Nº 1209

Santíssima Trindade
Deus Pai, meu Criador,
que eu aceite e cumpra os Teus desígnios, eternamente.
Deus Filho, meu Salvador,
que eu Te leve a Todos e traga Todos até Ti, infinitamente.
Deus Santo Espírito, meu terno intercessor,
que eu permita que me habites, para todo o sempre.
Deus Uno e Trino de Amor,
que me ofereces a liberdade de Ser semelhante a Ti…
Guarda-me da frieza desta Terra
que tem medo da Tua Cruz…
Leva-me pelos caminhos escarpados e
incendeia em mim a luz do Teu braseiro,
para que eu seja capaz de iluminar o mundo inteiro.
No Amor mais intrínseco da humanidade
recolho-me no Teu regaço, Paizinho…
escuto a Tua Voz, Pão Vivo Eucarístico…
e sinto a Tua Fortaleza a edificar-se dentro de mim, Brisa terna e suave…
Estou viva! Vivo de Ti e para Ti…
desde que insuflaste em mim a semente do Teu Amor,
para que a cada dia brote do meu Ser Fé, Esperança e Caridade.
Então, parto!
Abandono-me em Ti, Deus da Vida!
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
faço-me Teu instrumento de Paz e Amor,
para a humanidade inteira.
MEDITAR
A Trindade é a nascente da sabedoria de viver
Trindade: um Deus em três pessoas. Dogma que não entendo, mas libertador porque me assegura que Deus não é solidão em si mesmo, que o oceano da sua essência vibra num movimento infinito de amor. Em Deus há reciprocidade, troca, superação de si mesmo, encontro, abraço. A essência de Deus é a comunhão.
O dogma da Trindade não é uma teoria onde se tenta fazer coincidir o Três e o Um, mas é a fonte da sabedoria de viver. E se Deus se realiza somente na comunhão, também assim o será para o homem. Tinha dito no início: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança". Não apenas à imagem de Deus: muito mais! O homem é feito à semelhança da Trindade. À imagem e semelhança da comunhão, do vínculo de amor, mistério do singular e do plural. No começo de tudo, para Deus e para mim, existe a relação.
No princípio de tudo há algo que me liga a alguém, a muitos. Assim é com todas as coisas, tudo está em comunhão. Até os nomes que Jesus escolhe para contar a face de Deus são nomes que contêm vínculos: Pai e Filho são nomes que abraçam e criam vínculos. Então entendo porque a solidão me pesa tanto e me assusta: porque é contra a minha natureza.
Então compreendo por que quando estou com quem me ama, quando sei acolher e sou acolhido, me sinto tão bem: porque realizo a minha vocação de comunhão. Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas agora ainda não podeis suportar o seu peso.
Jesus vai sem ter dito tudo. Em vez de concluir dizendo: isto é tudo, não há mais nada, Jesus abre caminhos, lança-nos num sistema aberto, promete orientação para um longo caminho. O Espírito irá guiá-los para toda a verdade. O Espírito gera em nós o Evangelho e sonhos de futuro. Então o espiritual e o real coincidem, a verdade e a vida coincidem. Esta é a beleza da fé. Acreditar é adquirir a beleza do viver.
A festa da Trindade é um espelho do significado último do universo. Diante da Trindade sinto-me pequeno mas abraçado, como uma criança: abraçado por um vento que navega por toda a criação e que tem o nome de comunhão.
Diz-lhes o que o vento diz às rochas, o que o mar diz às montanhas.
Diz-lhes que uma imensa bondade penetra no universo, diz-lhes que Deus não é aquele em que acreditam, que Ele é um vinho de festa, um banquete de partilha em que todos dão e recebem.
Diz-lhes que Deus é Aquele que toca flauta em plena luz do dia, aproxima-se e desaparece chamando-nos às nascentes.
Diz-lhes a inocência do seu rosto, das suas feições, do seu sorriso. Diz-lhes que Ele é o teu espaço e a tua noite, a tua ferida e tua alegria.
Mas diz-lhes também que Ele não é o que dizes sobre ele. Mas que está sempre além, sempre além. (Com. Franc. Cisterciense)
Ermes Ronchi
O Ruído que se ouve quando fazemos silêncio
Quando foi a última vez que tiveste de ficar em silêncio, lembras-te?
Quando ficaste a ouvir o silêncio, sem redes sociais e sem conversas fúteis, foi fácil?
Vai lá, a esse momento, ou então propõe-te a fazer esse exercício e desligar do mundo e diz-me: para onde foste? O que fizeste? A verdade é que mesmo que fisicamente fiques parada a tua mente viaja, incomoda-se com pensamentos, perturbasse com sentimentos e NÃO TE DEIXA ESTAR EM SILÊNCIO. Faz um ruído estranho, desconexo e perturbador que faz com que esse momento se torne desconfortável.
Confesso que ainda não sei dominar isso, pelo que o silêncio às vezes me faz muito barulho!
Quando participei nas Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa tive a oportunidade de estar muitas vezes em silêncio, apesar de haver barulho e bulício, mas nada comparável à vigília da ultima noite no campo da Graça. No meio do caos organizado, das ambulâncias e da multidão foi proposto a adoração ao Santíssimo Sacramento: “impensável, não há condições” ao que direi “único e irrepetível”.
O silêncio era quase absoluto, mas confesso que havia muito barulho cá dentro. Havia muita prece, muita gratidão e muita vontade de Lhe contar tudo o que ia na alma. Aos poucos sosseguei e apreciei a presença de Deus em cada ruído que ouvia, na brisa que sentia e em cada um que partilhava o minguo espaço que tínhamos. O momento foi especial mas lamento que, no dia a dia, nem sempre consiga sentir o silêncio que me leva a ouvir a voz de Deus. Não a voz das tarefas, afazeres, rancores ou chatices, mas a voz que serena e acalma a tempestade.
Mas esse é um treino que cada um deve fazer: treinar o espírito como treina o corpo!
Aprender a discernir o ruído que perturba da voz interior, não é algo que se consiga à primeira mas implica um trabalho constante e interminável para o qual eu ainda estou longe de terminar. Não vale a pena desanimar, mas educar a mente para os sentimentos que queremos que predominem no nosso coração. Devagar, devagarinho, talvez consigamos apreciar mais o silêncio.
Raquel Rodrigues (Adaptado)
PENSAMENTO DA SEMANA
Somos pessoas sede!
A sede é uma água que nos habita e nos dá vida. A sede é fundamental, essencial. O nosso coração é um «interminável reservatório de sede. Sede de amor. Sede de verdade. Sede de reconhecimento. Sede de razões de viver. Sede de um refúgio. Sede de novas palavras e de novas formas. Sede de justiça. Sede de humanidade autêntica. Sede de infinito.
Elogio da Sede, José Tolentino Mendonça
FESTA DE SANTO ANTÓNIO - CALHETA
Dia 21 de junho - às 19 horas na Ermida de Santo António, Rua de Baixo, Calheta. Missa seguida de procissão.
FESTA DE SANTO ANTÓNIO - MANADAS
Dia 22 de junho - às 14 horas na Ermida de Santo António, Manadas. Missa e bênção do pão de Santo António.
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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