Nº 1205

MARIA FELIZ
«Estamos habituados a revoluções feitas com armas,
que deixam um fio de sangue a escorrer no chão…
Estamos habituados a confiar nas mudanças que são impostas pela força,
porque nos queixamos muito da violência mas é sempre a ela que recorremos
quando queremos que as coisas fiquem diferentes…
É por isso que o Evangelho ainda nos parece tão estranho, às vezes…
Porque nos conta a história de uma revolução feita de ternura.
Porque o Evangelho nos conta a mudança mais decisiva que foi introduzida no mundo,
mas é uma mudança selada pela mansidão e pela não-violência.
Era uma vez uma mulher, bonita que só ela,
uma mulher que vivia numa aldeia pequenita da Galileia chamada Nazaré,
e ficou para sempre ligada à história que muda a história!
O nome dela era Maria
e foi da sua boca que nasceu o hino mais revolucionário que se tinha ouvido alguma vez.
Foi uma exultação de alegria,
porque há revoluções que nascem da Felicidade!
Foi um clarão de Esperança,
porque há revoluções que nascem de uma Promessa!
Era uma vez uma mulher, bonita que só ela,
que sentiu a vida visitada pela bondade de Deus
e, por causa disso, abriu as portas e percorreu os montes.
Era uma vida d’esperanças, semeada de futuros,
e dentro de si uma Palavra ganhava corpo.
Foi ela quem ouviu a primeira Bem Aventurança do Evangelho:
“Feliz de ti que acreditaste que vai cumprir-se tudo o que foi dito da parte do Senhor!”
Por isso mesmo, ela cantou logo depois:
“De hoje em diante, todas as gerações me chamarão FELIZ!”
Era uma vez uma mulher, bonita que só ela,
que era uma pessoa feliz por causa da Esperança que Deus encontrou nela e por causa da Confiança que ela encontrou em Deus.
Voltamos o nosso rosto para Maria
porque queremos aprender dela a coisa mais importante de todas:
que Esperança é essa,
que Confiança é essa,
que faz de ti “Maria Feliz?”»
Rui Santiago cssr
MEDITAR
Somos todos mendigos do amor a caminho
“Dou-vos um mandamento novo, amai-vos uns aos outros como eu vos amei": é uma daquelas frases que leva a marca de fábrica de Jesus. Palavras infinitas, nas quais entram a fundo os nossos corações. Mas porquê novo, se esse comando percorre toda a Bíblia, até abraçar mesmo os inimigos: "Se o teu inimigo está com fome, dá-lhe pão para comer, se estiver com sede, dá-lhe água para beber" (Provérbios 25:21).
Mas será que sempre e em todos os lugares do mundo as pessoas amam? Toda a lei é precedida por um “és amado" e seguido por um "amarás". “És amado", fundamento da lei; "Amarás", o seu cumprimento. Quem abstrai da lei este fundamento amará o contrário da vida (P. Beauchamp).
Mandamento, que significa, então, não uma obrigação, mas o fundamento do destino do mundo e da sorte de todos. Para nós o primeiro passo é entrar nesta atmosfera em que se respira Deus, e isso não é um prémio pelo meu bom comportamento, mas um dom sem ter um porquê.
Escreveu Angelo Silesio: «A rosa não tem um porquê, floresce porque floresce». O amor de Deus é a rosa sem porquê, Ele ama porque ama, é da sua natureza. A realidade é que "estamos imersos em um oceano de amor e não nos damos conta disso" (G. Vannucci).
O segundo passo indica um pequeno advérbio: Jesus não diz amai tanto como eu, o confronto iria esmagar-nos. Mas: amai como eu. Não basta amar, porque o amor pode ser também uma forma de posse e poder sobre o outro, um amor que prende e exige, e nada dá; há também amores violentos e desesperados, tristes e até destrutivos.
Jesus ama com "ternura combativa" (Evangelii gaudium), às vezes corajoso como herói, outras vezes tão terno quanto um amoroso ou como uma mãe, que não desiste, não se cansa, não se resigna a uma ovelha perdida, persegue-a por espinhos e penhascos e ao encontrá-la coloca-a nos seus ombros, ternamente feliz.
Amor que não é caridadezinha, não caindo bem a hipocrisia das sepulturas caiadas, porque se um homem poderoso ataca um pequenino, uma criança, um pobre, Jesus entre vítima e culpado não é imparcial, fica com a vítima, ao ponto de evocar imagens poderosas e duras.
Terceiro passo: amai-vos uns aos outros. Expressão fundamental, que ocorre dezenas de vezes no Novo Testamento e que significa: em reciprocidade, olhando nos olhos, face a face, tu a tu. Não se ama a humanidade em geral; ama-se aquele homem, aquela criança, aquele estranho, aquele rosto. Amam-se as pessoas uma a uma, cara a cara, corpo a corpo.
Amem-se uns aos outros, uma troca de dons, porque dar sempre, dar sem retorno é muito difícil, não conseguimos fazê-lo; Somos todos mendigos do amor, de uma felicidade que assenta sobre o precioso equilíbrio de dar e receber amor.
Ermes Ronchi
A oração da sede
Ensina-me, Senhor, a rezar a minha sede
a pedir-Te não que a arranques de mim ou a resolvas [depressa]
mas a amplies ainda
naquela medida que desconheço
e que apenas sei que é a tua!
Ensina-me, Senhor, a beber da própria sede de Ti
como quem se alimenta mesmo às escuras
da frescura da nascente
Que a sede me torne mil vezes mendigo
me ponha enamorado e faça de mim peregrino
Que ela me obrigue a preferir a estrada à estalagem e o aberto da confiança ao programado do cálculo
Que esta sede se torne o mapa e a viagem
a palavra acesa e o gesto que prepara
a mesa onde partilhamos o dom
E quando der de beber aos teus filhos seja
não porque tenha a posse da água
mas porque partilho com eles o que é a sede.
Cardeal José Tolentino Mendonça
PENSAMENTO DA SEMANA
Então,
vem o Espírito de Deus, como uma criança,
a surpreender de novidade as nossas arrumações,
a levantar “porquês” intermináveis às nossas certezas mais antigas,
a trocar a ordem de todas as nossas prateleiras
e a revelar-nos que é sempre possível começar de novo
e fazer coisas novas.
O Espírito de Deus é como uma criança…
Uma fonte inesgotável de energia e um risco contínuo de novidade.
Quando nós deixamos,
renova as mentalidades,
renova os corações,
renova as esperanças
e renova as estruturas.
Quando deixarmos de ter tudo tão arrumadinho e certinho,
vamos deixar que o Espírito Santo,
a Infância de Deus,
faça em nós das suas…
Rui Santiago cssr (adaptado)
INFORMAÇÕES
Matrículas 2025/2026 Escola Básica e Secundária da Calheta.
A escola informa os interessados que o período de matrículas para o ensino pré-escolar e primeiro ciclo, para o ano letivo 2025/2026, decorre de 15 de maio a 15 de junho.
Para os alunos que já frequentam as turmas da EBS da Calheta a matrícula faz-se de forma automática, sendo o procedimento realizado na entrega das avaliações do terceiro período.
Para os alunos que transitam de outros estabelecimentos de ensino ou ingressam pela primeira vez na escola, os Pais/Encarregados de Educação, deverão entregar até 15 de junho a seguinte documentação:
Boletim de matrícula devidamente preenchido.
Declaração de atualização do boletim de vacinação, passada pela Unidade de Saúde da Ilha de São Jorge.
Podem dirigir-se aos Serviços Administrativos da escola, no horário de atendimento ao público (das 9:00h às 13:00h e das 14:00h às 17:00h) ou enviar a referida documentação para o email: ebs.Calheta@edu.azores.gov.pt
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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