Por ter recebido de D. Aurélio Granada Escudeiro a Ordenação Sacerdotal, quero deixar aqui a minha homenagem a este grande homem da Igreja dos Açores, não listando tudo o que ele fez, por falta de espaço, mas apenas recordá-lo.
Começou o seu ministério episcopal na nossa Diocese num período particularmente difícil da vida política e social do país e soube ter uma posição de grande verticalidade e isenção perante o poder de então.
Perante uma Diocese tão difícil, porque se encontra dispersa por nove ilhas e numa época em que as deslocações eram difíceis, tentou prestar atenção a toda a Diocese esforçando-se para organizá-la procurando, para isso, pessoas que fossem capazes de assegurar, em cada ilha, a pastoral.
Sempre se preocupou com a pastoral de conjunto e de corresponsabilidade pedindo constantemente que fossem criados os conselhos pastorais de paróquia e de ilha e os conselhos administrativos. Fez o Congresso Diocesano de Leigos procurando, assim, dar aos leigos a responsabilidade que lhes é própria como cristãos que devem empenhar-se na vida do mundo informando-o com o testemunho de vida cristã. Preocupava-se com todos chamando a atenção para a vida familiar, incentivando os jovens. Prestava uma atenção muito especial à educação cristã da fé e à catequese, fazendo com que houvesse cursos para catequistas em toda a Diocese e um bom acompanhamento destas, para isso criou na Diocese o Secretariado Diocesano de Catequese. Empenhou-se e preocupou-se com os espaços litúrgicos e de formação, pedindo que cada ilha se empenhasse para ter condições para a catequese e que em cada ilha houvesse um Centro Pastoral para retiros e cursos.
Aquando das visitas pastorais procurava com bastante antecedência que houvesse uma preparação condigna e celebração ouvindo as comunidades e fornecendo as orientações que achava mais necessárias para a vivência de cada paróquia.
Dedicou grande atenção à religiosidade popular das nossas ilhas dando orientações e tentando que houvesse uma vivência mais condigna das festas.
Gostava que as celebrações litúrgicas fossem celebradas com dignidade, recolhimento e fé. Pedia a participação de todos nos cânticos e nas respostas. Trouxe bons formadores para fazer cursos de liturgia na Diocese e pedia a participação de todos, participando também ele, nestas ações.
Depois do sismo de 1980 revelou preocupação e empenho na reconstrução das igrejas que tinham sofrido danos significativos. Era amigo dos sacerdotes reservando as repreensões para conversas amigáveis e exigentes demonstrando sempre grande compreensão para com todos.
D. Aurélio era um homem de grande disciplina e capacidade de trabalho procurando transmitir isto mesmo aos outros. Não compactuava com o desmazelo nem com o facilitismo e toda a sua vida é um exemplo disso.
Manuel António Santos
XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Puros de coração
Dois monges caminhavam por uma estrada. Junto ao rio viram uma bela moça:
- Que posso fazer para te ajudar? Perguntou um dos amigos.
- Leva-me para o outro lado do rio.
Sem hesitação o monge carregou-a às costas e deixou-a na outra margem. O outro colega ficou silenciosamente admirado pela ousadia mas, à noite, no templo, encheu-se de coragem e censurou o seu colega pelo atrevimento de ter levado tão esbelta donzela:
- Não devias ter feito aquilo. Foi uma grande tentação tocar numa mulher tão jovem e bela. A nossa regra não permite tal liberalidade.
O outro respondeu com humildade:
- Eu deixei a jovem junto ao rio mas tu ainda a carregas inutilmente contigo no teu coração.
O que faz com que uma ação seja boa ou má, pura ou impura, não é a letra da lei mas o espírito da mesma lei. A pureza exterior e ritual pouco importa. Às vezes, em nome de costumes e letras falta-se à lei essencial da caridade e mata-se o amor. O que vale é o que vai no coração. A pureza de coração não é fuga ao amor, mas amar mais e melhor em oblação de nós mesmos. A letra mata, mas o espírito dá vida.
Pe. José David Quintal Vieira, scj
Aqui deixo a transcrição da última carta que D. Aurélio Granada Escudeiro me escreveu ao deixar a Diocese a qual revela a dedicação e espírito amizade por esta ilha e seus sacerdotes
Angra, 18 de junho de 1996
Caros Padres
Com muita pena minha, não me é já possível passar por S. Jorge, para me despedir pessoalmente de cada um de vós.
Embora na carta de despedida da Diocese já o faça, quero, no entanto, dirigir-vos uma palavra muito especial, na hora em que termina a minha missão direta nesta terra, que levo no coração.
Guardo de todos a melhor lembrança e não esquecerei vosso zelo apostólico, assim como todas as atenções que tivestes para comigo.
Rogo a Deus que sempre vos ilumine e acompanhe, mantenha e acrescente vosso zelo pastoral. O testemunho de santidade do padre é hoje o que um povo mais aprecia e aquilo que mais necessita.
O clero de São Jorge tem justa fama de ser unido e assim atuar. Mantendo esse testemunho, sabendo cada um morra para si para Cristo triunfar nele e por ele.
Lembrar-vos-ei em minhas orações, esperando também as vossas em meu favor.
Abraça-vos e abençoa-vos o sempre muito dileto no Senhor.
+ Aurélio, Bispo de Angra
CONTO (416)
SOMOS LIVRE
Um dia, uma criança que foi ao circo ficou maravilhada com as atuações de um elefante amestrado. E reparou que terminada a sua atuação, era atado a uma pequena estaca. A criança perguntou:
- Por que é que prendem o elefante a uma estaca tão pequena, se ele a pode arrancar?
- Porque está domesticado.
A criança, inocentemente, perguntou:
- E por que é que o prendem, se está domesticado?
Ninguém lhe respondeu. Apenas uns anos mais tarde soube qual o motivo, que era o seguinte: O elefante não foge porque desde pequenino que sempre viveu preso a uma estaca.
A criança então imaginou o elefante quando era pequenino, a puxar para fugir mas, como era muito pequeno, não conseguia.
Imaginou-o, no dia seguinte, a fazer a mesma tentativa, e assim um e outro dia, até que aceitou que era impossível libertar-se e aceitou o seu destino.
Percebeu então que esse enorme elefante que vemos nos circos não foge porque tem gravada na sua mente a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que jamais pôs em causa seriamente esta sua atitude de pobre escravo. Jamais voltou a experimentar a sua verdadeira força.
In Alegre Manhã de Pedrosa Ferreira
No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.
No dia 5 de setembro, o Senhor Padre Rafael Diogo de Sousa, tomará posse na comunidade do Norte Grande durante a celebração eucarística celebrada às 20 horas.
No dia 6 de setembro tomará posse da paróquia do Norte Pequeno às 20 horas e no dia 7 também às 20 horas tomará posse da paróquia de Santo António.
Estas três paróquias deixam de fazer parte da equipa in solidum, por isso, veremos se continuará a receber a “Carta familiar”.
Trabalhamos nestas comunidades nos últimos anos e agradecemos o acolhimento e colaboração que sempre tivemos. Procuramos fazer o nosso melhor dentro dos condicionalismos a que estávamos sujeitos.
Da minha parte agradeço a amizade, compreensão e respeito que sempre senti nestas comunidades.
Os horários das missas que vão nesta “Carta familiar” para estas comunidades são provisórios.
Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 552