Nº 1191

 

O abraço de um amigo

Um abraço sincero vale mais do que mil beijos de cortesia ou um milhão de palavras de apoio, e é a prova de um amor profundo, sendo a forma mais simples de dois corações baterem um junto do outro.

Na alegria, com um abraço, procuramos dar o que transborda em nós. Na tristeza, com um abraço, procuramos o que nos falta.

Só sabemos se um amigo é bom nos maus momentos; alguns precisam de muito pouco para saber que precisamos deles e vêm tão rápido quanto possível até nós.

Face à fraqueza ou exaustão das nossas forças, colocam os seus braços à nossa volta, ao nosso serviço, e amam-nos ao tentarem ficar com as nossas dores, carregando a nossa cruz… Mas há uma estranha sensação quando, com a nossa ajuda, o nosso amigo toma sobre si a sua dor e a consegue levar sozinho e, por vezes, até com um sorriso de coragem.

Se queres saber quem é alguém, repara em quem são os seus amigos e por que razão o são. O amor não é uma troca nem um seguro de assistência; é um compromisso de dar, de se dar, e, se tiver de se sofrer pelo outro, sofre-se, porque se sabe, com certeza, que só amando se pode chegar a ser feliz.

Feliz de quem tem com quem ser metade de um abraço! É só nos braços de alguém a quem também quero envolver nos meus braços que me sinto a caminho do céu.

Tens um bom amigo?

E tu, és um bom amigo?

Se o fores, então também os terás.

Neste instante, quem são aqueles que o teu coração tem vontade de abraçar?

Sabes mesmo quem são aqueles cujo coração, neste instante, tem vontade de te abraçar?

José Luís Nunes Martins

 

MEDITAR

A força do Evangelho

O episódio de uma pesca surpreendente e inesperada no lago da Galileia foi relatado pelo evangelista Lucas para encorajar a Igreja quando sente que todos os seus esforços para comunicar a sua mensagem falham. O que nos é dito é muito claro: devemos colocar a nossa esperança na força e atratividade do Evangelho.

A história começa com uma cena insólita. Jesus está em pé na margem do lago, e as pessoas vão-se aglomerando à volta Dele para ouvir a Palavra de Deus. Não veem movidas pela curiosidade. Não se aproximam para ver prodígios. Eles só querem ouvir de Jesus a Palavra de Deus.

Não é sábado. Eles não estão reunidos na sinagoga próxima de Cafarnaum para ouvir as leituras que são lidas às pessoas durante todo o ano. Eles não subiram a Jerusalém para ouvir os sacerdotes do Templo. O que os atrai tanto é o Evangelho do Profeta Jesus, rejeitado pelos vizinhos de Nazaré.

Também a cena da pesca é insólita. Quando à noite, na hora mais favorável para pescar, Pedro e os seus companheiros trabalham por sua conta, não obtêm resultados. Quando, de dia, eles lançam as suas redes confiando apenas na palavra de Jesus que guia o seu trabalho, produz-se uma pesca abundante, contra todas as suas expectativas.

Na análise dos dados que mostram cada vez mais evidente a crise do cristianismo entre nós, há um facto inegável: a Igreja está a perder de forma imparável o poder de atração e de credibilidade que ela tinha há alguns anos atrás. Não nos devemos enganar.

Nós, cristãos, temos verificado que a nossa capacidade de transmitir a fé às novas gerações diminui constantemente. Não tem havido falta de esforços e iniciativas. Mas, aparentemente, não se trata apenas nem primordialmente de inventar novas estratégias.

Chegou o momento de lembrar que no Evangelho de Jesus há uma força de atração que não há em nós. Esta é a questão mais decisiva: continuamos a «fazer as coisas» a partir de uma Igreja que está a perder a atratividade e a credibilidade, ou colocamos todas as nossas energias na recuperação do Evangelho como a única força capaz de gerar fé nos homens e mulheres de hoje?

Não deveríamos colocar o Evangelho no primeiro plano de tudo? O mais importante nestes momentos críticos não são as doutrinas elaboradas ao longo dos séculos, mas a vida e a pessoa de Jesus. O decisivo não é que as pessoas venham participar das nossas coisas, mas que possam entrar em contacto com Ele. A fé cristã só se desperta quando as pessoas encontram testemunhas que irradiam o fogo de Jesus.

José Antonio Pagola

 

 

 

Deus Bom, inesperada e escandalosamente Bom

 

Deus dos malditos e dos impuros,

das prostitutas e dos cobradores de impostos,

dos samaritanos e dos pagãos,

das mulheres e das crianças...

És para uns Deus dos puros,

para outros, Deus dos religiosos,

para outros ainda, Deus dos que prestam cultos ou defendem leis em Teu Nome…

para quase todos, Deus dos bons…

mas na Vida de Jesus mostras-Te Deus para os que sofrem,

puros ou impuros, religiosos ou ateus, bons e maus!

É na vida desses, dos que sofriam,

que o Encontro com Jesus acontecia como Boa Notícia – Evangelho –

o Teu Reino se inaugurava e o Teu Amor se mostrava eficaz.

E acredito que, por cima de tudo o que podem dizer de Ti,

continuas a ser o Deus de Jesus,

o Deus do “tal” Reino que ele amava e expandia nos seus gestos…

e, por isso, continuas a ter o Coração inclinado para os que sofrem.

Nenhum incenso da terra Te verga,

nenhuma liturgia Te instala nos louvores de Ti mesmo,

nenhuma posição de domínio Te pode algum dia dominar a Ti,

nenhum doutrinador consegue obrigar-Te

a ser o que não és ou fazer o que não amas…

É o choro dos entristecidos que Te faz debruçares-Te permanentemente sobre nós,

são as dores dos que sofrem que fazem com que o Trono Divino que as religiões Te oferecem esteja sempre vazio,

são os gritos dos Teus filhos que Te revolvem as entranhas num poder infinito de Te compadeceres e viveres connosco o que não aguentaríamos sozinhos...

Rui Santiago cssr, in Derrotar Montanhas

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

POÉTICA DO CUIDADO

 

Que a palavra que limpa as feridas,

seja bastão seguro para algumas pernas fracas,

lente para aqueles olhos

a que a névoa tira a vista,

altifalante de gargantas sem sino,

lenço dessas lágrimas

que não esperam chegar ao mar,

e colher que não hesita

diante de bocas fechadas

que se negam para a vida.

E que o homem que leve às costas

a mochila com as lentes e bastões,

altifalantes, lenços e colheres,

de seus silêncios faça

escola de segredos

e trono de humildade.

Francisco Caro


 

INFORMAÇÕES

 

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 16 de fevereiro, às 15h30 horas.


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Nº 1276

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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