Nº 1212

Senhor Jesus,
após um ano de trabalho, obrigado por este tempo de férias.
Que bom que é termos um emprego e um salário
e que bom que é, também, podermos desfrutar
de um justo e merecido período de descanso.
Somos frágeis, temos coisas que nos preocupam, nem sempre temos saúde e, por isso, necessitamos da pausa das férias
para parar um pouco e termos tempo para nós mesmos,
para a nossa família e para os nossos amigos.
Nós precisamos de uns dias para fazer outras coisas ou para não fazer nada,
para não nos levarmos tanto a sério, descontrairmos um pouco
e para termos um ritmo diário mais lento, livre e espontâneo.
Tu dás-nos o tempo e convidas-nos a usá-lo com sabedoria
e este intervalo é uma oportunidade para retemperar forças, dormir mais e não nos preocuparmos com horários, regras e compromissos laborais.
Aquando da criação do mundo, descansaste ao sétimo dia
e, em diversas ocasiões, afastaste-Te um pouco para repousar e orar.
Após jornadas de muito trabalho, também convidaste os Teus discípulos
a irem sozinhos para um lugar deserto para descansar,
e disseste que fossem a Ti quantos andavam cansados e oprimidos
pois em Ti as suas almas encontrariam descanso.
Então, Jesus, vem e descansa connosco e ajuda-nos a discernir o que mais nos convém
para que estas férias valham a pena, não sejam dias vazios e fúteis
e não regressemos ao quotidiano habitual ainda mais fatigados.
Que tenhamos inteligência para ocupar bem o tempo livre
e sensatez para que o tempo livre nos faça sempre bem.
Que nos disponhamos a momentos de descontração, relaxamento e diversão
e que aproveitemos o tempo disponível para pensar, refletir
e meditar na nossa vida e nas nossas opções fundamentais.
Após tantas fadigas, barulho e confusão, que ofereçamos a nós mesmos
espaços para a paz, a serenidade, o silêncio e a contemplação.
Senhor, abençoa-nos e que regressemos sempre a casa sãos e salvos.
Paulo Costa, (adaptado)
MEDITAR
Atravessar com confiança a terra dos lobos
Os setenta e dois discípulos vão, dois a dois, diariamente dependentes do céu e de um amigo; sem bolsa, nem saco, sem sandálias, sem coisas, sem meios, simplesmente homens. "O que anuncia deve ser infinitamente pequeno, só assim o anúncio será infinitamente grande" (G. Vannucci).
Não se vestem de nada e dizem: vamos voltar simples e naturais, aquilo que conta é na verdade pouco. Os discípulos são os reconstrutores da humanidade, e o seu primeiro passo contém a arte do acompanhamento, nunca um sem o outro. Dois não é a soma de um mais um, é o início da comunhão. Então podem até atravessar a terra dos lobos, passar pelo meio, com coragem e confiança: eu vos envio como cordeiros entre os lobos. Que talvez sejam mais numerosos, mas não mais fortes, que podem morder e fazer mal, mas que não podem vencer.
Eu vos envio como cordeiros, sem presas nem garras, mas não para o ataque e o martírio, mas para imaginar o mundo sob outra luz, para abrir a passagem para uma casa comum mais quente de liberdade e afetos. Os campos da vida também são violentos, Jesus cumprirá até o sangue, mas dá aos seus seguidores uma visão do mundo tão bela como uma surpresa, uma pequena maravilha de positivismo e brilho: a messe é abundante, mas os trabalhadores são poucos.
Os olhos do Senhor brilham pelo bom trigo que transborda dos campos da vida: são homens e mulheres fiéis à sua missão, pessoas de coração aberto, com palavras de luz, homens generosos e leais, mulheres livres e felizes. Lá onde temíamos o deserto Ele vê um verão perfumado de frutas, vê poetas e enamorados, crianças e palhaços, místicos e tolos que não sabem mais andar, mas aprenderam a voar.
Jesus envia os seus discípulos não para entoar lamentações sobre um mundo distraído e distante, mas para anunciar a conversão: o Reino de Deus está próximo. E as palavras que confia aos discípulos são simples e poucas: paz a esta casa, Deus está perto. Palavras diretas, que vinham do coração e iam para o coração. Reclamamos: o mundo afastou-se de Deus! E Jesus diz em vez disso: Deus aproximou-se, Deus está a caminho por todas as ruas, bem perto de ti, bate à tua porta e espera que a abras. Ao entrarem em qualquer casa, digam: paz a esta casa.
Jesus sonha com a reconstrução do humano através de mil e mil casas hospitaleiras e de braços abertos: a hospitalidade é o sinal mais confiável e indiscutível do alto grau de humanidade que um povo alcançou (R.
Virgili), a primeira pedra da civilização, a primeira palavra cívica, porque onde não se pratica a hospitalidade, pratica-se a guerra e impede-se o shalom, ou seja, a paz que é o florescimento da vida em todas as suas formas.
Ermes Ronchi
DEUS NAS FÉRIAS
És Tu, através do Sol, que beijas suavemente o meu rosto.
És Tu que Te fazes presente na alegria de uma criança que corre, por entre as águas do mar, para os braços da sua mãe.
És Tu que me visitas no serviço daqueles que atendem com leveza e simpatia.
És Tu que Te revelas quando me perco na tranquilidade de uma senhora que contempla o (seu) entardecer.
És Tu que me visitas na beleza do silêncio de uma Igreja arejada e vazia.
És Tu que sopras a brisa que refresca o corpo e a minha alma.
És Tu que me cumprimentas quando um senhor idoso me dirige um "Olá" sorridente, enquanto sobe vagarosamente as escadas (da sua Vida).
És Tu que me dás a conhecer a paz e a minha fragilidade através do mistério da Natureza.
És Tu, O sempre presente, que se revela no ordinário dos meus dias!
De Emanuel António Dias
PENSAMENTO DA SEMANA
Havia mais doze lugares à mesa e estavas sozinho
Uns não puderam aparecer porque houve greve de comboio
outros porque havia atividades da empresa que não podiam descurar
outros ainda porque aproveitam as férias para relaxar uns dias em Cancun
Não tinhas ninguém que te pudesse trair
não tinhas ninguém que te pudesse escutar e dizer Ecce Hommo
Comeste em silêncio uma sopa instantânea de lentilhas
e foste-te deitar
Amanhã continuarás vivo
Não terás de te dar ao trabalho de ressuscitares
e ascenderes ao céu
apenas de continuar a carregar
a tua pesada cruz
quotidiana
Jorge Sousa Braga
INFORMAÇÕES
FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO NA FAJÃ DOS VIMES
No dia 7 de julho tem início o Novenário de Nossa Senhora do Carmo na Fajã dos Vimes. A Eucaristia será todos os dias às 19 horas.
Dia 16 de julho: 19h00 Missa de Festa com a bênção do Carmo seguida de Procissão.
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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