A Palavra de Deus deste 5º Domingo do Tempo Comum convida-nos a refletir sobre o compromisso cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “Reino” não podem remeter-se a uma vida cómoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual e feita de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação do mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no sentido desse mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do “Reino”.
No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo, no “deixa andar”; e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao mundo e que testemunha a perenidade e a eternidade do projeto salvador de Deus; também os exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “Reino” de liberdade e de esperança.
A primeira leitura apresenta as condições necessárias para “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platónica” com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor de Deus no meio dos seus irmãos.
A segunda leitura avisa que ser “luz” não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “loucura da cruz” que é dom da vida. Pode-se esperar uma revelação da salvação no escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na fragilidade e na debilidade que Deus Se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil e pouco brilhante – demonstra-o.
Dehonianos
MEDITAR
SILÊNCIO
Para caminhar sobre
a delicada ponte que leva
aos olhos do outro,
todo silêncio é pouco.
Para ouvir a música
que se desprende
de todas as coisas belas,
todo silêncio é pouco.
Para sentir na pele
o veludo de um jardim,
quando a noite
envolve o mundo em sua
rede de estrelas,
todo silêncio é ouro...
Para entender,
palavra por palavra,
a voz que vem do coração,
todo o silêncio.
Roseana Murray
CONTO (640)
À SUA IMAGEM
Um dia, reuniram-se todos os deuses e decidiram criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança.
Um deles disse:
- Devemos fazê-los à nossa imagem e semelhança, mas temos de pensar em algo que os diferencie de nós. Que lhes iremos tirar?
Depois de muito pensarem, um deles disse:
- Vamos tirar-lhes a felicidade. Mas onde é que a iremos esconder?
Surgiram várias propostas. Um deles sugeriu:
- Vamos escondê-la no cimo da montanha mais alta do mundo.
Um outro disse:
- Talvez seja melhor esconde-la no planeta mais distante da Terra.
O último deles, que tinha permanecido em silêncio durante todo o tempo, disse:
- Acho que deveríamos esconder a felicidade num lugar onde nunca a pudessem buscar.
Todos, a uma só voz, perguntaram:
- Onde?
Respondeu ele:
- Dentro deles próprios. Estarão tão ocupados em encontrá-la fora deles, que nunca se lembrarão que pode estar no seu íntimo.
Todos concordaram. Desde então as pessoas passam a vida à procura da felicidade, sem saber que a trazem consigo.
In TOMA E LÊ de Pedrosa Ferreira
Conversas com fevereiro
Que mantenha na nossa vida aqueles que nos fazem bem. Que guarde bem perto de nós os que nos estendem a mão, os que nos oferecem colo e abrigo, os que dividem connosco os seus braços em abraços apertados, os que são presença firme na hora de falar alto e na hora do silêncio.
Que faça brilhar sempre e muito as nossas-pessoas-luz. Porque todas as hipóteses que temos de sermos muito felizes começam no dia em que sabemos escolher, guardar e cuidar os que nesta vida fazem (só) o Bem do nosso mundo girar.
Às 9 no meu blogue
INFORMAÇÕES
Manadas - sexta-feira, 10 de fevereiro, das 17 às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.
Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 783