Nº 1198

E DEUS DANÇA...
Acredito que somos infinitamente amados por um Deus fora-da-lei
corre ao nosso encontro e dança enquanto nos abraça…
Acredito num Deus FELIZ
não guarda memória nem ofensa dos nossos passos mal andados…
Acredito num Deus que nos oferece a Vida como FESTA!
Todos os dias!
Mas, na Festa da Vida, só dançam os LIVRES
e, na lógica do Seu Reino só entra quem quer…
Fui ter com meu pai
apresentei-lhe as mãos e disse: dá-me da tua vida a parte que me cabe
meti os pés em descaminho, tropecei
bati de frente
as mãos não me defenderam
cheias que estavam de estrelas cadentes
ocupadas de mim
transbordavam vazias
não se vendem abraços
não se compra Vida
grande era a fome e a sede de Alegria
um dia caí em mim
levantei-me
sacudi o medo, engoli o orgulho
dancei a Esperança com pequenos passos incertos
inventei um caminho novo
corri a recomeçar-me
de longe, o “Amor que é para sempre” passou em corrida por cima da Lei
atirou p’ra longe o cansaço da espera que o tempo não mede e cobriu-me de beijos.
Num abraço renascemos. Um abraço nos devolveu um ao outro. VIVOS!
a FESTA abriu as portas…saiu!
a ALEGRIA pulou por cima dos muros…cantou!
a VIDA espalhou-se em Boa Notícia… dançou!
meu irmão veio de longe
mas ficou longe…
com os pés colados ao chão...
Glória Marques
MEDITAR
Um Pai que à sua volta quer filhos, não servos
A parábola mais famosa, mais bela e mais inquietante articula-se em quatro sequências narrativas.
Primeira cena. Um pai tinha dois filhos. Um começo que imediatamente causa tensão: no Livro as histórias dos irmãos nunca são fáceis, muitas vezes falam de violência e mentiras. E no fundo a dor muda dos pais, deste pai tão diferente: não impede a decisão do jovem; dá-lhe como esposa a sua própria liberdade, e como um dote não devido cede-lhe metade dos bens da família.
Segundo quadro. O jovem inicia a jornada da vida, mas as suas escolhas são erradas (desperdiça o seu dinheiro vivendo como um devasso) ocasiona uma perda de humanidade: o príncipe sonhador torna-se um servo, um porqueiro que rouba bolotas para sobreviver. Então entra em si, e revê a casa do seu pai, sente o cheiro do pão.
Há pessoas no mundo com tanta fome que para elas Deus (ou o pai) só pode ter a forma de um pão (Gandhi). Decide tentar, não vai pedir para ser o filho de ontem, mas um dos servos de agora: trata-me como um assalariado! Não ousa mais procurar um pai, apenas procura um bom patrão. Não volta porque entendeu, volta pela fome. Não por amor, mas pela morte que caminha pacientemente a seu lado.
Terceira sequência. O ritmo da história muda, a ação torna-se iminente.
O filho parte e o pai, que o espera eternamente recetivo, dá por ele enquanto ainda está longe e corre ao seu encontro. O homem anda, Deus corre. O homem começa, Deus já chegou.
E ele já perdoou antes de sermos como somos, antes mesmo de abrirmos a boca. O tempo do amor é antecipar, deitar os braços ao pescoço, uma ânsia de carícias depois da longa ausência. Não pergunta: de onde vens, mas: para onde vais? Não pergunta: por que o fizeste? Mas: queres reconstruir a casa?
A Bíblia parece preferir histórias de reconciliação a histórias de fidelidade inquebrantável. Não há personagens perfeitos na Bíblia, o Livro está cheio de pessoas recolhidas dos pântanos, das cinzas, de uma cisterna no deserto, de um ramo de sicómoro, e do seu recomeço sob o vento de Deus.
A última cena passa-se em torno de outro filho, que não sabe sorrir, que não tem música dentro de si, que pesa e mede tudo com um coração mercenário.
Mas o pai, que quer os filhos por perto e não servos, sai e implora docemente que ele entre: vem, está na mesa a vida. É a modernidade de um final em aberto.
O pai da parábola está certo? Deus é assim? Tão excessivo, tanto, tão além? Sim, é essa a imensa revelação pela qual Jesus dará a sua vida: Deus é amor, exclusivamente amor. O amor não é justo, está sempre além, cem vezes mais, é excesso.
Mas este é precisamente o Deus de Jesus, o Deus que me apaixona.
Ermes Ronchi
Salmo do Caminho Partilhado
Livra-nos, Senhor, dos fariseus de ontem e de hoje,
dos que impõem fardos mas não os carregam,
dos que falam de amor mas não amam,
dos que pregam unidade mas caminham sozinhos.
Tu chamas-nos, Senhor, a sermos um só corpo,
a passar do “eu” ao “nós”,
a deixar de apontar e começar a abraçar,
a não dizer “façam” mas “façamos”,
a não mandar, mas servir com humildade.
Ensina-nos a caminhar juntos,
a escutar sem julgar,
a olhar com ternura,
a construir com as nossas vidas a Igreja que sonhas.
Que não busquemos os primeiros lugares,
nem aplausos, nem honras,
senão o prazer de servir sem sermos vistos,
a alegria de amar sem condições.
Senhor, que a nossa fé não seja de aparências,
mas de gestos concretos,
de mãos estendidas,
de corações abertos,
de caminhos partilhados.
Livra-nos, Senhor, da hipocrisia,
do orgulho que divide,
da soberba que isola,
e faz-nos humildes,
para caminhar contigo e com os irmãos.
Mirza Deras, r.a
PENSAMENTO DA SEMANA
“O nosso corpo é semelhante a Maria: cada um tem um Jesus no seu interior, mas este não pode nascer até que as dores de parto não se manifestem em nós”.
Toda a mulher e todo o homem são chamados a encarnar Deus. E ser de carne, como somos, não é de todo um obstáculo, senão um caminho. Somos chamados a acolher e a conceber a Deus na nossa carne ferida e virgem.
Todos somos chamados a acolhê-lo no mais carnal e no mais espiritual, pois ambas as coisas nos constituem e são inseparáveis. Somos chamados a acolher, conceber e encarnar a Deus como o acolheu, o concebeu e o encarnou Maria.»
Joxe Arregui
INFORMAÇÕES
CONFISSÕES
Calheta - Celebração Penitencial no dia 4 de abril a partir das 19 horas.
Biscoitos - Dia 7 de abril a partir da 18 horas.
Manadas - Dia 7 de abril a partir das 19 horas.
SOPAS ESPÍRITO SANTO
A Sociedade União Popular da Ribeira Seca vai realizar um Take Away de Sopas do Espírito Santo para o próximo, dia 6 de abril, para angariação de fundos. Quem quiser colaborar pode contactar a direção até ao próximo dia 1 de abril.
MERCADO DE SABORES
A Marcha dos Amigos da Ribeira Seca vai organizar o mercado de sabores no Centro Cultural da Calheta no dia 5 de abril.
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Nº 1276Pensamento da Semana
PENSAMENTO DA SEMANA
Abraçarem-te a alma
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.
Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.
Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.
Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.
Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.
Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.
Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.
Abraçarem-te a alma.
Sabes o que é?
A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.
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