Nº 780

 

SÓ HÁ UM LUGAR ONDE POSSO TER PAZ
Todos temos um recanto no mundo em que, protegidos e distantes do barulho e da pressa, descansamos e usufruímos da paz pela qual passamos a vida a lutar.

 

Aí, não há festas nem alegrias efusivas, apenas uma paz pura. Ali, sós, estamos em boa companhia.

 

É um erro enorme julgar que nos realizamos apenas fora de nós, ou que isso é uma condição essencial para uma realização plena.

 

Quem se deixa guiar pela fome da aprovação dos outros, não tem consciência de que essa avidez conduz a uma tal exposição que impede o recato e a intimidade onde as nossas forças se equilibram e fortalecem. Quem vive para a aparência, cedo troca a paz interior por uma ilusão de fama, tão instantânea que morre logo depois de nascer.

 

Quem não tem onde viver em paz é miserável. No sentido mais profundo e absoluto da miséria.

 

Só neste lugar, que não é um sonho, posso adormecer e acordar com um sorriso.

 

Por que razão não estou sempre lá? Talvez porque tenho de passar pelo pior para continuar a merecer o melhor.

 

Na vida temos sempre de fazer sacrifícios grandes para continuarmos a existir nesse lugar onde aprendemos a ver o mundo como ele é, onde os nossos planos se começam a fazer realidade, onde recarregamos as nossas forças, onde somos e nos sentimos amados.

 

Amar implica sair deste conforto e fazer muita coisa desagradável que é imprescindível à defesa da minha felicidade.

 

Caminhando sempre, como se o espírito só avançasse quando as pernas o agitam, procurando sem cessar a paz do outro, sem a qual não posso ter a minha.

 

E é assim que, enquanto na terra os meus pés se debatem com a lama e os buracos do mundo, o meu coração experimenta já a paz de um céu ao qual não cheguei ainda.

 

José Luís Nunes Martins
 
II DOMINGO DO TEMPO COMUM
A liturgia deste domingo coloca a questão da vocação; e convida-nos a situá-la no contexto do projeto de Deus para os homens e para o mundo. Deus tem um projeto de vida plena para oferecer aos homens; e elege pessoas para serem testemunhas desse projeto na história e no tempo.
A primeira leitura apresenta-nos uma personagem misteriosa – Servo de Jahwéh – a quem Deus elegeu desde o seio materno, para que fosse um sinal no mundo e levasse aos povos de toda a terra a Boa Nova do projeto libertador de Deus.
A segunda leitura apresenta-nos um “chamado” (Paulo) a recordar aos cristãos da cidade grega de Corinto que todos eles são “chamados à santidade” – isto é, são chamados por Deus a viver realmente comprometidos com os valores do Reino.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele é o Deus que veio ao nosso encontro, investido de uma missão pelo Pai; e essa missão consiste em libertar os homens do “pecado” que oprime e não deixa ter acesso à vida plena.
Dehonianos
 
MEDITAR
 

 

Cristão ou não? Eis a questão

 

«Quem não sente estremecer o coração, na dor dos outros, não é Cristão.»

 

Pe. Rui Miguel

 

 

 

Enganam-se aqueles que pensam que ser-se Cristão é algo que fica bem na fotografia.

 

Enganam-se redondamente aqueles que pensam que é fácil ser-se seguidor de Cristo.

 

Ser-se Cristão é rasgar o coração para o mundo.

 

Ser-se Cristão é sentir a dor sempre que se cai numa tentação.

 

Ser-se Cristão é deixar-se inundar pelos que sofrem.

 

Ser-se Cristão é deixar-se tocar por este verdadeiro dom que é a vida.

 

Ser-se Cristão é assumir a fragilidade humana reconhecendo que tem de se ser salvo.

 

Não é fácil seguir Cristo perante os olhos da sociedade e perante a nossa própria consciência.

 

É desafiante. É cansativo. É alucinante. É de loucos...

 

E tudo isto acontece, porque todo e qualquer cristianismo surge através da cruz.

 

A cruz que nos salva é a mesma que nos recorda as nossas responsabilidades.

 

E nós somos responsáveis por muita coisa...

 

Somos responsáveis por não fazer vista grossa ao nosso próximo.

 

Somos responsáveis por defender todos, mas não defender tudo.

 

Somos responsáveis para dar a conhecer ao mundo que só o amor pode salvar.

 

Somos responsáveis por respeitar toda a diferença.

 

Somos responsáveis por gritar bem alto que toda e qualquer pessoa deve ser respeitada na sua humanidade.

 

Não podemos usar somente a cruz ao pescoço e fingir que não tem peso.

 

Não podemos dizer que somos de Cristo e fingir que não temos de carregar a cruz.

 

Carregamos a cruz para mostrarmos ao mundo que não somos perfeitos.

 

Carregamos a cruz para mostrarmos ao mundo que nada disto deve ser feito como um fardo.

 

A cruz que hoje carregamos deve ser sinal de esperança.

 

A cruz que hoje carregamos deve ser sinal de misericórdia.

 

A cruz que hoje carregamos deve ser sinal de vida.

 

Não tenhamos medo da cruz, nem tenhamos medo do seu peso.

 

Emanuel António Dias (Adaptado)
CONTO (637)
 
O ARGUEIRO E A TRAVE
Um dia, o imperador mandou chamar um dos seus vassalos, que era conhecido como muito cruel, muito mau. Disse-lhe:
- Ordeno-te que vás pelo mundo à procura de uma pessoa realmente boa.
Ele foi e encontrou muita gente. Falou com todos e, passado algum tempo, regressou e disse ao imperador:
- Senhor, fiz o que mandaste e não encontrei uma pessoa boa. São todos egoístas e maus.
Esse vassalo, como era egoísta e mau, viu os outros com uns óculos escuros e achou que eram todos como ele.
O imperador mandou, em seguida, chamar um outro vassalo, conhecido pela sua bondade e compreensão. Disse-lhe:
- Ordeno-te que vás pelo mundo à procura de uma pessoa realmente má.
Ele obedeceu e encontrou muita gente. Falou com todos e, passado algum tempo, regressou e disse ao imperador:
- Senhor, fiz o que mandaste. Vi pessoas que por vezes não se comportam muito bem, mas não consegui encontrar uma pessoa realmente má. Todos têm um bom coração.
Este vassalo, como era bom, viu os outros com uns óculos de cores alegres e achou que todos, apesar de alguns defeitos normais em todo o ser humano, eram bons como ele.
in, Bom dia, alegria de Pedrosa Ferreira
 

 

É sempre pela mão do outro que somos conduzidos à visão de Deus. (...) 
Sem o inesperado que o outro é para mim, facilmente transformo Deus num ídolo moldado pela minha estreita expectativa. (...) No olhar do outro adivinha-se um caminho a percorrer.
 
Carlos Maria Antunes, in Só o Pobre se faz Pão

 

INFORMAÇÕES
A Direção da Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa que estará na Clínica da Instituição a Dr.ª Paula Pires, neurologista e neuro-pediatra, em janeiro de 2017; Dr. Brasil Toste, otorrinolaringologista, 28 e 29 de janeiro; Dr.ª Alexandra Dias, Pediatra, 13 e 14 de janeiro de 2017; a Dr.ª Renata Gomes, Cardiologista, em janeiro/fevereiro; Dr.ª Maria Graça Almeida, Ginecologista, em janeiro/fevereiro; Dr.ª Lourdes Sousa, Dermatologista, em 2 e 3 fevereiro de 2017. Os interessados podem fazer as suas marcações para os números 295 460 110/ 295460111.

 

 

 

CONCURSO DE SOPAS

 

A Casa do Povo do Norte Pequeno, realiza no próximo domingo, 22 de janeiro, pelas 12 horas um concurso de sopas. Se alguém quiser participar com uma sopa, deve fazer a sua inscrição para o nº 295417296 ou na Casa do Povo, até ao dia 18 de janeiro. Serão atribuídos prémios às três sopas mais votadas.

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Pensamento da Semana

 

É sempre pela mão do outro que somos conduzidos à visão de Deus. (...) 
Sem o inesperado que o outro é para mim, facilmente transformo Deus num ídolo moldado pela minha estreita expectativa. (...) No olhar do outro adivinha-se um caminho a percorrer.
 
Carlos Maria Antunes, in Só o Pobre se faz Pão

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