Nº 649

FERIAS

 

Por todo o lado já cheira a férias. A promessa de um tempo nosso, por nossa conta, invade-nos. Não esperamos só pelo merecido descanso, mas, principalmente, pelo sabor do tempo livre de tudo o que os dias normalmente nos impõem. Depois de um ano a correr atrás do que misteriosamente “há para fazer”, podemos finalmente decidir o que queremos fazer. Finalmente, somos chamados a conduzir totalmente o curso dos nossos dias. As horas voltam a pertencer-nos durante umas semanas. A vida regressa às nossas mãos e pede que façamos alguma coisa com ela.

 

Este, no entanto, não é um texto sobre as férias. Mas sobre uma verdade, aparentemente óbvia, que elas nos revelam: as nossas vidas são nossas. Os dias, todos, sem exceção, estão nas nossas mãos e teremos de dar contas do que fizermos deles. Tal como nas férias, o tempo está livre. Tal como nas férias, temos de fazer alguma coisa dele. Temos como tarefa tratar das nossas férias gigantes.

 

Dizer que o tempo (sim, todo o tempo da nossa estadia por cá) é tempo livre não é um desvario de um jovem universitário. É dizer que somos totalmente responsáveis pela forma como o ocupamos. Só se compreendermos isto é que poderemos lutar contra a corrente fortíssima e invisível que puxa os nossos dias para onde ela bem entende.

 

E que corrente é essa? É aquela força que nos leva meio embevecidos e sonolentos para onde não queremos. É aquela coisa esquisita que se encarrega de viver a vida por nós e que cala a pergunta “Vale a pena perder tempo a fazer isto?”. Ora, só se percebermos que temos uma palavra a dizer acerca do que vale ou não a pena fazer com as nossas vidas é que podemos lutar contra esta sonolência em que nos encontramos.

 

Mas o leitor pensa que não está também a ser levado na corrente? Então peço-lhe que leia o primeiro parágrafo deste texto outra vez. É isso que sente quando pensa nas férias? Um alívio de chegada às semanas em que pode finalmente fazer o que quer? Eis então o problema: porque sentimos que é só nas férias que os dias nos pertencem? Quem é que escolheu por nós o que fazemos no resto do ano? Se fomos nós, porque é que há diferença?

 

É o Senhor quem nos pede que façamos nossas as vidas que Ele nos ofereceu. É ele que nos deixa estes dias para que os façamos render. Mais não pede, apenas isso. Uma vez nossos, Ele pede-nos que os vivamos por amor, com amor e no amor. É isso que queremos fazer das nossas férias gigantes?

Vasco Cordovil Cardoso

 

 

Um dia foram dar um passeio pelo campo. À medida que caminhavam viram um agricultor a arar.

- Que coisa mais estranha. Este sujeito passa o dia andando para cá e para lá rasgando a terra. Porque haveria de destruir este belo chão?

Mais tarde passaram de novo no mesmo lugar e viram-no a semear o terreno arado.

- Esta aldeia não é para mim, disse um dos irmãos. As pessoas aqui comportam-se de modo irracional. Vou para casa.

Mas o outro ficou e depois de algumas semanas viu uma maravilhosa diferença: a terra cobriu-se de plantinhas verdes. Escreveu ao irmão para que voltasse. Aquele veio e ficou admirado. Com o passar dos dias a terra transformou-se num campo dourado de trigo maduro. Compreenderam então o comportamento do agricultor....Ao semear um saco de trigo, ele tinha colhido um campo inteiro.

É assim que Deus trabalha, concluiu o rabino. Nós, mortais, só vemos o começo do seu plano. Não podemos entender o plano total e o fim último da sua criação. Temos que confiar na sua sabedoria.

Este semeador é Deus que cumpre a sua missão e semeia com generosidade. Ele dá as mesmas oportunidades a todos.

A semente é igual para todos, sempre útil para alguém, mais não seja para os pardais. Tem sempre capacidade de germinar desde que lhe deem essa oportunidade.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

CORRER RISCOS

Rir é correr o risco de parecer tolo.

Chorar é correr o risco de parecer sentimental.

Estender a mão é correr o risco de se envolver.

Expor os seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.

Defender os seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.

Amar é correr o risco de não ser correspondido.

Viver é correr o risco de morrer.

Confiar é correr o risco de se dececionar.

Tentar é correr o risco de fracassar.

Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.

Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.

Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.

Acorrentadas pelas suas atitudes, elas tornam-se escravas, privam-se de sua liberdade.

Somente a pessoa que corre riscos é livre!

 

Séneca

 

CONTO (509)

 

UMA FLOR RARA

Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe pagava muitíssimo bem, uma família unida. O estranho é que ela não conseguia conciliar isso tudo, o trabalho e os afazeres ocupavam –lhe todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.

Se o trabalho lhe ocupava muito tempo, ela ficava sem tempo para os filhos e  marido… E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para trás.

Um dia, o pai, que era homem sábio, deu –lhe um presente: uma flor muito cara e muito rara, da qual havia apenas um exemplar em todo o mundo.

O pai disse-lhe:

 – Filha, esta flor vai-te ajudar muito mais do que tu imaginas! Terá apenas de regá-la e podá-la de vez em quando, às vezes conversar um pouco com ela, e ela dar-te-á em troca o seu perfume maravilhoso e essas lindas flores. A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho ocupava o seu tempo, e a sua vida, que continuava ocupada, não permitia cuidar da flor.

Ela chegava a casa, olhava para a planta e as flores ainda lá estavam, não mostravam sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas e perfumadas.Então ela pensava que estava tudo bem. Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou a casa e apanhou  um susto! A planta estava completamente morta, as suas raízes estavam secas, as suas flores caídas e as folhas amarelas. A jovem chorou muito, e contou ao pai o que lhe tinha contecido.

O pai disse-lhe:

– Eu já imaginava que isso ia acontecer, e eu não te posso dar outra flor, porque não existe outra igual a ela no mundo, ela era única, assim como os teus filhos, o teu marido e a tua família. Todos são uma bênçãos que o Senhor te deu, mas tu tens de aprender a regá-los, podá-los e dar-lhes atenção, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Tu acostumaste-te a ver a flor sempre no mesmo lugar, sempre florida, sempre perfumada, e esqueceste-te de cuidar dela. Cuida das pessoas que tu amas!

 

O desejo mais profundo de uma pessoa é ser feliz. Não só por um momento, mas feliz para sempre. Outra coisa não seria normal! Mas há quem desista desse sonho por lhe parecer uma paixão inútil e impossível, confundindo felicidade com bem-estar ou prazer.

Ser feliz é ser fecundo. É esse o significado da palavra. E uma árvore só é fecunda quando é podada. Não se é feliz sem podar o egoísmo.

 

Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in Não há soluções, há caminhos

 


FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO

FAJÃ DOS VIMES

 

Dia 16 de julho:          9h00 Missa e bênção do Carmo

                                         19h00 Missa de Festa com a bênção do Carmo seguida de Procissão

 

MUSEU FRANCISCO LACERDA

Horário de verão – 1 de julho e 15 de setembro – segunda a sexta-feira – 9h00/18h00.

Sábados e domingos – 15h00/18h00.

 


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Nº 649

Pensamento da Semana

O desejo mais profundo de uma pessoa é ser feliz. Não só por um momento, mas feliz para sempre. Outra coisa não seria normal! Mas há quem desista desse sonho por lhe parecer uma paixão inútil e impossível, confundindo felicidade com bem-estar ou prazer.

Ser feliz é ser fecundo. É esse o significado da palavra. E uma árvore só é fecunda quando é podada. Não se é feliz sem podar o egoísmo.

 

Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in Não há soluções, há caminhos

 

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