Nº 1044

 

Há dias mais escuros

Há dias em que tudo parece perder a cor. Sem porquê, uma tristeza estranha atira-nos para uma monotonia estéril. Não há nada ali. Nem dentro de nós se houve voz alguma. Como se o sentido de tudo se tivesse desfeito. O bem e o mal parecem iguais…

A solidão cai como um nevoeiro e cega-nos. Não se ouve nada e também não se consegue dizer nada…

Mas assim que o coração se liberta do medo e se começa a olhar o desalento com amor, sem lhe dar o poder que deseja, eis que o nosso espírito sorri, porque compreende que todas as pessoas têm dias cinzentos e que daí só chega mal ao mundo se alguém lhe sacrificar a sua vida em troca de uma falsa promessa de conforto.

Só há sofrimento profundo num coração grande. O problema de um espírito mais elevado é que se volta e revolta contra si mesmo.

A nossa existência exige que fixemos objetivos e que tenhamos a energia necessária para chegar lá. Sonhar não é senão o primeiro e o mais fácil dos passos rumo à felicidade.

A sabedoria passa por descobrir a verdade de cada coisa, distinguindo-a de todas as demais. Para uma mente cansada, tudo é indiferente.

A grandeza do espírito não está na quantidade de ideias de que é capaz, mas da honra daquelas que assume cumprir.

Aquele que consegue dizer não aos ventos que o tentam demover das suas intenções, aquele que é capaz de assumir os dias tristes como parte do seu caminho, mas que não se detém neles mais do que é natural, vence as trevas dentro e fora de si.

Há quem passe o tempo a tentar encontrar forma de viver confortável no seu desespero. Outros sofrem ainda mais por acreditar na sua esperança, buscando, por todos os meios, uma forma de se evadirem da prisão da angústia. Só estes chegam onde querem.

Só vive os seus dias quem se revolta contra a morte de cada momento.

 

José Luís Nunes Martins

 

 MEDITAR

 

Identificando-se com as vítimas

Nem o poder de Roma nem as autoridades do Templo puderam suportar a novidade de Jesus. A Sua forma de entender e de viver Deus era perigosa. Não defendia o Império de Tibério, chamava a todos para procurar o reino de Deus e a Sua justiça. Não lhe importava quebrar a lei do sábado nem as tradições religiosas, só lhe preocupava aliviar o sofrimento das pessoas doentes e desnutridas da Galileia.

Não o perdoaram. Identificava-se demasiado com as vítimas inocentes do Império e com os esquecidos pela religião do Templo. Executado sem piedade numa cruz, Nele se nos revela agora Deus, identificado para sempre com todas as vítimas inocentes da história. Ao grito de todos eles se une agora o grito de dor do mesmo Deus.

Nesse rosto desfigurado do Crucificado revela-se um Deus surpreendente, que quebra as nossas imagens convencionais de Deus e coloca em questão toda prática religiosa que pretenda dar-lhe culto esquecendo o drama de um mundo onde se continua a crucificar os mais débeis e indefesos.

Se Deus morreu identificado com as vítimas, a Sua crucificação converte-se num desafio inquietante para os seguidores de Jesus. Não podemos separar Deus do sofrimento dos inocentes. Não podemos adorar o Crucificado e viver de costas viradas para o sofrimento de tantos seres humanos destruídos pela fome, pelas guerras ou pela miséria.

Deus continua a interpelar-nos desde os crucificados dos nossos dias. Permite-nos continuar a viver como espectadores desse sofrimento imenso alimentando uma ingénua ilusão de inocência. Temos de rebelar-nos contra essa cultura do esquecimento que nos permite isolarmos dos crucificados, deslocando o sofrimento injusto que há no mundo para um «afastamento» onde desaparece todo o clamor, gemido ou choro.

Não podemos encerrar-nos na nossa «sociedade de bem-estar», ignorando essa outra «sociedade do mal-estar»  em que milhões de seres humanos nascem só para se extinguir aos poucos anos de uma vida que só foi de sofrimento. Não é humano nem cristão instalar-nos na segurança, esquecendo a quem só conhece uma vida insegura e ameaçada.

Quando levantamos os nossos olhos até ao rosto do Crucificado, contemplamos o amor insondável de Deus, entregue até à morte para a nossa salvação. Se olharmos mais detidamente, depressa descobrimos nesse rosto o de tantos outros crucificados que, longe ou perto de nós, estão reclamando o nosso amor solidário e compassivo.

José Antonio Pagola, adaptado

 

CAPA DO SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES

Encontra-se, na Igreja Matriz da Calheta, uma Capa do Senhor Santo Cristo dos Milagres do Santuário da Esperança, à veneração de todos os fiéis.

A capa é um sinal de gratidão e reconhecimento do que o Senhor faz em nossas vidas, de uma forma particular, daqueles que a ofereceram. Em cada uma há uma história de vida que devemos reconhecer e admirar.

A capa é sinal de reconhecimento de que Deus nos quer abrigar com o Seu manto, quer proteger com a Sua presença amiga e guardar em Seu amor.

Ao longo da história desta ilhas, e também da nossa de São Jorge, o povo sempre recorreu ao Divino Espírito Santo e ao Senhor Santo Cristo nos momentos de maior sofrimento e aflição.

Esta é uma hora difícil para todos e temos de confiar no grande amor que Deus tem para connosco. A nossa confiança deve traduzir-se na oração e participação nos atos litúrgicos desta Semana maior, esta Semana Santa.

 

Programa Semana Santa na Igreja Matriz da Calheta:

- Segunda-feira, 11 de abril, Adoração do Santíssimo às 18h30, recitação do terço, oração de Vésperas e bênção.

- Terça-feira, dia 12 de abril, Adoração do Santíssimo a partir das 18 horas, confissões e Eucaristia.

- Quarta-feira, dia 13 de abril, Adoração do Santíssimo a partir das 18 horas, recitação do terço, Vésperas e Eucaristia às 19 horas.

- Quinta-feira, dia 14 de abril, oração de Vésperas às 18h30, Eucaristia da Ceia do Senhor às 19 horas, seguida de Adoração do Santíssimo.

- Sexta-feira, dia 15 de abril, celebração da Paixão às 15 horas.

- Sábado, dia 16 de abril, Vigília Pascal às 21 horas.

- Durante toda a semana a igreja encontrar-se-á aberta para oração pessoal e veneração da capa por parte dos fiéis que assim o desejarem fazer.


 

INFORMAÇÕES

 

CONFISSÕES

CALHETA - terça-feira, dia 12 de abril a partir das 19 horas.

 

ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

Chegou a data da entrega das declarações de IRS, e com ela uma oportunidade de um gesto solidário.

Ajude a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta - São Jorge com 0,5% do seu IRS, sem alterar em nada os seus impostos e sem qualquer custo.
            Ao preencher o  quadro 11 do Modelo 3, campo 1101 com o NIF 512 015 449, está a destinar a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta 0,5% do valor do seu imposto liquidado que pertenceria ao Estado.

Preencha a declaração e divulgue  junto dos seus familiares, amigos e colegas.

 


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Nº 1068

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

É ali, bem lá ao fundo, onde o sol se esconde para dormir...

É ali, onde o mar parece acabar, mas não acaba, onde a luz se espalha ao comprido como se estivesse cansada de irradiar...

É ali, naquela linha, vês?

Ali o Céu e a Terra marcaram encontro e trocam segredos, daqueles que são mesmo segredo porque ninguém sabe, só eles...

Ali, ambos se unem no beijo mais longo e apaixonado que algum dia existiu...

Ali, naquela linha, os sonhos nascem e voam até encontrarem corações abertos que os possam acolher e transformar em realidade...

Ali, aquele lugar, chama-se horizonte e eu moro lá muitas vezes...

Eugénia Pereira

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