Nº 1190

 

SÓ O AMOR É VERDADEIRAMENTE MODERNO

"O amor é a única coisa no mundo que não pode ser comprada com dinheiro. A única grande riqueza que pertence verdadeiramente a cada pessoa. O único recurso capaz de nos tornar inteligentes e verdadeiramente humanos. [...]

É dessa força assombrosa que nasce a nossa vida, mas muitas vezes ela cresce em nós como uma planta selvagem que, por falta de cuidados, enlouquece, morre ou mata.

Acredito com todas as minhas forças que só o amor nos permite crescer e evoluir e que só o amor é verdadeiramente científico.

Só o amor é moderno e revolucionário.

Só o amor liberta e cura.

Só o amor nos torna justos, livres e humanos.

Só o amor dá vida e vontade de viver.

Só o amor nos faz felizes.

Só o amor civiliza.

O amor não custa um cêntimo. Gera ideias, inspira audácia, estimula a criatividade, cria iniciativas e faz crescer asas.

O amor leva a fazer coisas aparentemente impossíveis, a superar as provas mais duras e a sofrer tudo, até a própria morte. [...]

O amor ilumina e embeleza tudo.

O amor dá força e coragem, vence o medo, transforma os desertos em vales férteis e faz de todos os seres humanos cidadãos do universo.

Tudo é possível para aqueles que amam.

Não é raro que homens e mulheres que tiveram uma profunda experiência espiritual afirmem com toda a certeza que Deus é Amor. Dizem que se o mundo está cheio de sofrimento e de morte, não é porque não existe Deus, nem porque Deus não seja Amor, mas porque nós, humanos, não fizemos do amor a razão da nossa vida.[...]

O nosso mundo deposita cegamente as suas esperanças na ciência e na tecnologia para se tornar cada vez mais livre e assegurar um futuro glorioso, mas parece que, onde o progresso material avança, a capacidade de amar retrocede muitas vezes e surgem novas escravidões. Não há dúvida de que a ciência e a tecnologia são as grandes asas da nave do futuro, mas a única energia capaz de impedir que o mundo caminhe para a sua própria destruição só pode ser o amor.

O amor é o futuro do mundo.

Eloy Roy, in Fé Adulta (Adaptado)

MEDITAR

Guardadores do espanto

Maria e José levaram o Menino a Jerusalém, para o apresentar ao Senhor (Lucas 2,22-40). Um casal jovem, com a sua primeira criança, chega com a pobre oferta dos pobres, duas rolas, e o mais precioso dom do mundo: uma criança.

No limiar, dois anciãos à espera, Simeão e Ana. Que aguardavam, diz Lucas, «porque as coisas mais importantes do mundo não são para procurar, mas para esperar» (Simone Weil). Porque quando o discípulo está pronto, o mestre chega.

Não são os sacerdotes a acolher o Menino, mas dois leigos, que não desempenham qualquer papel oficial, mas são dois enamorados de Deus, olhos velados pela velhice, mas ainda acesos de desejo.

Ela, Ana, é a terceira profetiza do Novo Testamento, depois de Isabel e Maria. Porque Jesus não pertence à instituição, não é dos sacerdotes, mas da humanidade. É Deus que se encarna nas criaturas, na vida que acaba e naquela que floresce.

Jesus «é nosso, de todos os homens e de todas as mulheres. Pertence aos sedentos, aos sonhadores, como Simeão; àqueles sabem ver para além, como Ana; àqueles capazes de se encantar diante de um recém-nascido, porque sentem Deus como futuro e como vida» (M. Marcolini).

Simeão pronuncia uma profecia de palavras imensas sobre Maria, três palavras que atravessam os séculos e chegam a cada um de nós: o Menino está aqui como queda e ressurreição, como sinal de contradição para que sejam desvelados os corações.

Queda é a primeira palavra. «Cristo, minha doce ruína», canta o P. Turoldo, que arruínas não o homem mas as suas sombras, a vida insuficiente, a vida moribunda, o meu mundo de máscaras e mentiras, que arruínas a vida iludida.

Sinal de contradição, a palavra segunda. Ele que contradiz as nossas vidas com a sua vida, os nossos pensamentos com os seus pensamentos, a falsa imagem que alimentamos de Deus como rosto inédito de um paizinho (“abbà”) de braços grandes e coração de luz, contradição de tudo aquilo que contradiz o amor.

Ele está aqui para a ressurreição, é a terceira palavra: para Ele ninguém é dado por perdido, ninguém está acabado para sempre, é possível recomeçar e ser novo. Será uma mão que te tomará pela mão, que repetirá a cada aurora aquilo que disse à filha de Jairo: “Talità kum”, menina, levanta-te! Jovem vida, levanta-te, ergue-te, aparece, resplandece, retoma a estrada e a luta.

Três palavras que dão respiração à vida. Festa da Apresentação. O Menino Jesus é levado ao templo, perante Deus, porque não é simplesmente o filho de José e Maria: «Os filhos não são nossos» (Kalil Gibran), pertencem a Deus, ao mundo, ao futuro, à sua vocação e aos seus sonhos, são a frescura de uma profecia “biológica”. A nós cabe proteger, como Simeão e Ana, pelo menos o espanto.

Ermes Ronchi

 

JESUS CAMINHANDO

Quando Jesus adentrou a vastidão selvagem

carregava um homem às costas,

ou algo que do homem tinha a forma,

talvez um pescador com o nariz molhado,

talvez um padeiro com farinha nos olhos.

O homem estava aparentemente morto

apesar de imortal.

Jesus carregava muitos homens

apesar de um só homem carregar -

a ser verdade que era um homem.

Aí na vastidão selvagem todas as folhas

estenderam as suas mãos

mas Jesus continuou a caminhar.

As abelhas chamaram-no para o seu mel

mas Jesus continuou a caminhar.

O javali arrancou o coração e ofereceu-lho

mas Jesus continuou a caminhar

com a pesada carga às costas.

O diabo acercou-se e esbofeteou

mas Jesus continuou a caminhar.

O diabo construiu uma cidade de prostitutas

deitadas em pequenas camas de anjo

mas Jesus continuou com a carga às costas.

Quarenta dias e quarenta noites

caminhou Jesus pé ante pé,

e o homem que carregava,

a ser verdade que era um homem,

tornou-se mais e mais pesado.

Carregava todas as árvores do mundo

que são uma só árvore.

Carregava quarenta luas

que são uma só lua.

Carregava todas as botas

de todos os homens do mundo

que são só uma bota.

Carregava-nos no sangue.

Um só sangue.

Rezar, sabia Jesus,

é ser um que carrega outro homem.

Anne Sexto

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

O Amor nosso de cada dia nos dá hoje:

- Como pão que se amassa com cuidado

e, partido, mata a Fome e a Injustiça.

- Como arte de viver em comunhão.

- Como sangue que circula corpo a corpo

num mistério gerador de comPaixão

O Amor nosso de cada dia nos dá hoje:

- Como pele que se perde e se renova

em viagem que não vem em nenhum mapa.

- Como prisão que nos prende e nos liberta,

Fidelidade em cada hoje prometida

e experimentada em cada passo que se dá…

O Amor nosso de cada dia nos dá hoje,

porque amanhã palavras outras nós diremos

e em querer novo, serão novos os abraços…

E Tu, Senhor de cada dia, Senhor de cada noite,

Traz em sussurro a certeza adivinhada

de que só o Amor põe no Tempo Eternidade…

Amen!

Gloria Aleluia


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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