Nº 654

SER MÃE É ACEITAR. TUDO (Adaptado)

Longe da nossa mãe, não serão tanto as carícias e ternuras que nos fazem falta, mas a sua generosa e bondosa forma de nos aceitar assim, tal como somos...

Ser mãe é receber em si um outro que lhe vem de fora e acolhê-lo em vista de um futuro que pressente mas que, de maneira nenhuma, sabe explicar. Ser mãe é, antes de mais, aceitar. Tudo. Tudo.

É aceitar em si um outro para o qual ela se torna o mundo: gerando-o, alimentando-o, comendo, bebendo e respirando com ele... ele dentro de si, ela em volta dele.

É deixar esse outro ir embora e voltar a recebê-lo em cada dia, quando ele volta, quando ele se revolta e, também, quando ele não volta...

Ser mãe é acolher o que o outro lhe dá. Mas não como quem se alimenta do que lhe vem de fora, transformando-o em vida, que acolhe em si, e devolvendo ao mundo, já morto, aquilo que sobra. Ser é mãe é dar-se como alimento, transformando-se na vida daquele a quem se dá para depois... voltar depois ao mundo, gasta, apenas com o que lhe sobra.

Ser mãe é dar-se. Aceitando sempre qualquer resultado e resposta.

Uma mãe, mais do que dar um filho ao mundo, deve dar um mundo ao filho. Um melhor que este, cheio de esperança e sonhos, com formas e forças para o concretizar. Dando-se. Abdicando de si. Amando da forma mais sublime e real, pura e concreta. Humana e divina. Acolhendo como sua esta obrigação absoluta de amar quem nem sempre se dá conta do seu valor.

É experimentar uma vida em que a alegria se conjuga com a tristeza, a graça com a desgraça, a esperança com o desespero. Como se as emoções tivessem uma amplitude gigantesca mas onde, ainda assim, importa garantir que todas as tempestades interiores não se veem do exterior... uma mãe dá a paz que tantas vezes não tem.

Uma boa mãe é um mistério com três dons: a simplicidade, a presença e o silêncio.

Ser mãe já é ser perfeito. Nenhuma mãe tem em si todas as qualidades humanas e, menos ainda, vive sem erros, mas, apesar de tudo, abraça os filhos tal como são, por poucas qualidades que tenham, por maiores que sejam os seus erros... ser mãe, assim, é quanto basta para ser perfeito.

Uma mãe perdoa sempre. Ainda que de coração sacrificado, prefere pensar que a culpa é sua e não de quem assim a crucifica. Aceita tudo. Sem exigir nada. Afinal, uma mãe é Deus connosco.

Ensina-nos a ser mais fortes que os medos, não através de discursos inspirados, mas pela grandeza e humildade do seu exemplo. É capaz de nos oferecer o mar com um só sorriso e a vida inteira com uma só lágrima... que não será mais que uma gota do imenso mar do seu amor.

Uma mãe vê-nos a alma só de nos admirar o olhar.

Há poucas mães. Muitas mulheres têm filhos mas não são mães, porque há poucas que sejam mais fortes que os egoísmos... há quem julgue que ser mãe é ter filhos. Mas ser mãe não é ter, é ser. Ser só. Ser-se quem se é nos filhos e pelos filhos. É viver em pleno entre dois corações. É ser mais... por ser menos.

José Luís Nunes Martins

 

XX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Lição de fidelidade

"Ó Senhor de todas as criaturas,
Fazei que o homem, meu dono,
Seja fiel aos outros homens
como eu próprio lhe sou fiel.
Fazei-0 afeiçoado à família e aos amigos
como eu próprio lhe sou afeiçoado.
Fazei que ele guarde honestamente os bens que Tu lhe confias
como eu honestamente guardo os que ele me confia a mim.
Dai-lhe, senhor, a humildade e a fé
como eu me contento com as coisas simples.
Fazei-o tão pronto à gratidão
como eu sempre tão pronto o reconheço.
Dai-lhe uma paciência igual à minha
que o sigo sem nenhum queixume.
Que ele tenha a minha coragem e a minha prontidão no sacrifício.
Conserva-lhe a juventude do meu coração e a alegria do meu viver.
Por fim, Senhor de todas as criaturas,
fazei-o sempre tão verdadeiramente homem,
como eu sempre tão verdadeiramente sou cão.
Ámen."

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

DAR E RECEBER GRATUITAMENTE

 Aprender a amar é extremamente simples: é aprender a dar gratuitamente e aprender a receber gratuitamente....

 Dar gratuitamente não é para nós espontâneo. Temos uma grande tendência para dar para receber em troca. O dom de nós mesmos é sempre motivado, em maior ou menor grau, pela expectativa de alguma gratificação. O Evangelho convida-nos a pôr de parte essa limitação para praticar um amor tão puro e desinteressado como o do próprio Deus, um amor que seja livre precisamente por ser capaz de existir e de durar sem ser condicionado pela resposta nem pelo mérito daquele a quem se destina…

 Também não temos facilidade em receber gratuitamente…

 Receber gratuitamente pressupõe que tenhamos confiança naquele que dá, que tenhamos o coração aberto e disponível para receber…

 Não podemos receber gratuitamente se não nos reconhecermos e nos aceitarmos como pobres; e o orgulho recusa-se terminantemente a fazê-lo. Somos capazes de reivindicar, de exigir, mas raramente de aceitar.

 Pecamos por falta de gratuidade sempre que, nas nossas relações com Deus ou com os outros, o bem que tivermos realizado nos sirva de pretexto para reivindicar algum direito, para exigir reconhecimento ou qualquer gratificação por parte de outro. E também, mais subtilmente, sempre que tivermos receio, por causa desta ou daquela limitação ou falha pessoal, de não receber amor, como se o amor devesse pagar-se ou merecer-se.

Jacques Philippe, in A Liberdade Interior

 

CONTO (514)

 

ABRAÇO DE DEUS

A avó foi buscar as irmãs de Robin à escola e passou uma tarde agitada e muito tensa, cuidando das crianças, enquanto aguardava que a filha voltasse com a menina magoada.

Quando chegaram, as irmãs mais pequenas de Robin correram para os braços da mãe. Robin entrou silenciosa em casa e foi sentar-se na grande poltrona da sala de estar.

O médico tinha suturado a boca da menina com oito pontos internos e seis externos. O rosto estava inchado, a fisionomia estava modificada e os fios dos cabelos compridos estavam cheios de sangue seco.

A menina parecia frágil e desamparada. A avó aproximou-se com o máximo cuidado. Conhecia a neta, sempre tímida e reservada.

A avó perguntou-lhe:

- Desejas alguma coisa, querida?

Os olhos da menina fitaram a avó firmemente e ela respondeu-lhe:

- Quero um abraço.

Uma avó conta-me que um dia a sua filha telefonou-lhe das Urgências do Hospital. Sua neta, Robin, de apenas seis anos, tinha caído de um brinquedo, no pátio da escola, e tinha ferido gravemente a boca.

Estamos no mundo para aprender a amar, matriculando-nos na escola de Jesus.

"Também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos".
Também os cachorrinhos dão-nos grandes lições de fé, de fidelidade e de amor.
Podemos recordar uma oração que alguém pôs na boca de um cão:

O mundo será julgado pelas crianças. O espírito da infância julgará o mundo.

   Georges Bernanos

 

O importante é o que tens no coração; e, desde que isso esteja a transbordar, tu tens tudo, tu és tudo.

  J. Krishnamurti

 

Bem-aventurados aqueles que chegados ao inverno guardam um pouco de cigarra no coração e na voz!

   Anne Baratin

 


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Nº 654

Pensamento da Semana

O mundo será julgado pelas crianças. O espírito da infância julgará o mundo.

   Georges Bernanos

 

O importante é o que tens no coração; e, desde que isso esteja a transbordar, tu tens tudo, tu és tudo.

  J. Krishnamurti

 

Bem-aventurados aqueles que chegados ao inverno guardam um pouco de cigarra no coração e na voz!

   Anne Baratin

 

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