Nº 1020

 

No meu fim está o meu princípio

A vida, no seu percurso, é constituída por vários fins e vários princípios.

Um itinerário quase nunca linear, que nos pede capacidade de decisão e escolha,

onde o discernimento é condição fundamental para que a escolha e a decisão

traga paz a nós e à nossa volta.

Somos seres que criamos hábitos e dissecamos a vida em ciclos, cada um deles com características bem diferenciadas.

Marcamos ritmos e marcamos fins e princípios. 

Cada etapa, cada recomeço, poderia ser também ela marcada pela capacidade de destralhar.

Isto vale para os aspetos materiais da vida, como bibelôs e bugigangas que vamos acumulando, num ato de quem precisa da validação material para sentir um pseudo-conforto,

como para estados emoções e espirituais que nos podem escravizar interiormente e tornar-nos reféns dos nossos pensamentos, rituais e rotinas, sem sabor e sem significado.

A nossa escala de felicidade é muitas vezes balizada pela quantidade de bens materiais que possuímos, pelo que herdamos, pelo que deixaremos às próximas gerações em objetos tocáveis.

Cada princípio poderia ser marcado por um ritual de passagem, onde gradualmente vamos deixando para trás o que não nos faz bem.

A liberdade de quem caminha é a liberdade de quem se sente despojado. Desapegado.

A higienização que nos é pedida, as condições para uma vida saudável, dizem respeito a todas as dimensões da nossa vida.

Também àquelas em que cristalizamos os pensamentos, em que embrulhamos emoções e sentimentos sem olhar para eles com carinho e cuidado,

em que marcamos na agenda da semana o cumprimento de rituais farisaicos, sem que isso nos mova na verdadeira conversão.

Precisamos de destralhar.

E isso vale para a arrumação das gavetas externas, como para a das gavetas internas.

Cada princípio, pede-nos um outro fim e a capacidade de deixar a vida fluir  de forma transparente, cristalina, sem pontas soltas e assuntos por resolver.

Pois cada fim é sempre o princípio, porventura, de algo melhor e maior na nossa vida. 

No meu fim está o meu princípio!

Cristina Duarte

 MEDITAR

 

Um grito incómodo

 

Jesus sai de Jericó a caminho de Jerusalém. Vai acompanhado pelos seus discípulos e por mais pessoas. De repente escutam gritos. É um mendigo cego que, da beira do caminho, se dirige a Jesus: «Filho de David, tem compaixão de mim!».

A sua cegueira impede-o de desfrutar a vida como os outros. Ele nunca poderá peregrinar até Jerusalém. Além disso, fechar-lhe-iam as portas do templo: os cegos não podiam entrar no recinto sagrado. Excluído da vida, marginalizado pelo povo, esquecido pelos representantes de Deus, só lhe resta pedir compaixão a Jesus.

Os discípulos e seguidores irritam-se. Aqueles gritos interrompem a sua marcha tranquila em direção a Jerusalém. Não podem escutar em paz as palavras de Jesus. Aquele pobre incomoda. Há que silenciar os seus gritos. Por isso «muitos o repreendiam para que se calasse».

A reação de Jesus é muito diferente. Não pode seguir o seu caminho ignorando o sofrimento daquele homem. «Detém-se», faz com que todo o grupo pare e pede-lhes para que chamem o cego. Os seus seguidores não podem caminhar atrás dele sem escutar as chamadas dos que sofrem.

A razão é simples. É dito por Jesus de mil maneiras, em parábolas, exortações e ditados soltos: o centro do olhar e do coração de Deus são os que sofrem. Por isso Ele os acolhe e se vira para eles preferencialmente. A sua vida é, acima de tudo, para os maltratados pela vida ou pelas injustiças: os condenados a viver sem esperança.

Incomoda-nos os gritos dos que vivem mal. Pode irritar-nos encontrá-los continuamente nas páginas do evangelho. Mas não nos está permitido «mutilar» a sua mensagem. Não há Igreja de Jesus sem escutar os que sofrem.

Estão no nosso caminho. Podemos encontrá-los em qualquer momento. Muito perto de nós ou mais longe. Pedem ajuda e compaixão. A única postura cristã é a de Jesus perante o cego: «Que queres que faça por ti? ». Esta deveria ser a atitude da Igreja perante o mundo daqueles que sofrem: que queres que faça por ti?

José Antonio Pagola

 

Não escolhas o caminho mais fácil

Faz tudo o que te é possível, mesmo aquilo que possas pensar que te é impossível. Não te deixes enganar pelo que os outros pensam a teu respeito. É sempre mais fácil tomar atenção ao que nos distrai e desvia do melhor caminho.

 São raras as pessoas que, na vida, chegam onde podem chegar. O medo mata-nos muitos sonhos, antes mesmo de começarmos a lutar por eles. Todos devemos cumprir a missão de sermos quem somos, pagando o preço que tiver de ser.

 Toda a gente sonha, mas só poucos se colocam a caminho de os concretizar. O mais fácil é sempre ficar a sonhar, até que tudo nos seja entregue sem que tenhamos de fazer coisa alguma.

 Acreditamos que não somos capazes de fazer muitas coisas e isso faz com que nem sequer as tentemos. Somos vítimas das nossas ideias a respeito de nós. É difícil aceitar que talvez sejamos mesmo capazes.

É mais fácil apontar os erros aos outros do que ajudá-los.

 Deixar para amanhã é caminho fácil. Porque é sempre mais leve prometer do que cumprir.

 O que é melhor? Arrependermo-nos do mal que fizemos ou pararmos a tempo de não fazer o mal que temos em mente? Escolhe o mais difícil.

 Algo que é muito mau nos caminhos difíceis é não vermos o sentido de ter de os fazer… mas a fé e a esperança são condições do amor. Nada garantem, mas tudo podem. É cheios de dúvidas que devemos lutar como se tivéssemos certezas.

 Muitos são os que, por hábito ou preguiça, se deixam ficar pelo que é fácil. Impedem-se de crescerem, de se engrandecerem, de irem até onde podem ir.

 Não percas tempo com aqueles que não acreditam que se pode subir ao mais alto das montanhas. Talvez a sua vida seja mais fácil de suportar assim, sem acreditarem em si mesmos.

 Tem fé em ti.

 Escolhe o caminho que te leva mais longe, por mais duro que seja.

 Tem fé em ti.

José Luís Nunes Martins

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 Se queres ser sábio, aprende a questionar com razoabilidade, a ouvir com atenção, a responder com serenidade e a ficar em silêncio quando não tiveres nada a dizer.

Johann Kaspar Lavater


 

INFORMAÇÕES

 

MUDANÇA DE HORA

No próximo fim de semana muda a hora. À uma hora da manhã de sábado para domingo os relógios devem ser atrasados em sessenta minutos.

 

 Festa de Nossa Senhora da Boa Morte

Dia 31 de Outubro na Urzelina

            - Missa às 16 horas, na Ermida de Nossa Senhora da Boa Morte, seguida de procissão.


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 Se queres ser sábio, aprende a questionar com razoabilidade, a ouvir com atenção, a responder com serenidade e a ficar em silêncio quando não tiveres nada a dizer.

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