Nº 1206

 Espírito Santo

Vinde Espírito Santo… a cada manhã peço um raio da sua luz.

Ao Espírito que sopra como o vento leve e imprevisível dos anoiteceres de primavera, peço que não me deixe que eu me engane ao viver o passado ou o futuro sem viver o hoje.

Peço ao Espírito para ser como o fogo que me aquece nos dias de inverno, esse fogo que me impele a ser forte comigo e com a vida, de me fazer violência quando o desejo não se torna vontade, e quando não forço o sonho a tornar-se realidade.

Peço Espírito que me faças falar com amor, com aquela única linguagem que todos compreendem, amigos e não amigos, crianças e idosos, crentes e não.

Peço ao Espírito Santo a unidade nas nossas diversidades, porque só se estivermos unidos o mundo se desarmará; um Espírito que desça sobre todos e seja para todos, que congregue as pequenas labaredas espalhadas neste mundo.

Peço ao Espírito a coragem de romper as nossas atitudes de defesa, o nosso estar atrás dos muros, o nosso medo que escondemos por trás das leis e das normas.

Peço aquele espírito nascido do último respiro de Jesus na cruz, que beija o mundo e nos recorda quanto é difícil permitir a Deus que nos ame.

O eco do “Vinde Santo Espírito” nas pedras da igreja, a cada manhã, diz-me que Ele entra se o deixo entrar, se vivo uma vida autêntica e se, como um verdadeiro profeta, me recordo do futuro. Diz-me para olhar para trás para recordar, mas sobretudo para ter a coragem de olhar em frente para inventar; sem a fantasia, a memória torna-se uma prisão.

O Espírito cria cada dia, é novo cada dia. Não devemos temer o novo que vem ao nosso encontro; aquilo que verdadeiramente devemos temer é uma vida sem um sentido e que não dá mal-estar a ninguém, uma vida tranquilizante que deixou de ter vontade de lutar.

Por vezes pode chegar-se a abrir as portas, mas depois permanecer enjaulados num espírito de timidez que não testemunha, que não tem força, que não tem amor, que não tem atenção. Ao passo que o Espírito é força e liberdade e não se pode deter.

Aquela porta aberta diz-nos que não podemos contê-lo, mas só segui-lo e dar-lhe espaço.

Luigi Verdi (adaptado)

 

MEDITAR

Então a vida florirá em todas as suas formas

Se alguém me ama, observa a minha palavra. Amar no Evangelho não é a emoção que anestesia, a paixão que devora, o ímpeto que faz invadir. Amar é sempre traduzido com um verbo: dar, "não há amor maior do que dar a vida" (Jo 15,13). Trata-se de dar tempo e coração a Deus e dar-lhe espaço.

Então podes observar a sua Palavra, podes guardá-la com cuidado, para que não se perca uma única sílaba, como um amante com as palavras da sua amada; podes segui-lo com a confiança de uma criança em relação à mãe ou ao pai. Observem a minha palavra, e nós entendemos mal o que é: guardem os meus mandamentos.

Não, a Palavra é muito mais que um mandamento ou uma lei: cura, ilumina, dá asas, conforta, salva, cria. A Palavra semeia de vida os campos da vida, insiste, tem gosto de pão, sopra forte nas velas do teu veleiro. A palavra culminante de Jesus amarás. Vais guardar, Vais seguir o amor. Que é a casa de Deus, o céu onde ele mora, por isso viremos e faremos nele a nossa morada. Se alguém ama, gera o Evangelho. Se amas, também, como Maria, tornas-te a mãe de Cristo, dás-lhe a carne e a história, "carregas Deus dentro de ti" (São Basílio Magno).

Duas outras palavras de Jesus, hoje, devem ser acolhidas em nós: uma é uma promessa, o Espírito Santo virá; outra é a realidade: eu dou-te a minha paz. O Espírito virá, ele vai ensinar, trará de volta ao coração tudo aquilo que Eu vos disse. Vai trazer de volta ao coração os gestos e as palavras de Jesus, de quando passava e curava a vida, e dizia palavras de que não se via o fundo. Mas não basta, o Espírito abre um espaço de conquistas e descobertas: vai ensinar novas sílabas divinas e palavras ainda não ditas.

Será a memória ardente do que aconteceu naqueles dias irrepetíveis e ao mesmo tempo será a genialidade, pelas respostas gratuitas e inéditas, para hoje e para amanhã. E depois: deixo-te a paz, dou-te a minha paz. Não um desejo, mas um anúncio, no presente: a paz "já está" aqui, está dada, agora estão em paz com Deus, com os homens, consigo mesmos.

A paz cai, a paz chove nos corações e nos dias. Chega de dominação do medo: o dragão da violência não vencerá. É paz. Um milagre continuamente traído, continuamente refeito, mas do qual não nos podemos cansar. A paz que não se compra nem se vende, dom e conquista, como artesão paciente com a sua arte. Não como o mundo a dá, eu vo-la dou-… o mundo busca a paz como equilíbrio dos medos ou como a vitória do mais forte; não se preocupa com os direitos do outro, mas de como lhe arrancar outro pedaço do seu direito.

Shalom significa plenitude: "o Reino de Deus virá como o florir da vida em todas as suas formas" (G. Vannucci).

Ermes Ronchi

 

 

14 curiosidades sobre o Papa Leão XIV

Os Serviços Missionários Internacionais Vicentinos publicaram 14 curiosidades sobre o Papa Leão XIV.

1. Robert Francis Prevost nasceu em 14 de setembro de 1955, em Chicago, EUA, filho de Louis Marius Prevost, de ascendência francesa e italiana, e Mildred Martínez, de ascendência espanhola. Ele tem dois irmãos, Louis Martín e John Joseph. Era uma família de classe operária.

Cresceu na zona sul de Chicago. Antes de vestir branco, usava uma parka vermelha. Na paróquia da sua infância, havia jantares de peixe frito, festas de bairro e o tipo de comunidade que moldou a sua profunda compaixão.

2. Trabalhou como professor no liceu antes de entrar para o seminário. Ensinou História e foi treinador de basquetebol. Os seus alunos dizem que ele era duro, justo e que reparava sempre no miúdo que estava sozinho ao almoço.

3. Percorreu 500 quilómetros a pé pela fronteira entre os EUA e o México. Nos seus trinta anos, tirou uma licença sabática para viajar a pé com migrantes e requerentes de asilo. Isso mudou a sua visão do papel da Igreja no mundo.

4. Fala seis línguas:  inglês, espanhol, italiano, francês, português e língua gestual. Aprendeu a língua gestual na sua primeira paróquia para melhor servir os membros surdos da comunidade e tem continuado a usá-la desde então.

5. É fã de jazz e toca um pouco de trompete. Diz que o jazz lhe ensinou a ouvir com atenção, a improvisar com humildade e a deixar o silêncio falar.

6. Uma vez jejuou durante 40 dias num mosteiro sem Internet nem eletricidade. Não para provar nada, apenas para ouvir. Descreveu esse período como o mais solitário e o mais cheio de graça da sua vida.

7. Recusou duas vezes a promoção a bispo. Das duas vezes, recusou porque ainda não tinha acabado «de ser um pároco que cozinha esparguete para os funerais e chora nos batismos».

8. O primeiro telefonema que recebeu depois de se tornar papa foi do seu melhor amigo de infância. Ele disse simplesmente: «Não vais acreditar no que acabou de acontecer.» O seu amigo pensou que ele estava a brincar.

9. Escolheu o nome Leão em honra do Papa Leão XIII, um reformador social que deu ênfase à justiça, aos direitos dos trabalhadores e ao empenhamento moderno na sociedade.

10. Nunca teve um carro. Mesmo quando era cardeal, insistia em andar a pé, de bicicleta ou de transportes públicos.

11. O seu livro preferido não é um texto teológico, mas O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry. Citou-o em homilias, cartas e uma vez durante um retiro privado no Vaticano. "O que é essencial é invisível aos olhos", disse muitas vezes.

12. Nunca usa smartphone. Anda com um telemóvel flip e usa um calendário de papel escrito à mão. Diz que isso o impede de "desaparecer no ruído".

13. A sua diretora espiritual há mais de vinte anos é uma freira de 92 anos. Continuam a falar todas as semanas. Uma vez ela disse-lhe: «Tenha a coragem de ser pequeno.» Ele escreveu isto no seu breviário.

14. Guarda um crucifixo esculpido em madeira de um barco de emigrantes naufragados. Foi-lhe oferecido por um pescador siciliano que resgatou 18 sobreviventes do mar.

 

GRANDES PERGUNTAS

As grandes perguntas não têm

soluções, não têm resposta

Grandes perguntas não são feitas

para serem respondidas

Mas para serem vividas

Os maiores mistérios continuam

sendo mistérios. E na condição de mistérios

permitem apreender nosso lugar

no mundo, posto que inevitavelmente

nos colocam nos nossos devidos lugares

dentro de nós mesmos.

Stein Mehren (poeta norueguês)

 

RESPOSTAS

Levarás anos ainda a encontrá-las.

Tantos, que quando as tiveres,

caso isso chegue a acontecer,

não saberás o que fazer com elas.

Jacob Iglesias


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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