Nº 1098

 

O que é que em mim ainda não foi ressuscitado?

O que é que em mim ainda não foi ressuscitado? Esta tem sido a questão que me tem acompanhado nos últimos dias. Ciente da importância da ressurreição de Jesus Cristo para a minha fé e para a minha vida, compreendo que a ressurreição não me pode deixar na mesma. A ressurreição comemorada no Domingo de Páscoa não pode ficar fechada à espera de que tudo se volte a repetir no próximo ano. Tenho de ser eu, com tudo o que sou e faço, a verdadeira visita pascal (ou também tradicionalmente conhecida por compasso). Sim, tenho de ser eu e tu. Temos de ser nós, que acreditamos nesta loucura, a marcar o compasso das nossas vidas com a alegria de nos sabermos erguidos. Temos de ser nós, com a nossa irreverência e inquietude, a abanar com o “mofo” existente na sociedade e na nossa Igreja para que também sejam lavadas com o mesmo exagero e cuidado que Maria fez com Jesus ao derramar-lhe um perfume de nardo extremamente caro.

 O que é que em mim ainda não foi ressuscitado? O que é que ainda não me permiti perdoar, a mim e aos outros? O que é que ainda não fui capaz de mudar? O que é que em mim ainda não tem vida? Quais as sombras em que ainda não permiti que Ele levasse a Sua Luz?

 Acreditar na ressurreição é exigente, no entanto é também extremamente libertadora. E se nos liberta, porque não devemos libertar os outros? Sem imposições, sem fanatismos, mas convidando. Deixando que o nosso testemunho seja desafiante ao ponto de os outros quererem saber mais, de quererem sentir mais, de quererem vivenciar cada vez mais de perto esta nossa loucura.

 A ressurreição começa sempre à volta da mesa do altar. Reunidos e alimentados pela Palavra. Reunidos e alimentados pelo Seu corpo partilhado e pelo Seu vinho de alegria, mas a verdadeira ressurreição acontece todos os dias da nossa vida. Do outro lado da igreja, sim, do lado de fora. A ressurreição acontece na Eucaristia da nossa vida, isto é, acontece naquilo que somos e fazemos pelos outros e para os outros sabendo que testemunhamos Aquele que nos é tudo e nos dá tudo!

 Se professo a ressurreição sem alegria e de cabisbaixo, como poderão os outros acreditar em mim e em Deus? Se não me sinto erguido como poderão os outros acreditar em mim e em Deus? Se me considero erguido e não sou capaz de erguer a vida de outros, como poderão acreditar em mim e em Deus?

 Sejamos a ressurreição, sejamos o amor que ergue todos seja em que altura for ou em que condição se encontre!

Emanuel António Dias

 

 

MEDITAR

Companheiros de Emáus (Lucas 24:13-35)

«Quantas caminhadas já teremos feito com o Senhor Ressuscitado sem sequer nos termos dado conta?!

De quantos modos o Senhor Ressuscitado já terá metido conversa connosco e tentado começar um Diálogo entre amigos?!

É importante estarmos mais atentos aos forasteiros, aos desconhecidos, aos estranhos ou estrangeiros, e termos menos defesas em relação às visitas-surpresa da nossa vida, porque parece que o Senhor Ressuscitado se sente bem nessa pele...

O Senhor Ressuscitado procura os seus amigos, encontra-os e põe-se a caminhar com eles, mesmo quando eles estão a andar para trás!

A experiência do encontro com Jesus Ressuscitado, aquele que Deus quis que estivesse para sempre Vivo no meio de nós, é uma experiência espiritual, um encontro nas coordenadas do Espírito...

O Senhor Ressuscitado não se mostra aos seus discípulos como quem se exibe, mas como uma COMPANHIA que é preciso ir descobrindo...

Jesus não se faz notar em forma de Aparição mas sim de uma PRESENÇA que ele vai construindo maravilhosa e discretamente com os seus discípulos...

A experiência pascal dos discípulos não é uma Visão exterior mas uma REVELAÇÃO que Jesus faz de si mesmo dentro de uma Relação de amizade e bem-querer...

Jesus Ressuscitado não se exibe;

faz-se nosso Companheiro!

Não aparece, como se viesse de fora;

faz-se Presente a nós!

Não se mostra de maneira mágica;

Revela-se de maneira relacional!»

 

Rui Santiago cssr

 

 

Se amas, escuta

Magoa-nos saber que aqueles que amamos não nos ouvem.

Hoje, talvez como nunca, as pessoas não se ouvem umas às outras. Todos querem falar e, por isso mesmo, ninguém quer ouvir.

Depois até está na moda a ideia de que devemos dialogar connosco próprios. Um apelo ao individualismo que parte do princípio de que cada um de nós se deve bastar a si mesmo. Uma independência orgulhosa que não resulta porque é uma solidão disfarçada de superioridade.

É essencial que cada um de nós, de forma livre e autónoma, pense, decida e encaminhe a sua vida, mas isso não significa de maneira alguma, que o devamos fazer sem o apoio dos outros através do diálogo.

Parece que já ninguém tem tempo, temos tanto para fazer ao ponto de tudo ter de ser feito com a maior pressa possível. A nossa atenção é disputada aos gritos e acabamos por não entender coisa alguma.

Depois, acreditamos que podemos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas, na verdade, já são poucos os que conseguem fazer bem uma só, no meio de tanto barulho.

Cansados de tudo, desistimos e rendemo-nos a um aparelho eletrónico qualquer que nos absorve ao ponto de nos levar de nós mesmos.

O espírito escurece e a tristeza abre um buraco em nós. Magoamos os outros e os eles a nós por não reconhecermos o que todos precisamos de nos expressar e de escutar.

A falta de escuta confunde-se com ausência de amor.

Que eu saiba expressar apenas aquilo que importa, mas apenas quando for tempo disso.

Escutar é difícil. Exige que façamos calar em nós os egoísmos, orgulhos e vaidades, submetendo-nos por completo, ainda que por meros instantes, às necessidades do outro e àquilo que procura expressar.

Uma escuta só é verdadeira se não procurar uma reação, antes sim uma relação… na qual este momento o tempo é do outro e o silêncio que se lhe segue… ainda é dele.

José Luís Nunes Martins

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

O desejo mais profundo de uma pessoa é ser feliz. Não só por um momento, mas feliz para sempre. Outra coisa não seria normal! Mas há quem desista desse sonho por lhe parecer uma paixão inútil e impossível, confundindo felicidade com bem-estar ou prazer.

Ser feliz é ser fecundo. É esse o significado da palavra. E uma árvore só é fecunda quando é podada. Não se é feliz sem podar o egoísmo.

 

Vasco Pinto de Magalhães, s.j.


 

INFORMAÇÕES

 

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO

RIBEIRA SECA - quarta-feira, 26 de abril, entre as 17 horas e as 18 horas.  

MANADAS - quinta-feira, 27 de abril, entre as 10 horas e as 11 horas. 

 

FESTAS DO ESPÍRITO SANTO DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DA CALHETA

A Santa Casa da Misericórdia da Calheta vai celebrar a sua festa com os irmãos e benfeitores no próximo domingo, 30 de abril.

De 22 a 29 de abril, pelas 20 horas, teremos o terço, no Lar de Idosos da Santa Casa, em louvor do Divino Espírito Santo.

No Domingo a Coroação é às 11 horas e depois teremos o jantar, no Sede dos Bombeiros Voluntários da Calheta com os irmãos, familiares e convidados.

Se alguém quiser contribuir com géneros ou dinheiro, pode fazê-lo entregando os donativos na Santa Casa da Misericórdia ou aos elementos da Mesa.

A Mesa agradece toda a colaboração.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

A Resposta

Houve momentos

em que, depois de horas passadas de joelhos

numa igreja fria, rolou da minha cabeça

uma pedra e olhei para dentro

e vi as velhas perguntas de rastos

dobradas e colocadas a um canto

à parte, como o montão

dos panos fúnebres de um corpo

de amor ressuscitado.

R. S. Thomas

 

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