Nº 1213

NOSSA SENHORA DO CARMO
São Simão Stock pertencia a uma ilustre família do condado de Kent. Favorecido desde criança com graças extraordinárias, aos 12 anos, foi conduzido pelo espírito de Deus a um deserto, onde vivia em austera penitência; servia-lhe de morada o tronco de uma árvores donde lhe veio o sobrenome de Stock (tronco).
Vivia há 20 anos nesta solidão, ocupado na oração e penitência, quando chegaram a Inglaterra os religiosos carmelitas, expulsos da Palestina pela perseguição religiosa dos sarracenos. Não tardou Simão em juntar-se-lhes, logo que foi testemunha das suas virtudes e sobretudo da sua admirável devoção à Santíssima Virgem, a quem ele amava com entranhada ternura. Em 1245 foi escolhido para Superior Geral da Ordem.
Entre a Samaria e a Galileia, na Terra Santa, eleva-se uma montanha de 600 metros de altitude, chamada Carmelo, onde o Profeta Elias realizou surpreendentes prodígios e onde o seu sucessor Eliseu viveu também. Estes dois profetas aí reuniram os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Aqui Elias terá visto Nossa Senhora simbolizada numa nuvem; aqui Maria, quando viveu na terra, terá vindo saudar os ermitas, sucessores dos dois grandes profetas.
Estes eremitas ter-se-ão sucedido através das gerações até que pelo ano de 1205 o Patriarca de Jerusalém Avogrado lhes deu a regra que se resume no trabalho, meditação das Escrituras, devoção a Maria Santíssima, vida contemplativa e mística. Por isso os Carmelitas dizem-se fundados pelo Profeta Elias. Mas foi S. Bernoldo, que, pelos meados do séc. XII, lhes deu a organização de vida religiosa, com a regra do Patriarca de Jerusalém.
Quando no séc. XII, os muçulmanos conquistam a Terra Santa, mataram e perseguiram os eremitas do Monte Carmelo. Os que fugiram para a Europa, escolheram S. Simão Stock para seu Superior Geral.
No dia 16 de julho de 1251 rezava o Santo no seu Convento pedindo fervorosa e ardentemente a Nossa Senhora que lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem por Ela tanto amada, mas então perseguida com violência. A Virgem ouviu as suas orações. Apresenta-se-lhe com o Escapulário na mão e diz-lhe:
«Recebe, meu filho, este Escapulário de tua ordem, que será o penhor do privilégio que alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção»
In Santos de Cada Dia
MEDITAR
Humanidade impossível sem compaixão
Um homem descia de Jerusalém para Jericó. Uma das histórias mais bonitas do mundo. Apenas algumas linhas, de sangue, de pó esplendor. O mundo inteiro desce de Jerusalém para Jericó. Ninguém pode dizer: tomo outro caminho, não tenho nada a ver com isso. Estamos todos no mesmo caminho. E seremos salvos juntos, ou não haverá salvação.
Um sacerdote descia pelo mesmo caminho. O primeiro a passar é um sacerdote, representante de Deus e do poder, vê o ferido mas passa ao lado. Não cruza o sangue de Abel. O outro não é nada, muito menos Deus, uma religião estéril como o pó.
Ao contrário, um samaritano, que ia de viagem, viu, sentiu pena dele, chegou-se perto. Um samaritano, gente hostil e desprezada, que não frequenta o templo, comove-se, aproxima-se, torna-se próximo.
Todos os passos de uma carga infinita, belíssima, que derrama humanidade. Não há humanidade possível sem compaixão, o menos sentimental dos sentimentos, sem romantismos, o menos açucarado, o mais concreto. O samaritano aproxima-se. Não é espontâneo parar, os bandidos ainda podem estar por perto. Aproximar-se não é um instinto, é uma conquista; a fraternidade não é um dado, mas uma missão.
Os três primeiros gestos concretos: ver, parar, tocar, traçam os três primeiros passos da resposta ao "quem é o meu próximo?". Ver e deixar-se ferir pelas feridas do outro. O mundo é um grito imenso, e "Deus navega neste rio de lágrimas" (Turoldo), invisível porém para aqueles que perderam os olhos do coração, como o sacerdote e o levita. Deter-se na vida que geme, que se vai perdendo no pó da rua. Fiz muito por este mundo cada vez que simplesmente paro a minha corrida para dizer “Eis-me, estou aqui ".
Tocar: o samaritano derrama azeite e vinho, cobre as feridas do homem, levanta-o, carrega-o, leva-o. Tocar o outro é falar com ele silenciosamente com o próprio corpo, com a mão: "Não tenho medo e não sou inimigo". Tocar o outro é a maior proximidade, dizer-lhe: "Estou aqui para ti"; aceitar o que ele é, como ele é; tocar o outro é um ato de reverência, de reconhecimento, de veneração pela bondade de toda a sua pessoa.
Depois a história de Lucas move-se rapidamente, colocando dez verbos em sequência para descrever o amor efetivo: viu, teve compaixão, aproximou-se, derramou, embrulhou, carregou, levou, cuidou, pagou... até o décimo verbo: quando voltar pagarei... Este é o novo decálogo, para que o homem seja promovido a homem, para que a terra seja habitada por "próximos" e não por bandidos ou inimigos.
No centro da mensagem de Jesus uma parábola; no centro da parábola um homem; e aquele verbo: Amarás. Faz assim e encontrarás a vida.
Ermes Ronchi
O que a vida não nos ensina
A vida não nos ensina a perder.
Não nos diz como nos despedimos. Não nos explica como fazemos o luto de um filho. De dois filhos.
Não nos explica nem nos deixa instruções sobre como continuar quando tudo se apaga. Quando as cortinas se fecham. As possibilidades se tornam estéreis e quando já não sabemos quem (ou o que) somos.
Não nos diz como continuamos quando tudo é difícil ou como se acendem velas quando, à nossa volta, desceu a maior escuridão.
Temos pouca literacia sobre a vida. Não nos foram dados manuais prévios ou preparatórios que nos munissem de ferramentas para navegar os dias.
Mas foi-nos dado o amor. Sem grandes explicações nem textos muito desenvolvidos. Foi-nos dado o amor. A capacidade de ver que o pequeno e o ténue pode tornar-se essencial quando não temos nada. A certeza de que a bondade supera o escárnio, a intolerância e a violência, se nos dispusermos a ver bem.
Foi-nos dado o amor e é essa a única coisa que nos salva e nos resgata. É o amor que nos dá lenha ao fogo que mora no coração. Que nos dá combustível para sobreviver. É por amor que vamos quando não sabemos por onde ir. É por amor que aguentamos quando não temos força para acreditar no Céu que desliza por cima das nossas cabeças.
É por amor que vale a pena viver. O amor de quem nos dá sem esperar receber. O amor de quem se entrega ao que vier. De quem nos vem salvar mesmo quando nem sabemos que precisamos. O amor de quem nos vê quando nem sabíamos que precisávamos de ser vistos.
É por amor que ficamos. Que partimos. Que nos gastamos sem saber que ainda tínhamos tanto para dar. É a única esperança que podemos ter quando tudo o resto parece distópico, estranho e sem rumo.
Só o amor permanece, quando tudo falha.
E se formos amor, que hipótese teremos de falhar?
PENSAMENTO DA SEMANA
"Como é que Deus age através de nós?
Não somos marionetas.
Tampouco instrumentos inertes e passivos nas suas mãos.
Gosto da imagem da versão musical:
Deus é o criador da música.
A partitura é o Evangelho.
A versão original é Jesus.
O tema principal: o amor.
Mas a tua versão tem de ser única, distinta, própria…"
José María Rodríguez Olaizola,sj
INFORMAÇÕES
MISSA NO SANTUÁRIO DE SANTO CRISTO
Como no dia 21 começa a “Aldeia da Esperança” na Caldeira e haverá missa todos os dias, no domingo, dia 20, não haverá a habitual missa mensal.
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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