Nº 1186

 

O CAMINHO DA FELICIDADE

«Não é difícil desenhar o perfil de uma pessoa feliz na sociedade do tempo de Jesus. Seria o caso de um homem adulto e de boa saúde, casado com uma mulher honesta e fecunda, com filhos homens e terras ricas, observante da religião e respeitado no seu povoado. O que mais se podia pedir?

Certamente não era este o ideal ao qual Jesus aspirava. Sem esposa nem filhos, sem terras nem bens, percorrendo a Galileia como um pregador itinerante, a sua vida não correspondia a nenhum tipo de felicidade convencional. A sua maneira de viver era provocadora. Se era feliz, era-o contracorrente, ao revés do estabelecido.

Na verdade, Ele não pensava muito na sua felicidade. Sua vida girava muito mais em torno de um projeto que o entusiasmava e o fazia viver intensamente. Esse projeto chamava-se “Reino de Deus”. Parece que só era feliz quando podia fazer felizes os outros. Sentia-se bem devolvendo às pessoas a saúde e a dignidade que lhes foram arrebatadas injustamente.

Não buscava o seu próprio interesse, mas vivia criando novas condições de felicidade para todos. Não sabia ser feliz sem incluir os outros. Propunha a todos critérios novos, mais livres e radicais, para construir um mundo mais digno e feliz.

Acreditava num “Deus feliz”, o Deus Criador que olha com amor entranhável todas as suas criaturas, o Deus amigo da vida e não da morte, mais atento ao sofrimento das pessoas do que aos seus pecados.

A partir da fé nesse Deus, rompia os esquemas religiosos e sociais. Não pregava “Felizes os justos e piedosos, porque receberão o prémio de Deus”. Não dizia “Felizes os ricos e poderosos, porque contam com a bênção de Deus”. O seu clamor era desconcertante para todos: “Felizes os pobres, porque Deus será a sua felicidade”.

O convite de Jesus diz isto: “Não busqueis a felicidade na satisfação dos vossos interesses, nem na prática interesseira da vossa religião. Sede felizes trabalhando de maneira fiel e paciente por um mundo mais feliz para todos”.»

José António Pagola

 

 

 

 

MEDITAR

O presente mais precioso dos Magos? A sua própria viagem

Epifânia, festa dos que buscam Deus, dos longínquos, que se puseram a caminho seguindo o seu profeta interior, em palavras como as de Isaías. "Levanta a cabeça e olha." Dois lindos verbos: levantar, erguer os olhos, olhar para cima e ao redor, abrir as janelas da sua casa ao grande sopro do mundo. E olha, procura uma fresta, um canto do céu, uma estrela polar, e lá de cima interpreta a vida, partindo de objetivos elevados.

O Evangelho narra a busca de Deus como uma viagem, ao ritmo da caravana, ao ritmo de uma pequena comunidade: caminham juntos, atentos às estrelas e atentos uns aos outros. Olhando para o céu e ao mesmo tempo para os olhos de quem caminha ao lado, abrandando o passo à medida do outro, de quem tem mais dificuldade.

Depois, o momento mais surpreendente: a viagem dos Magos está repleta de erros: perdem a estrela, encontram a cidade grande em vez da pequena aldeia; perguntam a um assassino de crianças sobre o menino; procuram um palácio e encontraram uma casa pobre. Mas têm a paciência infinita para recomeçar.

O nosso drama não é cair, mas render-se às quedas. E eis que viram a criança nos braços de sua mãe, e se prostraram e ofereceram presentes. O presente mais precioso que os Magos trazem não é o ouro, é a sua própria viagem.

Deus quer que O desejemos. Deus tem sede de nossa sede: a nossa dádiva maior. Entrando, viram o Menino e sua mãe e o adoraram. Adoraram um menino. Lição misteriosa: não o homem da cruz, nem o glorioso ressuscitado, nem o sábio com palavras de luz, nem um jovem em pleno vigor, simplesmente uma criança.

Não só no Natal Deus é como nós, não só é Deus-connosco, mas é um Deus pequenino entre nós. E dele não se pode ter medo e não nos podemos afastar de uma criança que ama. Informem-se bem sobre o Menino e depois façam-mo saber para que eu também vá adorá-lo!

Herodes é o matador de sonhos ainda em faixas, está dentro de nós, é aquele cinismo, aquele desprezo que destrói os sonhos e as esperanças.

Gostaria de resgatar estas palavras da sua profecia de morte e repeti-las ao amigo, ao teólogo, ao artista, ao poeta, ao cientista, ao homem da rua, a qualquer um: Encontraste o Menino?

Peço-te, procura ainda, afincadamente na história, nos livros, no coração das coisas, no Evangelho e nas pessoas; busca com cuidado de novo, fixando o abismo do céu e o abismo do coração, e depois conta-me como se conta uma história de amor, para que eu também vá adorá-lo, com os meus sonhos salvos de todos os Herodes da história e do coração.

Ermes Ronchi

 

EPIFANIA DO SENHOR

"Os primeiros a encontrarem Jesus não são os que possuem bilhete de identidade cristão, são os que lhe abrem o coração. (...) Foram gente esquecida e humilde, a narrativa fala de pastores, gente a viver nas periferias dos confortos, os humanos e os espirituais. Também os outros - novamente os estrangeiros – magos, gente que vivia na marginalidade da religião e eram também marginalizados pela religião, mas que acabam por se revelar portadores de um coração mais aberto a Deus do que aqueles que falavam dele e se reuniam em seu nome.

Quem tem um coração aberto e desejoso de encontrar a Salvação mete-se ao caminho, não fica a discutir Deus.

Vai, deixa-te conduzir pela graça divina. Mas antes de te colocares a caminho, esvazia a mochila do teu coração da tralha que te impede caminhar, ainda que impressione o olhar dos homens mas jamais convence os céus, todos esses pechisbeques sociais e também os religiosos que ocuparam o lugar do verdadeiro tesouro.

Vai… a Graça está contigo… um novo ano começa e que se deseja ser Vida Nova… e vai ser, porque Ele está connosco, o Príncipe da Paz… Vai e leva-te apenas a ti mesmo. Tu és o tesouro mais valioso para o Senhor."

Victor Ferreira (adaptado)

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Creio em Deus como a festa maior que há-de vir

e das encruzilhadas em que os pedintes nos surpreendem

creio no amor como fidelidade ao puro dom da graça

creio em Deus, força da vida e madrugada de todas as coisas

creio na reconciliação no amor como poder universal

creio na Páscoa do Espírito e do Fogo

creio no Espírito da diferença irredutível,

no intenso e no profundo que nos liga

ao espaço-tempo da presença-amante

Renuncio à verdade solitária ou particular

renuncio à fé sem amor, que é o puro subjetivismo

renuncio à esperança judiciária, distributiva,

que dá a uns a recompensa e a outros o inferno

renuncio ao fel das relações envenenadas

a sedução do dinheiro que compra a vida e a fama

renuncio a um coração que seja em nós um rio que não corre.

José Augusto Mourão (adaptado)


 

INFORMAÇÕES

 

RECEIETAS

Festa de Santa Catarina - 3.098,00 €

CORTEJO DE OFERENDAS

Fajã dos Vimes - 1.470,00 €

Portal - 1.165,00 €

 

CELEBARÇÕES MÓVEIS

5 de março - Quarta feira de Cinzas

20 de abril - Domingo de Páscoa

1 de junho - Ascensão do Senhor

8 de junho - Domingo de Pentecostes

15 de junho - Santíssima Trindade

19 de junho - Corpo de Cristo (Santíssimo)

27 de junho - Sagrado Coração de Jesus

23 de novembro - Cristo Rei

30 de novembro - I Domingo do Advento

28 de dezembro - Sagrada Família

 


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Nº1280

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Na Escola da Verdade, seja quem for,

há de sentar-se aos pés

do Mestre do Amor.

Fica sabendo: se Deus iluminar o teu coração

com a luz do Seu Amor,

prometo-te que brilharás mais intensamente

do que uma dúzia de sóis.

Não fiques aí sentado, perdido em pensamentos;

levanta-te e mergulha no mar de Deus.

Molhar apenas um fio de cabelo

jamais te dará o conhecimento das profundezas.

Hafiz

 

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