Nº 1037

 

Não te preocupes: Deus sabe e vê!

Não te preocupes. Deus sabe. E vê-te. Sabe do que te preocupa. Sabe o que te atormenta. O que guardas dentro do coração até ser o momento certo. Sabe o que te faz chorar. Sabe o que te insufla a pele com alegria. Sabe dos teus medos, das tuas faltas repetidas, das dores de estimação, dos sonhos que escreveste naquele caderno com mais ou menos brilhantes. 

Não te preocupes. Deus sabe. E vê. Conhece os contornos da tua alma e sabe o que já passaste. Sabe das tuas lutas. Das guerras que travas com o mundo e contigo próprio. Sabe do que escondes. Do que mostras. Das bandeiras que te fazem arder o coração. 

Não te preocupes. Deus sabe. E vê. E ama. E olha para ti com um carinho que nunca poderás medir ou conter dentro de ti. Sorri, ao de leve, quando te vê subir mais um degrau em direção ao futuro que desenhaste (e desenhou!) para ti. Segura-te na mão e enche-a de beijos quando a usas para esconder e limpar as tuas lágrimas. Afasta o lixo do teu coração quando ele se assoberba com os demónios que não o largam.

Não te preocupes. Deus sabe. E vê. E ama-te como se só existisses tu. Como se o mundo tivesse sido criado para que pudesses habitar a sua raiz. Deus conhece o que não dás a conhecer a ninguém. Deus ensina. Mostra. Aponta. Guia. Fica em silêncio quando tem de ficar. Grita na voz de alguém que mora nos teus dias quando precisa de te avisar. É colo através dos braços de alguém que sempre esteve ali e nem reparaste. 

Enquanto não vemos nada e nos sentimos perdidos de tudo, Deus está a construir. A construir a partir do Seu tremendo amor por nós. 

Enquanto nos revoltamos e olhamos para o Céu em busca de ajuda, Deus está à espera de que tenhamos a coragem de O olhar nos olhos e que nos deixemos agarrar pela sua Luz.

Enquanto tudo se desfaz em pó, Deus está debruçado no chão da nossa vida a recolher todos os nossos grãos de areia para, depois, nos erguer numa versão mais bonita, mais polida, mais brilhante e mais séria.

Enquanto temos medo de Deus e do que vem lá, Deus está a preparar momentos que nos façam compreender melhor o quanto nos quer bem.

Não te preocupes. Deus sabe. Vê. Ama. E toma conta de tudo.

Se toma conta de tudo como não tomaria conta de ti?!

Marta Arrais

 

MEDITAR

 

Dar e possuir: as contas de Deus não são como as nossas

No passado domingo, Jesus tinha projetado no céu da planície humana um sonho: felizes vós, pobres, ai de vós, ricos. No próximo, desfia um rosário de verbos explosivos (cf. Lucas 6, 27-38).

Amai é o primeiro; e depois fazei o bem, abençoai, orai. E nós pensamos: até aqui está tudo bem, são coisas boas. Mas o que me descarna, os quatro pregos da crucificação, é o elenco dos destinatários: amai os vossos inimigos, os que vos odeiam, os infamantes, os maldizentes. Os inamáveis.

A seguir, Jesus, para limpar o campo de todo o equívoco, olha-me nos olhos, dirige-se a mim, diz no singular: «tu», após o «vós» genérico. E são mais quatro cicatrizes de cortar a respiração: dá a outra face, não recuses, dá, não peças de volta. Amor de mãos, de túnicas, de peles, de pão, de gestos.

E de novo te constringe a ver, a procurar quem não queres: quem te atinge, quem te rouba, o petulante astuto que pede sempre e nunca dá. No equilíbrio mundano do dar e do possuir, Jesus introduz o desequilíbrio divino: dá; magnificamente, loucamente, ilogicamente, dá; entrega, abençoa, empresta, aos amigos e inimigos, dá o primeiro passo. Como faz Deus.

Este Evangelho arrisca-se a ser um suplício, a nossa tortura, uma coerção a tentar coisas impossíveis. E assim se abre o caminho àquela hipocrisia que nos demole.

Ninguém viverá este Evangelho a golpes de vontade, nem sequer os mais corajosos entre nós. Mas só indo à fonte: estamos no coração de Deus, esta é a vida de Deus. Em quem nos devemos enraizar. Em quem somos filhos.

Depois, Jesus indica a segunda origem de todos estes verbos de fogo: aquilo que quereis que as pessoas vos façam, fazei-o vós a elas.

Como uma cambalhota lógica, em relação a tudo o que acabou de dizer, mas que é belíssima: não voes para longe, regressa ao coração, ao desejo, a tudo aquilo que queres para ti: todos temos uma desesperada necessidade de ser abraçados, de ser perdoados, de pelo menos uma pessoa que nos abençoe, de uma casa onde nos sentirmos em casa, de contar com o manto de um amigo. Tenho necessidade de abrir os braços sem medo e sem medida.

Aquilo que desejas para ti, dá-o ao outro. De outra forma só saberás agarrar, possuir, violar, destruir. O amor não é uma opção. É necessário para viver, e para o fazer juntos.

Naquelas palavras, penetrantes como pregos, está oculta a possibilidade para que haja um futuro para o mundo. No último dia o Pai perguntará a Abel: que fizeste do teu irmão Caim? Perdoei, dei-lhe o manto, parti o meu pão. A vítima que cuida do violento, e juntos forçam a aurora do Reino. Apenas um sonho? Verás, virão comer das tuas mãos o pão dos sonhos de Deus. Já aconteceu. Voltará a acontecer.

Ermes Ronchi

 

Sou culpado do bem que não faço

Não culpar os outros é um excelente princípio de vida, mesmo nos momentos em que nos sentimos inocentes dos males que se abatem sobre nós. Nunca temos o direito de culpar quem quer que seja. Talvez nem a nós mesmos.

 

Devemos aperfeiçoar-nos tanto quanto possível, buscando superar as nossas falhas, mas sem nos fixarmos nelas, sem perdermos tempo a escavar o que já é um buraco. Faz-se o caminho andando para diante, não ficando a pisar e repisar o mesmo sítio.

 

Se nenhum de nós é perfeito, será culpado disso mesmo? E quando erro fruto de alguma fragilidade minha, será que fui eu ou a fraqueza que também sou?

 

Não negues as tuas culpas, assume-as. O mundo está cheio de gente que quer parecer perfeita aos olhos dos outros. Seria tão bom vivermos onde todos mostrassem quem são, sem se sentirem menores nem maiores que ninguém, apenas autênticos e, por isso mesmo, únicos e valiosos.

 

Sou culpado do mal que escolho fazer, ainda que não seja responsável pelas tentações que me seduzem a fazê-lo.

 

Sou culpado do bem que não faço, porque é meu dever ser bom, mesmo quando isso não me é agradável.

 

Ainda que sinta culpa, nunca ela é um destino final. O início da minha redenção está no reconhecimento das minhas culpas, ou, pelo menos, das que sou capaz de reconhecer. Quanto às outras, o melhor mesmo é não nos perdermos a tentar encontrá-las em nós e muito menos nos outros.

 

José Luís Nunes Martins

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 Infinitamente mais do que tudo

 “As crianças de tenra idade tiram todas as forças àqueles que se ocupam delas e, num milésimo de segundo, pela graça de uma palavra ou de um riso, dão infinitamente mais do que tudo o que haviam tirado.

“Infinitamente mais do que tudo”: é o nome infantil do amor, o seu nome de batismo, o seu nome secreto”.

Christian Bobin, in Auto-retrato com radiador


 

INFORMAÇÕES

 

IRMANDADE DO DIVINO ESPÍRITO SANTO DA VILA DA CALHETA

A Mesa da Assembleia Geral da Irmandade do Divino Espírito Santo da Vila da Calheta informa que:

- As festas do domingo do Espírito Santo e da Trindade irão realizar-se nos moldes habituais nos dias 5 e 12 de junho.

O pagamento das cotas e a entrega de prémios poderão ser feitas na Agência de Viagens Via São Jorge e no Clímaco Ferreira da Cunha e Filhos Lda.


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Agenda Pastoral

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Nº 1068

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

É ali, bem lá ao fundo, onde o sol se esconde para dormir...

É ali, onde o mar parece acabar, mas não acaba, onde a luz se espalha ao comprido como se estivesse cansada de irradiar...

É ali, naquela linha, vês?

Ali o Céu e a Terra marcaram encontro e trocam segredos, daqueles que são mesmo segredo porque ninguém sabe, só eles...

Ali, ambos se unem no beijo mais longo e apaixonado que algum dia existiu...

Ali, naquela linha, os sonhos nascem e voam até encontrarem corações abertos que os possam acolher e transformar em realidade...

Ali, aquele lugar, chama-se horizonte e eu moro lá muitas vezes...

Eugénia Pereira

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