Nº 496

 

A LOJA DA VERDADE

 
Mal pude crer nos olhos quando vi
o nome do lugar: A Loja da Verdade.
Ali eles vendiam a Verdade!

A funcionária ao balcão foi delicada:
que tipo de verdade eu procurava...
só parte dela ou a Verdade toda?
Pois claro, a Verdade toda.
Não me dê decepções nem altos pensamentos.
Eu disse que gostava da Verdade
muito clara, simples, inteira.
Ouvindo isto, ela conduziu-me então
para o outro lado do balcão onde vendiam,
somente aí, a tal Verdade inteira.

O comerciante olhou-me compassivo
e mostrou-me a «etiqueta» com o preço:
«Como assim?», perguntei, determinado
a conseguir, custasse o que custasse
a Verdade toda.
«É que... se levar esta Verdade,
o preço que por ela vai pagar
será não ter mais descanso na vida».

Foi o que disse o homem do balcão
e eu, triste, afastei-me dessa loja
porque pensava eu, tolo, que podia
achar a Verdade inteira... a baixo preço.
Não estou pronto ainda para ela;
quero descanso e paz, de vez em quando;
sinto que preciso ainda de racionalizar,
de usar defesas,
escondendo-me atrás dessas muralhas
que levantei com crenças imbatíveis!
Anthony de Mello, O canto do pássaro
 

XIX DOMINGO COMUM

Tema:

O Profeta Elias procurava o Senhor e pensava que ia encontrá-lo através de manifestações extraordinárias. Afinal, Deus estava na brisa ligeira, quase despercebido. A voz do Senhor fez-se ouvir, não sob os sinais majestosos das teofanias, mas na meditação silenciosa da Sua Palavra inspirada.
Não são as grandes tempestades que levam o agricultor a esperar grandes colheitas;
são as chuvas calmas e constantes que descem ao fundo das raízes.
As grandes chuvadas só estragam e estraçalham as lavouras.
Não são os gritos que fazem os bons amigos;
são a conversa tranquila, as histórias, as recordações.
Não são os vendavais que distribuem o pólen de flor em flor;
são os insectos, as borboletas, as abelhas, na brisa suave.
Não são as discussões que edificam uma família;
são as palavras criteriosas da mãe que entram no coração dos filhos e fazem crescer a paz e o bem no lar.
As melhores preces são aquelas que proferimos em voz calma ou silenciosamente.
O orador que esbraveja não comove.
As grandes ideias não são fruto do barulho mas da reflexão.
"O silêncio é um dos meios mais fecundos da perfeição" - disse o Pe. Dehon.
Pe. José David Quintal Vieira, scj
 

MEDITAR

 

A BONDADE IRRADIA

 
«Bondosa é a pessoa que tem boas intenções em relação a nós.
Dela irradia calor.
No seu olhar e nas palavras bondosas,
sente-se que o seu coração é bondoso,
que o bem toma conta dela.

A bondade irradia de uma alma que é boa em si,
que está em harmonia consigo mesma.
Quem sente a sua alma como boa também acredita na bondade alheia.
Como ele vê a bondade no outro,
ele também o tratará bem.
Por sua atitude bondosa, ele desperta o núcleo bom no outro.»
Anselm Grün, em O Pequeno livro da verdadeira felicidade
 

CONTO (363)

 UMA ESTRANHA DOENÇA

Numa certa cidade, começou a espalhar-se uma doença muito estranha. Ninguém sabia donde vinha nem quais as causas. Apenas se conheciam os sintomas.
O primeiro sintoma dessa doenças era a atrofia do coração. Quer isto dizer que o coração dos contagiados por este vírus começava a diminuir, a ficar cada vez mais pequeno.
Esta doença ia progressivamente diminuindo a força das pessoas e a tirar-lhes a alegria de viver. Os doentes só deitados é que se sentiam bem.
Consultavam os médicos. Estes folheavam os seus livros de medicina à procura da origem do mal. Mandavam fazer análises, receitavam toda a espécie de remédios, mas em vão.
Um médico chegou a sugerir que se tentasse um transplante de coração, mas não havia corações saudáveis. Era evidente que a medicina não tinha uma resposta para uma epidemia como esta.
Entretanto, o hospital da cidade foi-se enchendo de tal maneira que até havia camas nos corredores.
O curioso é que havia uma pessoa na cidade que parecia estar vacinada contra essa doença. Era uma velhinha a quem o coração, em vez de diminuir, crescia.
Um dia, apareceu no hospital e disse à equipa médica:
- Não sou médica mas, se mo permitirdes, posso dar-vos uma ajuda.
Eles disseram-lhe:
- Podes tratar dos doentes desde que não lhes receites remédios.
Esta mulher simples e boa começou a cuidar gratuitamente dos doentes. Não lhes dava medicamentos. Apenas se limitava a pegar na mão de cada doente e a sorrir-lhes com ternura.
Os médicos, no dia seguinte, verificaram que, quando a velhinha fazia isto, o coração das pessoas deixava de diminuir.
A equipa médica reuniu com urgência e constatou que a doença que encolhia o coração era provocada pela ausência de um sorriso e do calor de uma mão que lhes tocasse com ternura.
Pediram então à velhinha que vestisse uma bata branca e começasse a cuidar de todos os doentes, um por um. Pegava na mão e sorria-lhes. Pela força desse contacto físico, acompanhado com um sorriso amigo, os corações voltavam pouco a pouco ao tamanho ideal.
Ela, dias depois, disse aos primeiros curados:
- Já estou com poucas forças. Agora deveis ser vós, os curados, a fazer o mesmo gesto aos que ainda se encontram doentes.
E foi assim que, um por um, todos os habitantes dessa cidade se tornaram saudáveis, recuperando a alegria de viver.
 
In CONTOS+MENSAGENS de Pedrosa Ferreira

 

«O amor faz parte da paciência. Amor à vida. Pois tudo o que é vivo cresce lentamente, espera pelo seu tempo, segue por muitos caminhos e atalhos. Por isso precisa do amor e só no amor confia.

Já não tem amor à vida aquele que perdeu a paciência. É então que surge toda a espécie de impostura e de atritos, a causar danos e rupturas.» 
Romano Guardini

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Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
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