Nº 1215

Com a chegada do verão, em muitos lugares do mundo e para muitas instituições e pessoas, chega a época das férias. Trata-se de um espaço e tempo na vida do ser humano que, bem administrado, tem um impacto integral na pessoa, física e mentalmente, com repercussões nas relações interpessoais e sociais e na produtividade das empresas e de toda a sociedade.
As férias, então, mais do que um luxo, são uma necessidade biológica e psicológica, para recarregar as energias, reduzir o stress, prevenir doenças, diminuir o esgotamento e a fadiga (burnout) devido ao desgaste diário e rotineiro, para nos desconectarmos da carga de trabalho opressiva, para reduzir a ansiedade e recuperar o bom humor.
As férias são um período que nos permite desanuviar e abrir-nos a novos horizontes existenciais, a novos projetos e perspetivas de vida, bem como ao fortalecimento dos laços afetivos fundamentais e necessários para a vida e retomar interesses e atividades que enriquecem a nossa vida e saúde e que, devido à agitação diária, adiamos ou abandonamos.
Entendendo que o repouso não se refere à cessação dos nossos deveres, tarefas e obrigações habituais para nos dedicarmos a dormir e a não fazer nada, o descanso nas férias deve ser um tempo investido em situações que permitam a nossa recuperação e restauração física e mental, o fortalecimento do nosso corpo e da nossa mente, para retomar, com novo ímpeto e melhor qualidade, com novas energias, as atividades nas quais normalmente somos produtivos e com as quais todos contribuímos para o progresso e desenvolvimento das nossas empresas, instituições e sociedade.
Portanto, ignorar a importância das férias e do descanso pode trazer consequências sérias e graves para o desenvolvimento da vida do ser humano, da convivência e do progresso social.
A nossa conjuntura histórica e social é marcada, especialmente, pela incerteza. Vivemos um momento sem certezas políticas, económicas, laborais, migratórias, etc. Por isso, as férias e o descanso adequado convidam-nos, além disso, à introspeção, ao silêncio, a viajar para dentro de nós mesmos para encontrar paz e reconciliação com os outros e com o ambiente e para superar as frustrações com que o dia a dia, com a sua insegurança, hesitações e suspeitas, nos oprime.
Que este período de verão e do ano seja, para aqueles que tiram férias, um momento de encontro com o melhor de nós mesmos e dos outros, para descobrir certezas e construir esperança no presente e no futuro pessoal, familiar e social.
Mario J. Paredes (adaptado)
MEDITAR
O Pai Nosso, gramática de Deus
Os cristãos sempre tentaram definir o conteúdo essencial da sua fé. É o próprio Jesus que no-la dá: fá-lo com uma oração, não com um dogma. Ensina-nos a rezar, pediram-Lhe. Não para pedir coisas, mas para ser transformado.
Orar é religar-se a Deus, como se liga a boca à fonte; é abrir canais por onde o céu possa fluir; é dar a Deus o ser pai, pai apaixonado pelos filhos, é chamar para perto um Deus que sabe de abraços, e com ele guardar as poucas coisas essenciais para viver bem.
Mas cuidar dos irmãos, é esquecer as palavras "eu e meu", porque estão fora da gramática de Deus, fora do Pai Nosso, onde nunca se diz "eu", nunca se diz "meu", mas sempre Tu, teu e nosso. Palavras que estão aí como braços abertos: o teu Nome, o nosso pão, Tu dás, Tu perdoas.
A primeira coisa a guardar: que o Teu nome seja santificado. O nome contém, na linguagem da Bíblia, a pessoa inteira: é como pedir Deus a Deus, pedir a Deus que nos dê Deus. E o nome de Deus é amor: que o amor seja santificado na terra, por todos. Se há algo sagrado e eterno em nós, é a capacidade de amar e ser amado.
Venha o Teu Reino, nasça uma nova terra como Tu a sonhas, uma nova arquitetura do mundo e das relações humanas.
Dá-nos o pão de cada dia. O Pai Nosso proíbe-me de pedir apenas para mim: "para mim o pão é um facto material, o pão para o meu irmão é um facto espiritual" (N. Berdiaev). Dá-nos tudo o que nos faz viver, o pão e o amor, ambos necessários, dá-nos para hoje e para amanhã.
E perdoa os nossos pecados, tira tudo o que envelhece o coração e o torna pesado; dá a força para içar as velas e zarpar a cada amanhecer para terras intocadas. Liberta o futuro.
E nós, que sabemos como o perdão fortalece a vida, o daremos aos nossos irmãos e a nós mesmos, para nos tornarmos luz novamente, para construir novamente a paz.
Não nos abandones à tentação. Não pedimos que para sermos isentos da prova, mas que não sejamos deixados sozinhos para lutar contra o mal. E nos tire da desconfiança e do medo; e de cada ferimento ou queda nos levante, bom Samaritano das nossas vidas.
O Pai Nosso não deve ser apenas recitado, deve ser soletrado todos os dias de novo, nos joelhos da vida: nas carícias da alegria, no roçar dos espinhos, na fome dos irmãos. É preciso ter muita fome de vida para o rezar bem.
Fome de Deus, porque na oração eu não obtenho coisas, obtenho o próprio Deus. Um Deus que não governa, mas se envolve, que entrelaça a sua respiração com a minha, que mistura as suas lágrimas com as minhas, que só pede para deixá-lo ser amigo. Não poderia pensar numa aventura melhor.
Ermes Ronchi
De que é feito o espírito?
O espírito é sagrado. Liga-nos ao céu, porque é o céu em nós. É o que escutamos quando conseguimos fazer silêncio dentro de nós mesmos. É o sopro divino que nos entregou a vida.
O espírito inspira-nos a que nos dediquemos a um destino, a um caminho e a uma forma de caminhar, muitas vezes contra o que é confortável e nos parece ser o melhor. No entanto, o espírito propõe, não impõe. Cabe sempre a cada um de nós decidir e, com isso, decidir-se. Somos o resultado do que fazemos com a liberdade de nos criarmos a partir do que nos foi dado. O espírito guia, mas apenas para quem decide deixar-se guiar.
Mais do que a inteligência ou as emoções, o espírito sabe o que é essencial e o que importa em cada momento. Aprendamos a calar as vozes do nosso interior e a escutar a do espírito que nos anima.
Cabe a cada um de nós cuidar do seu espírito, alimentando-o, enriquecendo-o, elevando-o. Toda a nossa existência será julgada de acordo com o que fizemos com a vida que nos foi confiada. Viemos com um tesouro e, enquanto alguns o desperdiçam como se não fosse precioso, outros multiplicam-no fazendo-se merecedores do que receberam e tornando-se dignos de que lhes seja confiado muito mais.
De que é feito o espírito?
O espírito é Amor.
José Luís Nunes Martins
As coisas mais simples
Às vezes, o que nos salva são as coisas mais simples.
Um abraço que é abrigo.
Uma mão dada que nos ampara.
Um olhar que nos encontra e que nos toca.
Um sorriso que nos abraça o coração.
Um beijo que nos cura.
Um colo onde repousamos, onde serenamos
Uma palavra que nos conforta.
Um silêncio que é (e que nos faz) tanto sentido.
Uma companhia que nos faz sentir melhor só porque está connosco.
Um gesto que nos faz sorrir e que nos dá esperança.
Um céu estrelado que nos faz brilhar o olhar.
Um momento que nos tatua, para sempre, o coração.
Um instante de amor.
Às vezes, o que nos salva não são as coisas grandes.
Ou, talvez, até sejam…
Talvez as coisas maiores (e as melhores) sejam aquelas que nos acontecem, todos os dias, disfarçadas das coisas mais simples, mas cheias de amor.
Como quem diz: cheias de tudo.
INFORMAÇÕES
FESTA DE NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM
PORTAL
Tríduo - Dias 30, 31 de julho e 1 de agosto - Missa às 19 horas.
Festa- Dia 3 de agosto - Missa às 10 horas - Procissão às 20 horas.
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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