Nº 1185

 

FELIZ ANO  2025

 

 

Confio-Te, Senhor, o próximo ano

Dá-nos sabedoria para apascentar os dias, paciência suficiente para suportar o que deve ser suportado, e um coração puro para acreditar.

Concede que saibamos colocar-nos em humilde relação com as grandes coisas de que a vida é feita.

Que nos sintamos como aprendizes e discípulos da revelação do teu amor que acontece no tempo.

Não nos deixes acomodar: que o conforto da estalagem nunca nos seduza mais do que a beleza da viagem;

que o conhecimento acumulado de ontem não nos dissuada de sairmos para contemplar o novo orvalho que brilha, hoje, nos prados;

que o nosso olhar não esteja fixo no dedo que aponta, mas naquela flor silenciosa que é a lua.

Em cada estação ensina-nos a tomar, a decifrar a noite inteira, não a escuridão mas uma estrela.

Ensina-nos a considerar que não é o mal, mas um traço de bondade, que melhor reflete um coração.

Ensina-nos a prestar atenção ao rebanho de nuvens para compreender que sempre, acima de nós que pisamos o chão, os céus ficam extasiados.

Ensina-nos a não querer ser senhores de nada nem de ninguém, mas sim peregrinos conscientes de que a história a que atracam é uma terra sagrada.

Para quem o quer ouvir, o vento do teu Espírito passa como um assobio primaveril anunciando o degelo.

A nossa existência nunca é tão bela como quando nos olhas, Senhor!

Cardeal D. José Tolentino Mendonça

 

MEDITAR

É em casa que se aprende a arte de amar, de ser feliz

 

A Bíblia está povoada de famílias, de gerações, por histórias de amor e crises familiares, desde a primeira página, onde entra em cena a família de Adão e Eva, com a sua carga de violência, mas também com a força de vida que continua (Amoris laetitia, 1). A Bíblia é uma biblioteca sobre a arte e a fadiga de amar, é a história do amor, vivo e poderoso, encarnado e quotidiano, visível ou secreto. O mesmo acontece no Evangelho de hoje: a história de uma crise familiar, de um adolescente difícil, de dois pais que não entendem o que ele tem no pensamento.

Filho, porque nos fizeste estar angustiados? É a história de uma família que alterna dias serenos, tranquilos e outros dramáticos, como acontece em todas as famílias, principalmente com filhos adolescentes. Mas quem sabe fazer bom uso das crises, fá-lo através de um diálogo sem ressentimentos e sem acusações. Porquê filho? O interesse de Maria não é de censurar, não acusa, não julga, não se deprime porque o filho a fez sofrer, mas procura perceber, compreender, acolher uma diferença difícil.

Não sabiam que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Os nossos filhos não são nossos, pertencem ao Senhor, ao mundo, à sua vocação, aos seus sonhos. Um filho não pode, não deve estruturar a sua vida de acordo com os progenitores. É como parar a roda da criação.

Mas eles não entenderam ... e ainda assim nenhum drama ou pressão emocional, nenhum fecho ao diálogo. Um filho nem sempre é compreensível, mas pode ser sempre abraçado.

Desceram juntos para Nazaré. Começamos de novo, mesmo que nem tudo esteja claro; persevera-se no eco de uma crise, meditando e guardando no coração gestos, palavras e perguntas até que um dia se desenrole o fio de ouro que iluminará e unirá tudo.

Jesus foi com eles, voltou para casa e era-lhes submisso. Há mal-entendidos, há uma dor que pesa no coração, mas Jesus volta com aqueles que não o compreendem. E cresce dentro daquela santa família, mas não perfeita, santa e limitada. São santos, são profetas, mas não se entendem entre si. E surpreendemo-nos por não nos entendermos, às vezes, nas nossas casas? Todos diversamente imperfeitos, mas todos capazes de fazer crescer.

Jesus abandona os mestres da Lei, vai com José e Maria, mestres da vida: ao templo Deus prefere a casa, lugar do primeiro e mais importante ensinamento, onde os filhos aprendem a arte de serem felizes: a arte de amar. Ali Deus encarna, chega-se a mim, toca-me; fá-lo no rosto, nos gestos, no olhar de todos os que me amam e quando lhes sei dizer: não tenhas medo, estou aqui e cuido da tua felicidade é Ele quem oferece alegria a quem produz amor.

Ermes Ronchi

 

Abertura da Porta Santa e Santa Missa na noite de Natal

Irmãs e irmãos, com a abertura da Porta Santa iniciámos um novo Jubileu: cada um de nós pode entrar no mistério desse anúncio de graça. Esta é a noite em que a porta da esperança foi escancarada para o mundo; esta é a noite em que Deus diz a cada um: há esperança também para ti! Há esperança para cada um de nós. Mas não esqueçais, irmãs e irmãos, que Deus perdoa tudo, Deus perdoa sempre. Não esqueçais isto, que é uma maneira de compreender a esperança no Senhor.

Para acolher este dom, somos chamados a pôr-nos a caminho com o espanto dos pastores de Belém. O Evangelho diz que eles, tendo recebido o anúncio do anjo, «foram apressadamente» (Lc 2, 16). Esta é a indicação para reencontrar a esperança perdida, para a renovar em nós, para a semear nas desolações do nosso tempo e do nosso mundo: apressadamente. E existem tantas desolações neste tempo! Pensemos nas guerras, nas crianças metralhadas, nas bombas nas escolas e nos hospitais. Sem demorar, sem abrandar o passo, mas deixando-se atrair pela boa nova.

 Irmãs, irmãos, este é o Jubileu, este é o tempo da esperança! E ele convida-nos a redescobrir a alegria do encontro com o Senhor, chama-nos a uma renovação espiritual e compromete-nos na transformação do mundo, para que este se torne verdadeiramente um tempo jubilar: que seja assim para a nossa mãe Terra, desfigurada pela lógica do lucro; que seja assim para os países mais pobres, sobrecarregados de dívidas injustas; que seja assim para todos aqueles que são prisioneiros de antigas e novas escravidões.

A nós, a todos nós, o dom e o compromisso de levar a esperança onde ela se perdeu: onde a vida está ferida, nas expectativas traídas, nos sonhos desfeitos, nos fracassos que despedaçam o coração; no cansaço de quem já não aguenta mais, na solidão amarga de quem se sente derrotado, no sofrimento que consome a alma; nos dias longos e vazios dos encarcerados, nos aposentos estreitos e frios dos pobres, nos lugares profanados pela guerra e pela violência. Levar esperança nestes lugares, semear esperança nesses locais.

O Jubileu abre-se para que a todos seja dada a esperança, a esperança do Evangelho, a esperança do amor, a esperança do perdão.

Votemos ao presépio, olhemos para o presépio, observemos a ternura de Deus manifestada no rosto do Menino Jesus, perguntemo-nos: «Há no nosso coração esta expetativa? Há no nosso coração esta esperança? […] Ao contemplar a bondade de Deus que vence a nossa desconfiança e os nossos medos, contemplemos também a grandeza da esperança que nos aguarda. […] Que esta visão da esperança ilumine o nosso caminho quotidiano» (C. M. Martini, Homilia de Natal, 1980).

Nesta noite, irmã, irmão, é para ti que se abre a “porta santa” do coração de Deus. Jesus, Deus-connosco, nasce para ti, para mim, para nós, para cada homem e mulher. E, sabes, com Ele a alegria floresce, com Ele a vida muda, com Ele a esperança não desilude.

Papa Francisco

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

«Se soubéssemos até que ponto certas crianças precisam que olhemos para elas com confiança para que possam reencontrar a alegria de viver...

No coração de uma criança, saber que se é amado com ternura, que se é perdoado, pode ser fonte de paz para toda a vida.»

Irmão Roger de Taizé


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

Abraçarem-te a alma

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. 

Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma.

Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sorri e te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma.

Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma.

Quando alguém te sente o coração (mesmo sem ser preciso falar), abraça-te a alma.

Quando alguém se faz presença que ampara e que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma.

Quando alguém se tatua no teu coração, abraça-te a alma.

Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma.

Abraçarem-te a alma.

Sabes o que é?

A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

Daniela Barreira

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