nº 1046

 

Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Lc. 6,36)

"Ter entranhas de misericórdia dá sentido à nossa existência e muda a rota dos nossos passos." [Rui Santiago cssr]

«Tornar presente o Pai como Amor e Misericórdia foi, para Jesus, o cerne da sua missão: toda a sua vida foi uma eloquente demonstração da misericórdia divina para com a humanidade.

Ele, na sua presença misericordiosa, revela um Deus desprovido de dogmatismos, de controle e de poder. O Deus de Jesus não é um juiz com um catálogo de leis que tem necessidade de mandar, controlar, verificar; o seu Deus é o Deus da misericórdia, da bondade sem limites e da paciência para com todos.

Ser misericordioso “como” Deus constitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros.

A misericórdia presente em nós é modelada e alimentada pela Misericórdia divina, que se manifesta no perdão, na compaixão, no consolo, na ternura, no cuidado...

É a partir da misericórdia que a pessoa é capaz de amar os inimigos, de fazer o bem aos que a odeiam, de bendizer os que a amaldiçoam, de oferecer a outra face, de emprestar sem esperar recompensa, de perdoar sem limites...

Misericórdia é exatamente: “ter coração” para o outro, dando preferência aos pequenos e pobres.

A misericórdia é a caridade que “toma mãos e pés”, ou seja, o amor que se expressa numa ação decidida e generosa, capaz de transformar e libertar.

Em hebraico, a palavra “misericórdia” – “rahamim”, significa ter entranhas como uma mãe.

É comover-se diante da situação de fragilidade do outro; é sentir-se intimamente afetado e, por isso, com a disposição de ser generoso, clemente e benevolente para com ele.

Onde não há misericórdia, não há sequer esperança para o ser humano.»

P. Adroaldo Palaoro, s.j,  adaptado

 

MEDITAR

A Igreja é uma comunidade de pessoas de barro. Só o Espírito de Jesus nos converte em Igreja viva

 

O Evangelista São João cuidou muito da cena em que Jesus vai confiar aos seus discípulos a sua missão: ler as leituras bíblicas aqui: II Domingo da Páscoa. Ele quer deixar bem claro o que é essencial. Jesus está no centro da comunidade, enchendo a todos com a sua paz e alegria. Mas aos discípulos aguarda-os uma missão. Jesus não os convocou só para desfrutarem Dele, mas para O fazerem presente no mundo.

Jesus «envia-os». Ele não lhes diz concretamente a quem hão de ir, o que devem fazer ou como hão de atuar: «Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio.» A sua tarefa é a mesma de Jesus. Não têm outra: a que Jesus recebeu do Pai. Têm de ser no mundo o que Ele foi.

Já viram de quem Ele se aproximou, como tratou os mais desamparados, como levou adiante o seu projeto de humanizar a vida, como semeou gestos de libertação e de perdão. As feridas das suas mãos, costas e costado recordam-lhes a sua entrega total. Jesus envia-os agora para que «reproduzam» a sua presença entre o povo.

Mas sabe que os seus discípulos são frágeis. Mais do que uma vez ficou surpreendido com a sua «pouca fé». Precisam do seu próprio Espírito para cumprir a missão. Por isso dispõe-se a fazer, com eles, um gesto muito especial. Não lhes impõe as mãos nem os abençoa, como fazia com os doentes e os pequenos: «Exala o seu alento sobre eles e diz-lhes: Recebei o Espírito Santo.»

O gesto de Jesus tem uma força que nem sempre sabemos captar. Segundo a tradição bíblica, Deus modelou Adão com «barro»; em seguida, soprou sobre ele o seu «alento de vida»; e aquele barro converteu-se num «vivente». Este é o ser humano: um pouco de barro alentado pelo Espírito de Deus. E isso será sempre a Igreja: barro alentado pelo Espírito de Jesus.

Crentes frágeis e de pequena fé: cristãos de barro, teólogos de barro, sacerdotes e bispos de barro, comunidades de barro… Só o Espírito de Jesus nos converte em Igreja viva. As zonas onde o seu Espírito não é acolhido ficam «mortas». Causam-nos dano a todos, pois impedem-nos de atualizar a sua presença viva entre nós. Muitos não podem captar em nós a paz, a alegria e a vida renovada por Cristo. Não devemos batizar só com água, mas sim infundir o Espírito de Jesus. Não só temos que falar de amor, mas também amar a pessoas como Ele.

José Antonio Pagola

 

Mude tudo ao seu redor: adote o “conselho da gota limpa”, da Madre Teresa de Calcutá

 

            Ela deixou os jornalistas de boca aberta ao responder e desafiar um deles.

         Um dos mais célebres conselhos da Madre Teresa de Calcutá é este:

Seja apenas uma gota no meio do oceano, mas uma gota limpa.

            Em 1979, ao voltar da Noruega após ter recebido o Prémio Nobel da Paz, a Madre Teresa de Calcutá passou pela casa humilde das Missionárias da Caridade em Roma, onde um jornalista lhe fez uma pergunta provocadora:

            – Madre, a senhora tem setenta anos. Quando a senhora morrer, o mundo vai ser como antes. O que mudou depois de tanto esforço?

A Madre Teresa então respondeu:

            – Veja, eu nunca pensei que poderia mudar o mundo. Eu só tentei ser uma gota de água limpa em que pudesse brilhar o amor de Deus. Você acha pouco?

            O repórter não conseguiu responder. No silêncio de escuta e emoção que tinha surgido, a Madre Teresa retomou a palavra e pediu ao repórter:

            – Tente ser você também uma gota limpa e, assim, seremos dois. Você é casado?

         – Sim, madre.

         – Peça também à sua esposa, e assim seremos três. Tem filhos?

         – Três filhos, madre.

         – Peça também aos seus três filhos e assim seremos seis.

            É uma lição extremamente simples e prática. Para torná-la realidade, basta a vontade.

 

 

“Aleluia” é uma palavra-bússola: dizemo-la porque a Páscoa irrompe decisiva como um norte. “Aleluia” é a palavra-alavanca: dizemo-la porque a Páscoa irrompe como um interminável jato de vida que nos projeta. “Aleluia” é uma espécie de alvoroço, é a vocalização de um sobressalto: entoamo-lo porque a Páscoa de Jesus transporta consigo o poder de reconfigurar o mundo, de redefinir, em chave de esperança, a esquadria do nosso destino. Ousemos neste abril tão precário dizer firmemente “aleluia”.

 Santo Agostinho, que assinou uma das mais belas reflexões sobre esta palavra, ensinava que a história do nosso destino tem duas fases: “Uma que decorre agora no meio das tentações e tribulações desta vida, e a outra que será na segurança e na alegria eternas. Por esse motivo foi também instituído para nós a celebração de dois tempos, aquele anterior à Páscoa e aquele que lhe sucede. O tempo que precede a Páscoa representa a tribulação na qual nos encontramos; aquele que se segue à Páscoa representa a felicidade que gozaremos. (...) O aleluia que dizemos por enquanto é como o canto do viandante; todavia, tendemos àquela pátria onde (...) tudo será aleluia.”

 

Pe. José Tolentino Mendonça

 

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

É urgente o amor

É preciso abraçar com a urgência de quem não larga mais.

É preciso dar as mãos com a urgência de quem dá o coração.

É preciso olhar nos olhos com a urgência de quem toca a alma.

É preciso sorrir com a urgência de quem abraça o coração.

É preciso beijar com a urgência de quem tatua ternura.

É preciso ser colo com a urgência de quem respira amor.

É preciso falar com a urgência de quem fala do coração.

É preciso ser silêncio com a urgência de quem é feito de sentir.

É preciso curar lágrimas com a urgência de quem salva (de) tudo.

É preciso rir com a urgência de quem contagia o mundo.

É preciso brilhar no olhar com a urgência de quem se deixa encantar.

É preciso amar com a urgência de quem é amor.

 

 Daniela Barreira


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Nº 1069

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Uma das tarefas mais alegres de um educador é provocar, nos seus alunos, a experiência do espanto. Um aluno espantado é um aluno pensante...

A primeira tarefa da educação é ensinar as crianças a serem elas mesmas. (...) ensinem as crianças a tomar consciência dos seus sonhos!

A segunda tarefa da educação é ensinar a conviver.


Rubem Alves

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