Nº 1218

 

A preparar o fim de férias

Parece estranho que ainda nem fui de férias e já estou a pensar no fim delas. Passamos o ano todo a desejar férias e depositamos nesses dias todas as “fichas” da nossa felicidade. Esperamos que esse intervalo nos sossegue, acalme e nos dê animo para as lutas que se avizinham. E geralmente isso acontece, pois permitimo-nos a cortar rotinas e a ter tempo para fazer o que apetece.

Mas nem sempre é assim. Nem sempre fazemos o que nos apetece, sem sempre somos felizes nas férias e nem sempre “corre tudo bem”. Mas férias são férias, mesmo que chova, ou que tenhas que ficar em casa doente… são férias e só essa expressão muda completamente a nossa forma de estar.

Quando começam a chegar as férias, começamos a adiar tudo para depois… “depois das férias vejo isso e penso nisso”. Que bem que sabe! Geralmente o fim de férias implica o início de mais um ciclo da nossa vida. Seja o arranque do ano escolar, seja um novo desafio no trabalho, um novo projeto na comunidade, seja o que for, começa quando acabam as férias. E retoma tudo à rotina com a ideia de que as férias fizeram toda a diferença e que “agora é que é”.

Mas nem sempre é assim, pelo que acho que devemos preparar as férias a começar do fim. Como me quero sentir quando acabar as férias? Uns dirão que não querem fazer nada e que optam por ficar no “dolce fare niente”. Para outros as férias é uma canseira feliz, pois desdobram-se em passeios, visitas, jantares e a fazer coisas que só se podem dar ao luxo nessas ocasiões.

Seja como for, devemos começar as férias a pensar no que gostaríamos de fazer e o que poderemos fazer, mas com uma boa dose de criatividade e realismo para que as nossas expectativas não frustrem o bom que esses dias nos podem oferecer. Sim, porque nem sempre o que desejamos é concretizável. Talvez pudéssemos pensar, “o que gostaria de sentir nestas férias?” e a partir daí fazer a nossa procura pessoal.

Será desse sentimento que partirão à aventura, mas sem pôr demasiada pressão nesses dias que representam pouco mais que 5% do teu ano de trabalho, ou seja, vale o que vale. Que sejam umas boas férias, sejam grandes ou pequenas, agitadas ou serenas, mas que sejam à tua imagem, pois MERECES! No fim das férias falamos.

Raquel Rodrigues

 

MEDITAR

Chamados para manter o ardor do fogo

Fogo e divisão vieram para ficar. Evangelho dramático, duro e pensativo. Mas belíssimo. Textos escritos sob o fogo da primeira perseguição violenta contra os cristãos, quando os discípulos de Jesus se encontram subitamente excomungados pela instituição judaica e, como tal, punidos com a prisão e a morte. Um golpe terrível para as primeiras comunidades da Palestina, onde eram todos judeus, onde as famílias se começam a dividir em torno de fogo e da espada, o escândalo da cruz de Cristo.

Eu vim para deitar fogo à terra. O fogo é um símbolo altíssimo, no qual se resumem todos os outros símbolos de Deus, é a primeira lembrança na história do Êxodo da sua presença: uma chama que queima e não consome no Sinai; ardor do coração como para os discípulos de Emaús; fogo queimando dentro dos ossos para o profeta Jeremias; línguas de fogo no Pentecostes; selo final do Cântico dos Cânticos: as suas chamas são chamas de fogo, um agulhão flamejante de Deus é amor.

Vim para revelar Deus, a verdadeira face de Deus na terra. Com a alta temperatura moral em que ocorrem as verdadeiras revoluções.

Pensam que vim trazer a paz? Não, digo-vos, mas divisão. A paz não é neutralidade, mediocridade, equilíbrio entre o bem e o mal. “Acreditar é entrar em conflito” (David Turoldo). Talvez o ponto mais difícil e profundo da promessa messiânica de paz: não virá como uma plenitude repentina, mas como uma luta e conquista, um terreno de conflito, na verdade será escrita com o alfabeto das feridas gravadas numa carne inocente, um tenro cordeiro crucificado.

Jesus foi o primeiro a ser sinal de contradição ao longo da sua vida, "para queda e ressurreição de muitos" (Lc 2,34). Conhecia, como os antigos profetas, a misteriosa bem-aventurança dos adversários, daqueles que se opõem a tudo o que fere a história e os filhos de Deus. A sua pregação não tranquilizava a consciência de ninguém, sacudia-a de uma falsa paz aparente, despedaçada por um modo mais verdadeiro de entender a vida.

A escolha de quem perdoa, de quem não se apega ao dinheiro, de quem não quer dominar mas servir, de quem não se quer vingar, de quem abre os braços e a casa, torna-se precisamente, inevitavelmente, divisão, guerra, colisão com quem pensa em se vingar, em se erguer e dominar, com quem pensa que a verdadeira vida é só aquela dos que vencem.

Como Jesus, também nós somos enviados a usar a nossa inteligência não para venerar o calor das cinzas, mas para guardar o ardor do fogo (G. Mahler), somos um punhado, um punhado de calor e luz lançado à face da terra, não para deslumbrar, mas para iluminar e aquecer aquela parte do mundo que está confiada aos nossos cuidados.

Ermes Ronchi

 

Ser. Confiar. Permanecer

"O amor - como a arte ou a meditação - é pura e simplesmente confiança. E prática, evidentemente, porque também a confiança se exercita.

A meditação é uma disciplina para fazer crescer a confiança. Uma pessoa senta-se e que faz? Confia. A meditação é uma prática da espera.

Quanto mais se medita, maior é a capacidade de perceção e mais fina a sensibilidade... O olhar limpa-se e começa-se a ver a cor verdadeira das coisas. O ouvido apura-se até aos limites insuspeitos e começa-se a ouvir o verdadeiro som do mundo.

Normalmente vivemos dispersos, quer dizer, fora de nós. A meditação concentra-nos, devolve-nos a casa, ensina-nos a conviver com o nosso ser. Sem essa convivência connosco mesmos, sem esse estarmos centrados no que realmente somos, parece-me ser muito difícil, para não dizer impossível, uma vida que se possa qualificar de humana e digna.

Graças à meditação, aprende-se a não querer ir a nenhum lugar diferente daquele em que se está; quer-se estar onde se está, mas plenamente."

Pablo D'ors, In "Biografia do Silêncio"

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Nossa Senhora da Assunção

«Bendita és tu entre as mulheres

e bendito é o fruto do teu ventre.»

 

Maria…

Foste Assumpta ao Céu em Corpo e Alma.

És dogma de Fé.

Eu Creio Senhora!

Creio que és força para os que estão tristes.

Creio que és coragem para os que habitam nas trevas.

Creio que és Luz para os que se perdem no caminho.

Creio que és Inquietação para os que permanecem na inércia perante a maldade.

Creio que és Esperança para os que sofrem no corpo com a guerra.

Creio que és Paz para os Espíritos confusos.

Eu Creio em Ti, Senhora da Assunção!

 

Liliana Dinis


 

INFORMAÇÕES

25º Aniversário

A Comissão da Paróquia de São Tiago da Ribeira Seca convida toda a comunidade a participar na missa de homenagem pelo 25º aniversário do falecimento do Padre António Tavares no dia 19 de agosto, terça feira, pelas 20 horas na Igreja Paroquial da Ribeira Seca.

 

FORMAÇÃO

“O Município de Velas pede para informar a todos os interessados que decorrerá entre os dias 08 de setembro e 08 de outubro, às segundas, terças, quartas, sextas e sábados, na Casa Museu Cunha da Silveira, uma formação de renda de bilros, com rendeiras de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil, recuperando assim uma tradição da Nossa Terra. As inscrições são limitadas e até dia 31 de agosto, para o número 295 432 364 ou para o email centro.artesanato@adisj.pt. O Município de Velas também divulgará esta informação nas suas redes sociais e site oficial.”


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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