Nº 819

 

TARDE TE AMEI...

Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova…

Tarde Te amei!

Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração…

Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te.

Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.

Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”.

Durante os anos de minha juventude, pus o meu coração em coisas exteriores que só me faziam afastar cada vez mais d’Aquele a Quem o meu coração, sem saber, desejava…

Eis que estavas dentro e eu fora!

Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti.

Estavas comigo e eu não estava Contigo…

Mas Tu chamaste-me, clamaste por mim e o Teu grito rompeu a minha surdez…

“Fizeste-me entrar em mim mesmo…

Eu tinha-me escondido, para não olhar para dentro de mim. Mas Tu arrancaste-me do meu esconderijo e puseste-me diante de mim mesmo, a fim de que eu visse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”.

Exalaste Teu Perfume e respirei.

Agora suspiro por Ti, anseio por Ti!

Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver.

Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro.

Deus… a Quem esquecer é morrer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir.

Foi assim que descobri Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.

Provei-Te, e agora tenho fome e sede de Ti.

Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”.

Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova!

Tarde demais eu Te amei!

Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29.

 

XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

O banquete do Reino

Jesus Cristo, com frequência, compara o Reino dos Céus a um banquete. A este propósito recordo uma metáfora oriental já muito divulgada:

 

Um certo homem faleceu e antes de entrar no céu quis dar uma espreitadela pelo inferno. Reparou que numa sala havia uma mesa e ao centro um pratão de arroz com colheres enormes, de um metro de cumprimento. Nisto chegaram os convivas. Cada um tentava comer com aquelas colheres gigantes mas era impossível e toda a gente passava fome.

 

Ao entrar no paraíso viu, para seu espanto, uma mesa igual, o mesmo prato de arroz e as mesmas colheres enormes.

 

– Mas como é possível comer aqui no céu?

 

– Espera e já verás que isto não é inferno nenhum, respondeu-lhe um anjo.

 

Aproximaram-se os santos do Paraíso, sentando-se pegaram nas colheres, e cada um dava de comer àquele que estava no outro lado da mesa.

 

– Eis a diferença. No inferno cada um pensa em si e todos passam fome. No paraíso todos servem os outros numa refeição fraterna e há alegria e paz. A mesa é igual, as pessoas é que são diferentes.

 

Já que o Reino dos Céus é um grande banquete, treinemos aqui na terra a partilhar, servindo e pensando nos outros para não haver surpresas para ninguém na eternidade.

 

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

Não voltes atrás

 

Se os portais do meu coração

Estiverem sempre fechados,

Rebenta-os e entra na minha alma,

Senhor, não voltes para trás.

 

Se um dia destes as cordas da minha harpa

Não ressoarem com o Teu nome,

Na Tua espera digna de piedade,

Senhor, não voltes para trás.

 

Se quando me chamares

A sonolência do meu sono não passar,

 

Senhor, não voltes para trás.

 

Se um dia destes no Teu trono

Eu colocar alguém sem pensamentos,

Meu eterno Rei,

Não voltes para trás!

  

Tradução de José Agostinho Baptista  in Rabindranath Tagore, Poesia,

 

CONTO (668)

 

NO MEIO DO FOGO

Era uma vez uma família que vivia feliz num bairro da cidade. Mas, uma noite, aconteceu a tragédia: um pavoroso incêndio rebentou na cozinha.

Enquanto as chamas alastravam a toda a casa, pais e filhos corriam para a rua. Abraçaram-se e olharam, impotentes, para a casa envolta em fogo e fumo.

Naquele momento deram-se conta que faltava o filho mais pequeno, um menino de cinco anos. No momento de sair, tinha voltado para trás, assustado pelas labaredas de fogo. O que fazer? Pai e mãe olharam-se desesperados.

Mas eis que, lá do alto, se abriu uma janela e a criança debruçou-se gritando:

- Pai! Pai!

O pai correu e gritou:

- Salta! Atira-te cá para baixo! Eu amparo-te!

A criança só via diante de si fogo e fumo. Às palavras amigas do pai respondeu:

- Mas, pai, eu não te vejo!

Gritou o pai:

- Vejo-te eu e basta. Salta sem medo!

A criança saltou e encontrou-se sã e salva nos braços robustos do pai.

 

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe


 

INFORMAÇÕES

 

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Manadas - quinta-feira, 19 de outubro, das 17 às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

Ribeira Seca - sexta-feira, 20 de outubro, das 18 às 19 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

 

 

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

 

No próximo domingo, 22 de outubro, às 16 horas.

 

 

 

VENDE-SE CASA

 

Vende-se casa com quinta, palheiro e azenha, na freguesia da Ribeira Seca. Contactar através do nª 918551795


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Nº 819

Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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