Nº 1032

 

Que assim seja!

Fui ao Teu encontro e recebeste-me nos sorrisos, gestos e palavras daqueles que, nem sei porquê, se alegram por me ver. Sentei-me a observar-Te naqueles que pões no meu caminho e perdida em pensamentos a contemplar a cruz onde Te entregaste por mim (Cf. Gal 2, 20), meu peito exultou de alegria (Cf. Lc 1, 44).

Alegria de quem se deixa encontrar, tocar e transformar por Ti. Alegria do leproso que prostrado Te pede para o purificares se quiseres e a quem respondes: “Quero, fica purificado” (Cf. Mt 8, 2-3). Alegria da mulher hemorroíssa que sofria há 12 anos e que confiou que bastar-lhe-ia tocar a orla do teu manto para ficar curada e a quem livraste do sofrimento dizendo: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz” (Cf. Lc 8, 43-44.48). Alegria da mulher que lavou com lágrimas os Teus pés, enxugou-os com seus cabelos, ungiu-os com perfume e beijou-os com arrependimento e de quem disseste, restituindo-lhe a sua dignidade, que lhe eram perdoados os seus muitos pecados porque muito amou (Cf. Lc 7, 44-48). Alegria de tantos anónimos como eu que salvas por amor.

Torrentes de gratidão inundaram-me por me saber novamente em casa, como aquele filho perdido, cujo Pai ao vê-lo a regressar, enche-se de compaixão, corre a lançar-se-lhe ao pescoço e cobre-o de beijos (Cf. Lc 15, 20). Abraçada, beijada, perdoada e com a cabeça recostada no Teu regaço sussurrei-Te novamente o meu fiat, ainda trémulo e tímido. Quero deixar que se faça em mim segundo a Tua palavra (Cf. Lc 1, 38), por nenhum outro motivo que o de querer o que Tu queres. Não percebo porque me chamas nem para quê, mas se é a mim que queres, como posso não corresponder ao amor que me restitui e ao sopro que me recria e me anima? Eis-me, então, aqui, pois me chamaste (Cf. 1Sam 3, 5).

Purifica-me, Senhor, das minhas inseguranças, desconfianças e medos no sangue que derramaste por mim, ó cordeiro imolado, ó vítima de expiação sem mancha (Cf. Heb 9, 14). Renova comigo a Tua aliança (Cf. Mc 14,24), Tu que tens entranhas de compaixão e que me amas.

Capacita-me para responder com amor e alegria e fervor ao Teu apelo e conduz-me ao estado que sonhaste para mim, pois sei que só na obediência da Tua vontade encontrarei a plenitude do meu viver.

Alimenta-me do pão da vida e do vinho da salvação para que os meus passos não vacilem a caminho de onde me quiseres levar. 

Saiba eu beber do cálice que me ofereces sem dele me querer afastar (Cf. Mc 14, 36) e ser, como exorta S. Paulo, alegre na esperança, paciente na tribulação e perseverante na oração (Cf. Rm 12, 12).

Fica comigo, Senhor, e ainda que não seja digna que entres na minha morada (Cf. Mt 8,8), habita-me no sacrário do meu coração. 

Raquel Dias

 

MEDITAR

 

Um gesto pouco religioso

Houve um casamento na Galileia. Assim começa este relato em que nos é dito algo inesperado e surpreendente. A primeira intervenção pública de Jesus, o Mensageiro de Deus, não tem nada de religioso. Não acontece num local sagrado. Jesus inaugura sua atividade profética “salvando” uma festa de casamento que poderia ter terminado muito mal.

Naquelas aldeias pobres da Galileia, a festa de casamento era a mais apreciada por todos. Durante vários dias, familiares e amigos acompanhavam os noivos, comendo e bebendo com eles, bailando danças festivas e cantando canções de amor. João  diz-nos que foi no meio de um desses casamentos que Jesus deu o seu “primeiro sinal”, o que nos oferece a chave para compreender todas as Suas ações e o significado profundo de Sua missão salvadora.

O evangelista João não fala de “milagres”. Aos gestos surpreendentes que Jesus realiza chama-lhes sempre “sinais”. Não quer que os seus leitores fiquem no que possa ter de prodigioso na sua ação. Convida-nos para que descubramos o seu significado mais profundo. Para isso, oferece-nos algumas pistas de natureza simbólica. Vejamos apenas uma.

A mãe de Jesus, atenta aos detalhes da festa, percebe que “não resta vinho” e conta ao filho. Talvez os noivos, de condição humilde, tenham sido ultrapassados pelos convidados. Maria está preocupada. A festa está em perigo. Como pode terminar uma festa de casamento sem vinho? Ela confia em Jesus.

Entre os camponeses da Galileia o vinho era um símbolo muito conhecido de alegria e amor. Todos sabiam disso. Se na vida falta a alegria e o amor, como pode ser a convivência? Maria não se engana. Jesus intervém para salvar a festa, proporcionando vinho abundante e de excelente qualidade.

Este gesto de Jesus ajuda-nos a compreender a orientação de toda a sua vida e o conteúdo fundamental do seu projeto do reino de Deus. Enquanto os líderes religiosos e os mestres da lei se preocupam com a religião, Jesus dedica-se a tornar a vida das pessoas mais humana e suportável.

Os evangelhos apresentam Jesus focado não na religião, mas na vida. Não é só para pessoas religiosas e piedosas. É também para aqueles que vivem desapontados pela religião, mas sentem a necessidade de viver de uma maneira mais digna e feliz. Por quê? Porque Jesus transmite a fé num Deus em quem se pode confiar e com quem se pode viver com alegria, e porque Ele atrai para uma vida mais generosa, movida por um amor solidário.

José Antonio Pagola

 

Senhor da (in)certeza

 

Talvez o mundo, Senhor,

Precise de olhar para Ti com melhor e maior confiança.

Nos caminhos que percorremos,

banhados pela incerteza,

resta-nos – como sendo tanto e sendo tudo - o Teu olhar de Pai que sustenta.

 

Talvez o Teu silêncio,

Seja a forma de nos dizeres de uma presença absoluta e eterna.

E, ainda assim, uma presença que liberta e nos respeita.

 

As nossas geografias interiores pedem-nos sossego. Calma.

Ainda assim, Senhor,

teimamos em buscar as respostas que só Tu nos dás

à mesa de negociações e boletins sem fim.

Ajeitamos agendas, num frenesim de quem ainda não aprendeu que O único a controlar és Tu.

E que ainda assim, te demites do papel de controlar para assumires o Amor.

 

O ruído que paira no mundo ensurdece a limpidez da Tua Palavra.

Só essa, em verdade, é Vida!

 

A Ti, que desde a criação nos olhas com ternura,

A Ti, que em cada dia renovas o compromisso com cada ser humano,

A Ti, que acolhes e Te revestes dos nossos pedidos, mais que das nossas gratidões:

faz-nos acreditar que o Amor é a única via da certeza.

 Cristina Duarte

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 Se o mal penetra o nosso coração, é porque aí encontra um lugar onde se instalar, uma certa cumplicidade.

Se o sofrimento nos faz azedos e maus, é por termos o coração vazio: vazio de fé, de esperança e de amor.

Pelo contrário, se nele houver uma total confiança em Deus, se esperar tudo da Sua bondade e fidelidade, se a finalidade da nossa vida não for a procura de nós mesmos, mas fazer a vontade de Deus, amá-l’O de todo o coração e amar o próximo como a nós mesmos, então o mal não pode penetrar nele de maneira nenhuma.

 

Publicado por Paulo Costa 

 


 

INFORMAÇÕES

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

A Direção da Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa que estará na Clínica da Instituição o Dr. César Gonçalves, Clínica Geral, às terças e quintas; Dr. Brasil Toste, Otorrinolaringologista, 24 de janeiro; Dr.ª Renata Gomes, Cardiologista, em janeiro; Dr.ª Lourdes Sousa, Dermatologista, fevereiro ou março; Dr.ª Paula Pires, Neurologista e Neuropediatra, ainda por estabelecer;  Dr. Tiago Ribeiro, osteopata (massagem terapêutica), às quartas e sextas; Elisabel Barcelos, Psicóloga Clinica e Formadora, nas áreas de avaliação Psicológica de Condutores (Testes psicotécnicos), Avaliação Psicológica, acompanhamento Psicológico e formação em temas ligados à Saúde Mental e /ou Psicologia, às segundas e quintas; 

Os interessados podem fazer as suas marcações para os números 295460111 ou por email: abvc.geral@gmail.com.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Quando Jesus diz «Eis o teu filho», indica alguém que caminha ao nosso lado na existência.

Quando acrescenta «Eis a tua mãe», indica alguém que, um dia, nos socorrerá, nos ajudará a viver: inumeráveis pequenas mães da nossa existência, os muitos samaritanos, quem quer que ainda agora nos apoie na vida.

Filho e mãe para cada criatura: é este o homem de Deus.

Filho e mãe para cada vida: é este todo aquele que pertence a Cristo.

No fundo, a única heresia é a indiferença.

Ermes Ronchi, in As casas de Maria

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