Nº 1217

 

A graça de ser livre

Pai Nosso

Que nos enviaste Jesus para caminhar à nossa frente,

A Ti oferecemos as nossas orações na esperança de santificar o Teu nome. Guia as nossas ações para que sejam expressão da Tua vontade e deem testemunho da Tua bondade, misericórdia e amor. Que cada um dos nossos gestos seja para a Tua maior glória.

Dá-nos a graça de viver com desapego de tudo o que nos torna dessemelhantes a ti. Apenas assim podemos ser verdadeiramente livres para fazer, em cada decisão que tomamos, o que sonhaste para cada um de nós. Ao beber do cálice da paixão por amor a Ti e aos que lhe confiaste, Jesus ensinou-nos a aceitar a nossa cruz com a mesma entrega, obediência e confiança.

Nos 4 cantos deste mundo, que afinal é redondo, milhões de cristãos e pessoas de boa fé clamam novamente por Ti, como outrora no Egito. Como endureceram os nossos corações desde então.

Pedimos-Te o pão de cada dia, mas nem sempre alimentamos quem mais precisa dele. E são tantos!!!

Tem misericórdia de nós e não Te canses de nos perdoar porque não sabemos o que fazemos (cf. Lc 22, 34). Perdoa-nos pelos calvários que infligimos aos outros, pelo vinagre que jocosos lhes damos a beber e pelo sangue que desumanamente derramamos (cf. Jo 19, 29-34).

Perdoa-nos porque enquanto vivermos agarrados aos três ‘Rs’ - raiva, ressentimento e rancor - não seremos livres para perdoar os que nos têm ofendido.

Saber perdoar como nos perdoas parece-nos tantas vezes absurdo porque estamos enredados no novelo da lógica de uma justiça que não é a Tua.

Renova com o Teu sopro de Vida a vida em nós para que possamos, com um coração novo, amar como Jesus nos amou, dando a vida pelos seus amigos na cruz (cf. Jo 15,13).

Não nos deixes cair na tentação de julgar como doutores da Lei e fariseus hipócritas (cf. Mt 23, 13-15), da maledicência que humilha e exclui ou da sede de fama e reconhecimento do que faz a nossa mão esquerda (cf. Mt 6, 3-4).

Mas ensina-nos a rezar de joelhos como o publicano (cf. Lc 18, 9-14) e a dar tudo o que temos como a viúva que deu 2 moedas (cf. Lc 21, 2-4).

Ámen.

Raquel Dias

 

MEDITAR

O serviço é a chave para entrar no Reino

O único pano de fundo sobre o qual se destacam as três parábolas (os servos que esperam o seu senhor, o administrador encarregado do pessoal, o dono de casa que faz a vigilância) é a noite, símbolo do cansaço de viver, da amarga notícia do dia, de todos os medos que saem das trevas da alma, na ânsia pela luz. É dentro da noite, no seu longo silêncio, que muitas vezes compreendemos o que é essencial para a nossa vida.

À noite tornamo-nos crentes, buscadores de sentido, adivinhos de luz. A outra trama em que as parábolas são tecidas é o termo "servo", a autodefinição mais desconcertante que é dada de si mesmo. Os servos da casa, mas ainda mais um senhor que se faz servo dos seus empregados, mostram-nos que a chave para entrar no reino é o serviço.

A ideia-chave do novo mundo está na coragem de cuidar. Embora seja noite. Não podemos nem começar a falar de ética, muito menos do Reino de Deus, se não sentimos um sentimento de cuidado por alguma coisa.

À noite, os criados esperam. Ficar acordado até o amanhecer, com a roupa de trabalho, as lâmpadas sempre acesas, como no limiar de um novo êxodo (cf Ex 12.11) é “mais um”, um excedente gratuito que tem o poder de encantar o mestre.

E pareço ouvir a sua voz exclamar alegremente em contraste: estes meus filhos, ainda são capazes de me surpreender! Com algo mais, um extra, uma vigília até ao amanhecer, um frasco de perfume, um perdão de todo o coração, as duas últimas moedas deitadas no tesouro, o abraçar o mais pequeno de todos, a coragem de juntos atravessar a noite.

Se no final da noite ainda os encontrar acordados. "Se" os encontrar, não tem certeza, porque não é uma obrigação, mas uma surpresa; não um dever, mas um espanto.

E o que se segue é a distorção que só as parábolas, o ponto mais refinado da linguagem de Jesus, são capazes de transmitir: fá-los-á sentar à mesa, cingirá as vestes e irá servi-los. O ponto comovente, o sublime da história é quando acontece o impensável: o senhor que se torna servo. "Poder da metáfora, diaconia linguística de Jesus na escola do reino" (R. Virgili).

Os servos são os senhores. E o Senhor é o servo. Uma imagem inédita de Deus que só Ele ousou, o Mestre da Última Ceia, o Deus em inversão, ajoelhado diante dos apóstolos, com os pés nas suas mãos; e depois pregado naquele pedaço de madeira, que basta para morrer.

Havia-me confiado as chaves da casa e tinha partido, com total confiança, sem dúvidas, o coração luminoso. O milagre da confiança do meu Senhor seduz-me novamente: acredito nele, porque acredita em mim. Esse será o único Senhor a quem servirei, porque é o único que se fez meu servo.

 

Ermes Ronchi

 

A beleza das cicatrizes

Morrer é muito mais fácil do que viver. A vida é um peso que só raras vezes alivia. Aprendemos a arte de viver aceitando e enfrentando as adversidades.

Viver também é chorar e sofrer. Quem, com medo disso, foge em busca de paz, nunca a encontra. O caminho faz-se de baixo para cima.

As frustrações, as dores e até mesmo a morte são adversários fortíssimos. Importa muito encontrar a forma de, desses males — por piores que sejam — tirar o maior bem.

Morrer é entregar-se; viver também o é. Adormecemos cada noite com a confiança de que no dia seguinte despertaremos ainda neste mundo. É preciso fé — e isso devia ser motivo de alegria e agradecimento. No entanto, são muitos os que pedem muito e poucos os que agradecem o que pediram e lhes foi dado!

Custa-nos dar do muito que temos e, muitas vezes, preferimos entristecer-nos com o pouco que nos falta — e esse pouco nem é para dar, mas apenas para nós… que nos julgamos necessitados.

Procuremos ser bênçãos na vida dos outros. Custe o que custar. O amor vale sempre muito mais do que as dores que implica.

Procuremos encontrar uma resposta clara para nós mesmos sobre o que estamos aqui a fazer. Quem não sabe para que vive, nem vive nem morre… adia-se e cansa-se. Arrasta-se numa vida não vivida

Existir e honrar o dom da vida com que fomos (e somos!) abençoados é não perder tempo, não desperdiçar momentos bons, aproveitar o que é possível, mesmo que seja pouco.

Há razões para estar em baixo? Sim, sempre. Mas ressuscitar é algo que está ao alcance de qualquer pessoa viva… desde que encontre em si e nos que o rodeiam as forças e os caminhos para isso.

Estejamos atentos àqueles que, com as nossas forças, podemos amar. Viver não é o que fazemos todos os dias; é aquilo que, na verdade, só conseguimos fazer em alguns dias. Que hoje seja um desses dias. Um bom dia.

José Luís Nunes Martins

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Um dia perguntou o Mestre:

- Na vossa opinião, qual é a pergunta religiosa mais importante?

Como resposta, ouviu muitas perguntas:

- Existe Deus?

- Quem é Deus?

 Qual é o caminho para Deus?

- Há vida depois da morte?

- Não - disse o Mestre -, a pergunta mais importante é: Quem sou eu?

 

Anthony de Mello


 

INFORMAÇÕES

FESTA DE NOSSA SENHORA DO GUADALUPE

MANADAS

                Dia 15 de agosto - Missa às 10h00

 

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 17 de agosto, às 16h00 horas.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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