Nº 1199

 

PORQUE MORREU JESUS?

«É extremamente estranho que o Credo não diga nada sobre a vida de Jesus, e passe diretamente de "nasceu" a "padeceu". A nossa fé não deve abstrair-se da vida de Jesus, pois a verdadeira encarnação tem lugar em toda a vida, e a cruz é a sua consequência. É verdade que todo aquele que nasce padece. Mas não é verdade que, como entendeu uma espiritualidade demasiado dolorista e penalizante, nascemos para sofrer e soframos para expiar culpas.

Entre o "nasceu" e o "padeceu" está toda a vida de Jesus (tanto privada como pública). Jesus não nasceu para sofrer, nem sofreu para expiar. Nasceu para viver, e morreu pela vida que levou. E na vida que viveu encarnou Deus como o Mistério do Ser ou da Vida. E porque viveu encarnando a Compaixão para com os últimos, os poderes da morte fizeram-no sofrer.

Jesus não morreu por desígnio ou por "vontade" divina. Não morreu por uma suposta "necessidade expiatória". Não morreu em "sacrifício pelos nossos pecados", por exigência de um "Deus" ofendido e cruel. Jesus morreu por ter sido amigo da vida até ao fim, por se ter feito solidário dos feridos e excluídos da vida.

Morreu por ter anunciado a libertação dos pobres, a misericórdia de Deus gratuita e o perdão sem condições. Morreu por ter partilhado a mesa com os impuros e condenados, por ter aberto as portas do banquete messiânico aos "publicanos e prostitutas", antes mesmo dos justos (Mt 21,31).

Morreu por ter colocado a vida acima das leis de pureza, o espírito acima da lei, a fé simples acima do templo com todo o seu sistema sacrificial e sacerdotal, a esperança dos pobres acima dos interesses do império.

Jesus "não morreu na cama, nem foi atropelado por um camelo em Jerusalém" (L. Boff). Ele foi crucificado como escravo ou como político sedicioso, com o consentimento e a cumplicidade do poder religioso».

Joxe Arregui

MEDITAR

O Senhor abre as portas das nossas prisões

Uma armadilha bem calculada: “qualquer que seja a decisão, o mestre, vai ser contra Deus ou contra o homem". Trouxeram-lhe uma mulher ... e colocaram-na no meio. Mulher sem nome, que para os escribas e fariseus, não é uma pessoa, é o seu pecado; na verdade, é uma coisa que é levada, carregada, colocada aqui ou ali, qualquer lado serve. Até se pode matar. São funcionários sagrados, tornados fundamentalistas de um Deus terrivelmente errado. "Mestre, em tua opinião, será justo matar ...?" . Aquela mulher estava errada, mas o seu assassinato seria muito mais grave do que o pecado, que queriam punir.

Jesus inclinou-se e escreveu com o dedo no chão ..., mostrando assim o caminho: convida todos a baixarem-se, a ficarem calados, a aproximarem-se não de um código penal, mas do mistério daquela pessoa.

"Quem de vós estiver sem pecado que atire a primeira pedra". Jesus deita fora toda a velha ordem legal com uma única frase, palavras definitivas e tão verdadeiras que ninguém pode rebater. E todos eles se foram embora.

Então Jesus levanta-se, fica ao nível do coração da mulher, ao nível dos seus olhos, para ficar mais perto dela; levanta-se com todo o respeito como devido a um príncipe, e chama-a de "mulher", como fará com a sua mãe: Ninguém te condenou? Também Eu não o faço.

Aqui está o verdadeiro mestre, que não se impõe como juiz, que não condena nem mesmo absolve; mas faz outra coisa: liberta o futuro daquela mulher, mudando não o passado mas o futuro: Vai e de agora em diante não peques mais: poucas palavras mas suficientes para reabrir a vida.

O Senhor sabe mais uma vez como surpreender o nosso coração fariseu: não pede que a mulher confesse o pecado, não pede que ela o expie, nem sequer lhe pergunta se está arrependida. É uma filha em risco de vida, e isso é suficiente para Aquele que veio salvar. E a salvação é largar as velas (eu sou a vela, Deus o vento): na verdade, não pergunta de onde vêm, mas para onde é a sua direção; não lhe pergunta o que fez, mas o que fará.

E volta-se para a luz profunda daquela criatura, mergulha a sua caneta como um escriba sábio: "Escrevo com uma pequena balança como a dos joalheiros. Num prato coloco a sombra, no outro a luz. Um grama de luz faz de contrapeso a vários quilos de sombra ... "(Ch Bobin). Escreve no seu coração a palavra "futuro" Diz-lhe: "Mulher, és capaz de amar, podes amar bem, amar muito. Isso é o que vais fazer ...

Jesus abre as portas das nossas prisões, desmantela os patíbulos para os quais frequentemente nos arrastamos, a nós e aos outros. Ele sabe bem que somente homens e mulheres perdoados e amados podem espalhar perdão e amor ao seu redor. Os dois únicos dons que não nos tornarão mais vítimas. Que não provocarão mais vítimas nem dentro, nem fora de nós.

 

Ermes Ronchi

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Sim, às vezes a vida...

 

É como um segredo ao ouvido, que é contado com um jeitinho de amor. 

Onde o toque suave do essencial, resplandece cheio de cor. 

 

Sim, às vezes a vida é como um carrossel, onde a coragem de pedir a Deus que conte uma história, torna cada momento mais simples e eterno.

 

É assim um ouvir com o coração. 

É um olhar para o que se vê e para o que não se vê, também. 

É estar perto e não ver nada ao longe. 

É estar longe e sentir tudo de perto. 

 

Sim, às vezes a vida é roda certeira,

Gira e avança, sem tréguas ou fim.

É a manhã de luz perfeita. 

É a noite, onde Deus nos diz...sim! 

 

Carla Correia (Adaptado)


 

INFORMAÇÕES

CONFISSÕES

Ribeira Seca - 11 de abril, a partir das 18 horas seguidas de eucaristia.

 

PEREGRINAÇÃO JUBILAR -13 de abril

No dia 13 de abril, Domingo de Ramos, teremos a Peregrinação Jubilar ao Santuário da Caldeira de Santo Cristo, as paróquias de Manadas, Calheta e Ribeira Seca, juntamente com as comunidades de Biscoitos, Portal, Fajã do Vimes, Loural e Ermida de Santo António.

Vamos sair da Fajã do Cubres por volta das 14 horas em propósito de peregrinação e à chegada ao Santuário teremos a Eucaristia.

Temos o propósito de receber as graças do ano Jubilar da Esperança.


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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