Nº1117

 «Difícil mesmo é recomeçar a partir do mesmo lugar»

 

Recomeçar parece mais simples quando mudamos de contexto e de lugar. Tudo o que é novo parece impelir-nos para a frente, para uma descoberta que rima sempre com a novidade.

Difícil mesmo é recomeçar a partir do mesmo lugar, surfando as mesmas ondas e observando os mesmos cenários.

Recomeçar no mesmo sítio obriga-nos a fazer uma viagem ao contrário. A partir de dentro. Começamos de novo porque estamos diferentes. Porque aprendemos coisas novas. Porque olhamos para as pessoas a partir de outros prismas.

É possível recomeçar a partir da interioridade que nos habita o coração. Agarrar nos hábitos do costume e dar-lhe um outro significado, construir uma ponte diferente para outras oportunidades.

Passamos demasiado tempo a querer coisas diferentes daquelas que temos.

Outra casa.

Outro carro.

Uma relação diferente.

Um emprego melhor.

Uma oportunidade que nos venha varrer a vida e nos atire para uma alegria que não acaba mais.

No entanto, e à medida que vamos vivendo, percebemos que o desejo pelo diferente pode ser só uma escapatória. Uma tentativa de não construir a partir do que nos é dado. Uma vontade de fugir ao que precisa de ser olhado e querido.

O maior recomeço que podemos querer é aquele que nos move as águas de dentro. Aquele que nos permite ser melhores e que nos deixa viver mais alinhados com quem queremos ser. Mais do que desejar coisas novas para melhorar a vida, talvez valha a pena desejar a mesma vida a partir de uma visão mais completa.

O que é que eu posso mudar em mim, se não puder mudar nada à minha volta?

Como é que eu posso reconstruir-me a partir das cicatrizes que vejo espalhadas na minha alma?

Como é que eu posso ser a pessoa que eu preciso? E, depois, que os outros precisam também?

Recomeçar é uma arte muito complexa. Obriga-nos a varrer os vidros que partimos, a colocar ligaduras novas nas feridas do costume e a ousar fazer mais com o pouco que nos é dado.

Depois de olhares bem para ti e de veres o que precisa de ser visto, aí sim, vais saber recomeçar.

Marta Arrais, in iMissio

 

MEDITAR

Se amamos, somos capazes de corrigir sem ferir.

Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu entre eles. Entre eles, como laço de vidas. Estar reunido em seu nome é uma palavra que ultrapassa a liturgia, toca na vida. Quando dois ou três se olham com verdade, Deus está ali.

Quando os enamorados se declaram: tu és a minha vida, osso dos meus ossos, é Deus que está ali, o nó do amor, um vínculo sólido e incandescente. Quando o amigo paga ao amigo a dívida de afeto, ali está Cristo, o homem perfeito, a meta última da história, a energia para voltar para ao irmão, que se errar, vais ter com ele, sais, tomas o caminho e bates à sua porta. Fortalecido na tua plenitude.

O que ligares na terra, o que desligares ... Ligar não é o poder jurídico de prender com julgamentos ou sentenças; desligar não significa absolver de alguma culpa ou remorso. Indica muito mais: o poder de criar comunhão e de libertar. Como Jesus mostra, umas vezes é a mão forte que agarra Pedro quando ele se afunda e o puxa para si; às vezes, um gesto de ternura que solta a língua do mudo, desfaz os nós que mantinham uma mulher, por dezoito anos, curvada (Lc 13:11) e a restitui vertical à vida.

Cada vez que fazes brotar a comunhão ou libertas alguém de algum obstáculo interior, aí se encontra o Espírito de Jesus. No meio: não simplesmente no eu, não só em ti, mas no vínculo, no "entre-os-dois". Não num lugar estático, mas no caminho que há a percorrer para o encontro.

Deus é um vento de liberdade e aliança. E nós, feitos à sua imagem. Pouco antes destas dinâmicas, Mateus alinhou uma série de verbos de diálogo e de encontro. Se o teu irmão está errado a teu respeito, vai e admoesta-o: dá o primeiro passo, não te feches num silêncio rancoroso, entra no diálogo. E adverte-o. O que significa advertir? Levantar a voz e apontar o dedo?

Chegou João, um profeta dramático, que brandia as palavras como lâminas (o machado está colocado na raiz ...). Então Jesus veio e virou o dedo que apontava, de cabeça para baixo, acariciando. Admoesta os pecadores (na casa de Zaqueu, na casa de Levi) comendo com eles; não com sermões do alto do púlpito, mas ao nível dos olhos, a um milímetro dos olhares.

Adverte sem o parecer, com a surpresa da amizade, que reanima aquelas vidas despedaçadas. Quem nos ama sabe repreender-nos, quem não nos ama só sabe magoar ou lisonjear.

Se ele te ouvir, terás conquistado o teu irmão. O irmão é um ganho, um tesouro para ti e para o mundo, cada pessoa um talento para a igreja e para a história. Investir assim, investir em laços de fraternidade e liberdade, de cuidado e assistência, é a única economia que produzirá o verdadeiro crescimento do bem comum.

Ermes Ronchi

A arte de educar

"Uma sociedade que não sabe educar as novas gerações não conseguirá ser mais humana, por maiores que sejam os seus avanços tecnológicos e resultados económicos. Para o crescimento humano, os educadores são mais importantes e decisivos do que os políticos, os técnicos ou os economistas.

Educar não é instruir, doutrinar, mandar, obrigar, impor ou manipular. Educar é a arte de aproximar-se da criança, com respeito e amor, para ajudá-la para que desabroche nela uma vida verdadeiramente humana.

A educação está sempre ao serviço da vida. O verdadeiro educador é o que sabe despertar toda a riqueza e possibilidades existentes na criança. O que sabe estimular e fazer crescer nela, não só as suas aptidões físicas e mentais, mas também o melhor do seu mundo interior e o sentido gozoso e responsável da vida. (...)

A relação educativa exige verdade. Equivocam-se os educadores que para ganhar o respeito e a admiração dos seus alunos se apresentam como deuses. O que as crianças necessitam é encontrarem-se com pessoas reais, simples, próximas e profundamente bondosas. (...)

Na relação educativa há além disso um clima de alegria, pois a alegria é sempre um “sinal de criação” e, por isso, um dos principais estímulos do ato educativo.

José António Pagola

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 Deus não está lá no alto

como um farol celeste.

Ele não é um mágico todo-poderoso

que, de fora, orienta o destino dos mundos:

Deus é interior

como o segredo supremo

de um amor silencioso e desarmado!

Maurice Zundel


 

INFORMAÇÕES

 

REUNIÃO DE CATEQUISTAS  

BISCOITOS - Terça-feira, 12 de setembro, às 19 horas, na Igreja.

RIBEIRA SECA  - Quarta-feira, 13 de setembro, às 19 horas, no Passal.  

MANADAS -  Sexta-feira, 15 de setembro,  às 19 horas, na Igreja. 

 

CELEBRAÇÃO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA NA RIBEIRA SECA

Dia 13 de setembro, às 18horas, oração do Terço, celebração da Eucaristia e procissão no interior da igreja.

 

TOMADA DE POSSE

O Sr. Pe, Pedro Aguiar tomará posse na Paróquia de Santo António no dia 12 às 19 horas e no Norte Pequeno às 20 horas. Na Paróquia do Norte Grande no dia 13 durante o tríduo.

  

FESTA DE NOSSA SENHORA DAS DORES

FAJÃ DO OUVIDOR

Tríduo - 13, 14 e 15 de setembro às 19h30 horas.

 Festa dia 17 de setembro: - Eucaristia de festa às 11:00 horas, procissão às 19 horas.

 Será recitado o terço na Ermida, a partir do dia 10 de setembro, às 19 horas.


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Nº 1161

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

«Só um coração iluminado pode reparar nas muitas flores que se encontram nos caminhos que percorremos todos os dias, porque um coração iluminado sabe, por experiência própria, que nos alicerces da alegria está o que é frágil, o que não conta, o que de algum modo é marginal, o que não é da ordem do necessário, mas do gratuito.

 

Quando vivemos radicados no coração, os nossos dias tão iguais podem transformar-se na mais bela oração: «Vela com todo o cuidado sobre o teu coração, porque dele jorram as fontes da vida.» (Pr 4,23)

Carlos Maria Antunes, in Só o Pobre se faz Pão

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