Nº 1102

 

Sopro de Vida

 Quanto aos discípulos,

estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.(Act 14, 52).

 

 Senhor, apercebo-me que continuas a contar comigo. Não sei ainda para quê, pois não sou capaz de discernir sozinha a Tua vontade para mim, mas confio que também a Teu tempo a revelar-me-ás.

 Ainda nesta minha indefinição consagras-me na Tua alegria Pascal através do Teu Santo Espírito, dom com o qual me agracias apesar das minhas resistências, hesitações, desconfianças e receios.  

 Das trevas arrancas-me com a Tua luz, da noite das minhas angústias fazes despontar a esperança do dia que fizeste e da morte do meu pecado ressuscitas-me à graça da Tua infinita misericórdia.

 Estabeleces hoje também a mim como luz para levar a salvação, que pelo teu sacrifício de amor recebemos, até aos confins da terra (Cf. Act 14, 47).

 Pagã que fui e que muitas vezes ainda sou, também eu glorifico a Tua palavra e Te bendigo porque “quando ainda estava no ventre materno, chamaste-me, quando ainda estava no seio da minha mãe pronunciaste o meu nome” (Is 49, 6). Bendigo-Te porque, ainda sem tudo perceber, consigo hoje ver todas as maravilhas que vais fazendo em mim. 

 Nas marés tumultuosas da vida, escondes-me na concha da Tua mão  e guardas-me na Tua aljava (Cf. Is 49, 2). Escreves o meu nome no céu (Cf. Lc 10, 20), Tu que me formaste desde o ventre materno para ser Tua serva (Cf. Is 49, 5). Em ti está o meu direito e a minha recompensa (Cf. Is 49, 4), Tu que és a minha força (Cf. Is 49, 5).

 Só em Ti encontro repouso para os cansaços da vida e só Tu tornas leve o meu fardo, dando-me a experimentar a mansidão e humildade do Teu coração, lugar onde albergas a inesgotável fonte do Teu amor (Cf. Mt 11, 28-30)!

 Que toda a minha vida seja, pois, um salmo de ação de graças e de louvor em nome do Pai que a todos criou, em nome do Filho que a todos salvou e em nome do Espírito Santo que, no amor do Pai e do Filho, nos consagrou!  

 Aleluia! Aleluia!

Raquel Dias

 

MEDITAR

A força da gravidade que nos impele para o alto

A ascensão é a navegação do coração, que te conduz do fechamento em ti ao amor que abraça o universo (Bento XVI). A esta navegação do coração, Jesus chama os onze, um grupinho de homens amedrontados e confusos, um núcleo de mulheres corajosas e fiéis. Desafia-os a pensar em grande, a olhar longe, a ser a narrativa de Deus «a todos os povos».

Depois condu-los para fora, rumo a Betânia, e, erguendo as mãos, abençoa-os (Lucas 24,46-53). No momento do adeus, Jesus acolhe nos braços os seus discípulos, congrega-os e aperta-os a si, antes de os enviar.

A ascensão é um ato de enorme confiança de Jesus naqueles homens e mulheres que o seguiram durante três anos, que não entenderam muito, mas que muito o amaram: confia à sua fragilidade o mundo e o Evangelho, e abençoa-os.

É o seu gesto definitivo, a última imagem que nos resta de Jesus, uma bênção sem palavras, suspensa para sempre entre Céu e Terra.

Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi levado para o Céu. Jesus não foi para longe ou para o alto, para qualquer canto remoto do cosmo. Elevou-se para a profundidade das coisas, para o íntimo da criação e das criaturas, e de dentro preme como bênção, força ascensional para uma vida mais luminosa.

Não existe no mundo só a força de gravidade para baixo, mas também uma força de gravidade para o alto, que nos faz erguidos, que faz verticais as árvores, as flores, a chama, que levanta a água das marés e a dava dos vulcões. Como uma nostalgia de céu.

Com a ascensão, Jesus sobe à profundeza das criaturas, inicia uma navegação no coração do universo, o mundo é batizado, isto é, imergido em Deus. Se apenas fosse capaz de me dar conta disto e de disto me alegrar, descobriria a Sua presença em todo o lado, caminharia pela Terra como dentro de um único sacrário, num batismo infinito.

Lucas conclui, de surpresa, o seu Evangelho, dizendo: os discípulos voltaram a Jerusalém com grande júbilo. Em vez disso, deviam estar tristes, acabava uma presença, foi-se embora o seu amor, o seu amigo, o seu mestre. Mas a partir daquele momento, sentem dentro de si um amor que abraça o universo, capaz de dar e receber amor - amei cada coisa com o adeus (Marina Cvetaeva).

Os discípulos veem em Jesus que o homem não acaba com o seu corpo, que a nossa vida é mais forte que as suas feridas. Veem que um outro mundo é possível, que a realidade não é só isto que se vê, mas abre-se sobre um “além”; que em cada sofrimento, Deus inseriu centelhas de ressurreição, clarões de luz no escuro, fissuras nos muros das prisões. Também nós vemos que fica comigo «o meu Deus, perito em evasões» (M. Marcolini).

Ermes Ronchi

 

 

Um conto que ajuda a esclarecer perplexidades acerca dos vários títulos atribuídos a Nossa Senhora

 

Diante das dúvidas que podem nascer no coração de alguém, a respeito dos vários títulos atribuídos a Nossa Senhora, esta narrativa pode ajudar a esclarecer tais perplexidades.

Uma jovem estava à porta do elevador, esperando-o, quando apareceu a sua vizinha. Cumprimentaram-se e, puxando conversa, a jovem comentou:

– Vou rezar o terço de Nossa Senhora.

A vizinha perguntou-lhe:

– A qual delas? Vocês inventaram tantas…

A jovem manteve a calma, ofereceu a Deus aquele momento e, depois, explanou:

– Vizinha, você tem o seu nome. Mas como é que a sua filha a chama?

Antes que a vizinha respondesse, a jovem continuou:

– Chama-lhe «mãe». E a sua neta chama-lhe «avó». O seu marido chama-lhe «meu bem», «amor» ou, quem sabe, por alguma alcunha carinhosa. Para mim, você é a minha «vizinha». Para o administrador do prédio, é a «inquilina do 602». Os seus pais chamavam-lhe «minha querida filha»…

O elevador chegou e elas desceram juntas. A jovem ainda lembrou à vizinha o médico, que a tratava por a «paciente», o lojista que a chamava «freguesa», o comerciante que a conhecia por «cliente», etc.

A vizinha ficou visivelmente emudecida com a lição.

Ao afastar-se, a jovem concluiu:

– Se você que é a minha vizinha tem tantos títulos, imagine aquela que é a Mãe de Deus! Em todos os lugares onde o Evangelho é anunciado, as pessoas que conhecem Maria de Nazaré dão-lhe um nome carinhoso, para lembrar uma dimensão da relação que mantêm com Ela ou para se referir a bênção que receberam por meio dela. Maria de Nazaré não muda, ela sempre foi e sempre será a nossa única e mesma Mãe de Jesus e nossa.

Com um sorriso, a jovem foi rezar o seu terço:

–  Ave Maria, a Cheia de Graça, Aquela com quem o Senhor está, és Bendita entre as mulheres, e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, sê a nossa Mãe que nos encaminha para Deus, agora e na hora da nossa morte. Amém.

Pe. Luiz Antônio Pereira

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

A felicidade é sempre um milagre.
Os milagres não se obtêm.
Os milagres acontecem.
Os milagres surpreendem-nos.
Os milagres surgem do nada.
E... vêm sempre do alto.
Eles descem sobre nós,
Nós apenas podemos estender a mão
para que os milagres não nos escapem.

 Anselmo Grün


 

INFORMAÇÕES

 

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO

MANADAS - quarta-feira, 24 de maio, entre as 10 horas e as 11 horas. 

RIBEIRA SECA - quinta-feira, 25 de maio, entre as 17 horas e as 18 horas.  

 

FESTA DE NOSSA SENHORA AUXILIADORA

Festa na Ermida de Nossa Senhora Auxiliadora, em Santo António, no dia 24 de maio às 19 horas.        


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Nº 1161

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

«Só um coração iluminado pode reparar nas muitas flores que se encontram nos caminhos que percorremos todos os dias, porque um coração iluminado sabe, por experiência própria, que nos alicerces da alegria está o que é frágil, o que não conta, o que de algum modo é marginal, o que não é da ordem do necessário, mas do gratuito.

 

Quando vivemos radicados no coração, os nossos dias tão iguais podem transformar-se na mais bela oração: «Vela com todo o cuidado sobre o teu coração, porque dele jorram as fontes da vida.» (Pr 4,23)

Carlos Maria Antunes, in Só o Pobre se faz Pão

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