Nº 1196

 

FILHO MEU QUE ESTÁS NA TERRA

«Aqui estamos no meu ponto de chegada que é o nosso ponto de partida.

Vamos celebrar juntos a tua Quaresma e a nossa Páscoa, e sonhar juntos o sonho da paz.

Para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade, e para te dizer que te amo, sem medo das palavras e sem medo dos afetos. Este que parecia ser o meu fim, foi o nosso início, o meu e o teu, na construção do Reino.

Não! Não vim porque o Pai estava zangado contigo por causa de uma “maçã”; nunca deixes que te digam isso. Vim porque tu estavas zangado contigo, porque quiseste ser Deus antes de ser “pessoa”, quiseste chegar ao céu, sem tocar a terra, quiseste ser eternidade sem transformar o tempo, percebes isto?

Não! Não vim para te livrar de uma qualquer condenação divina! Vim para te livrar da tua condenação humana de ter medo de Deus e de ter medo de “ser” com o outro…

Daqui, desta cruz a que me condenaram os senhores do tempo em conluio com os senhores do templo, convido-te a vires comigo a “descondenar” a história e a “descrucificar” o mundo; o mundo de tantos condenados pelos mesmos que me condenaram a mim, convencidos que são os novos deuses... Anda daí!

Daqui, quero partir contigo, numa viagem que ninguém mais pode interromper. Aqui cheguei voluntariamente. Ninguém me “tirou” a vida, não vim para morrer às mãos de um Pai tirano. Fui eu que me entreguei, fiel a mim e à minha missão até ao fim, e fiel a ti até à eternidade. Eu vim para que tenhas vida, e a tenhas em abundância.

Entreguei-me também por eles, os que não sabiam o que faziam, mas sobretudo por ti, a quem tantos continuam sem saber o que fazem.

Como vês, estamos juntos.

Tal como disse a Moisés no Sinai, desci para te libertar, desci para te fazer subir, desci, morri e ressuscitei, porque ouvi, vi e conheço o teu sofrimento e os teus gritos diante dos teus algozes; para que não tenhas dúvidas e saibas em quem acreditaste.

Desci para te abraçar, com este abraço sonhado por mim desde toda a eternidade e esperado por ti, desde a eternidade que és tu, porque eu te amei com amor eterno!

Fr. Fernando Ventura in revista Bíblica 399 (Adaptado)

 

MEDITAR

Viver a beleza é libertar a luz dentro de nós

Muitas igrejas orientais têm nas paredes um caminho de fé através de imagens, no final das quais se destaca, seja pintada na cúpula central no ponto mais alto, ou representada como um mosaico dourado para preencher a abside atrás do altar, cume e remate da linha da igreja como itinerário de luz, a imagem da Transfiguração de Jesus no Monte Tabor, com os três discípulos no chão, vítimas do espanto e da beleza.

Um episódio em que Jesus, o rosto firme e puro do homem, resume o caminho do crente: a nossa meta está consagrada numa palavra que no Ocidente já não ousamos pronunciar, e que os místicos e os Padres do Oriente não têm medo de chamar "theosis", literalmente "ser como Deus", divinização. Mas um poeta atreve-se: Dante inventa um belo verbo “altear-se" do homem, paralelamente ao encarnar-se de Deus; ou: "Eu não sou / ainda e nunca / o Cristo / mas sou essa / possibilidade infinita". (D.M. Turoldo).

Não nos é dada a oportunidade de ser Cristo. De facto, toda a criação aguarda a revelação dos filhos de Deus, espera que a criatura aprenda a superar o seu próprio ego, até que Cristo seja tudo em todos. Ele subiu uma montanha com eles para orar. A montanha é o lugar onde o primeiro raio de sol chega e os últimos permanecem. Jesus sobe para rezar como um mendigo da luz, um mendigo da vida.

Como nós: o nosso nascimento é um "vir à luz"; o parir das mulheres é um "dar à luz", viver é um amanhecer contínuo. Na luz, que é o primeiro, o símbolo mais antigo de Deus, viver é o esforço áspero e alegre de libertar toda a luz enterrada dentro de nós. Rabi, como é bom estar aqui! Façamos três tendas.

O entusiasmo de Pedro, a sua exclamação atónita: que lindo! mostra-nos claramente que a fé, para ser visível e vigorosa, para ser pão e uma nova visão das coisas, deve vir de um espanto, de um enamoramento, de um 'que belo!' Gritado de coração pleno. É bom estarmos aqui. Experiência da beleza e do lar, sentir-se em casa na luz, que não faz violência, repousa sobre as coisas e as acaricia, e traz à tona o seu lado mais belo.

“Tu és a beleza", rezava São Francisco, "és um Deus para ser apreciado, para ser provado, para nos maravilhar, para estar vivo". É bom estar aqui, estar conTigo, e é belo também estar neste mundo, nesta humanidade doente, mas esplêndida, bárbara e magnífica, na qual, porém, lançastes as sementes da tua grande beleza.

Esta imagem do Tabor de luz deve permanecer viva nos três discípulos e em todos nós; viva e pronta para os dias em que o rosto de Jesus em vez de luz derramará sangue, como foi então no Horto das Oliveiras, como acontece hoje nas infinitas cruzes onde Cristo ainda é crucificado nos seus irmãos. Mãe de grande esperança.

Ermes Ronchi

 

Esperar o impossível

Só haverá cristianismo real quando existirem pessoas que, no segredo da sua intimidade, se atreverem a esperar o impossível.
Da mesma maneira que não era possível que um condenado a um suplício de escravo fosse ressuscitado pelo próprio Deus, contra a expectativa dos peritos da religião do tempo, do mesmo modo é impossível que hoje a tendência destrutiva da história se detenha e se inverta.
É impossível que o que já aconteceu seja desfeito.
É impossível que os atraiçoados recuperem a confiança.
E, sobretudo, é impossível e escandaloso que os pecadores possam ser convidados para o banquete eterno do perdão e se sentem ao lado dos justos (mesmo que chamados a toda pressa, passada a undécima hora!).
É impossível que as oportunidades perdidas em todas as vidas se repitam, regressem, e sejam superadas.

E é impossível o Reino dos Céus.

Mas se acreditamos que o impossível é possível…
            Só uma liberdade assumida até às últimas consequências fala eloquentemente de Deus no meio das ruínas.

Miguel García-Baró (adapt.)

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 E tu, fazes exame de consciência?

Sim, aquele que na quietude do silêncio nos incita a parar e refletir com profundidade sobre o nosso dia!

Agradeço e pergunto-me:

*como foi?

*o que poderia ter feito diferente?

*porque o fiz?

*o que devo manter?

*o que devo melhorar?

Peço perdão e a luz do Espírito Santo para me guiar por "sendas direitas", para me fortalecer e para me transformar cada dia num ser humano melhor.

Novo dia, novo recomeço, nova oportunidade de evolução, de dar, de receber, de fazer a diferença (mesmo que pareça que não), de agradecer e voltar a pedir perdão!

Errar torna-nos humanos, reconhecer verdadeiramente esses "erros" ,  quero crer que nos aproxima um pouquinho mais de Deus!

Lucília Miranda


 

INFORMAÇÕES

 

PEREGRINAÇÃO JUBILAR -13 de abril

No dia 13 de abril, Domingo de Ramos, teremos a Peregrinação Jubilar ao Santuário da Caldeira de Santo Cristo, as paróquias de Manadas, Calheta e Ribeira Seca, juntamente com as comunidades de Biscoitos, Portal, Fajã do Vimes, Loural e Ermida de Santo António.

Vamos sair da Fajã do Cubres por volta das 14 horas em propósito de peregrinação e à chegada ao Santuário teremos a Eucaristia.

Temos o propósito de receber as graças do ano Jubilar da Esperança.


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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