vera Paiva ou à Susana Paiva.

A Festa do Bom Jesus será nos dias 24 a 28 de setembro.


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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