Nº 1088

 

E se o silêncio falasse tudo?

E se o silêncio falasse tudo? Sentimos, muitas vezes, a necessidade de encontrar as palavras. De conseguir responder de imediato ao que nos é pedido ou questionado. Agimos como se a nossa comunicação se resumisse unicamente ao verbal.

E se o silêncio falasse tudo? Aceitar que não sabemos tudo ou que não sabemos expressar algo num certo momento, não significa que não comunicamos e, muito menos, significará que não nos importamos com aquele que está à nossa frente. O silêncio dá a possibilidade de deixar que o outro habite em nós. Dá tempo e espaço para que na falta de palavras seja prevalecida a presença.

E se o silêncio falasse tudo? Se, em muitos momentos da nossa vida, tivéssemos optado pelo silêncio, talvez as nossas relações fossem caracterizadas por autenticidade. Se perante a dor tivéssemos dado o nosso silêncio, talvez o outro tivesse sentido que a sua dor tinha sido abraçada. Se perante a perda tivéssemos dado o nosso silêncio, talvez o outro tivesse sentido que era acolhido. Se perante a morte tivéssemos dado o nosso silêncio, talvez o outro tivesse saboreado a beleza da eternidade. Se perante a angústia tivéssemos dado o nosso silêncio, talvez o outro soubesse o quão é amado.

 credito que o silêncio, mais do que constrangedor, pode ser caminho de descoberta, de presença e de amor. O silêncio pode unir e construir a partir do nada. No silêncio surge o mistério de nos sabermos profundamente necessitados do outro.

O silêncio fala tudo, nós é que temos medo. De viver sem ter que disfarçar. De viver sem ter que confrontar com o indizível.

 O silêncio fala tudo: o que somos, o que sentimos e o que queremos.

Emanuel António Dias

 

MEDITAR

NÃO À GUERRA ENTRE NÓS

Os judeus falavam com orgulho da Lei de Moisés. Segundo a tradição, o próprio Deus tinha-a oferecido ao seu povo. Era o melhor que tinham recebido dele. Nessa Lei encerra-se a vontade do único Deus verdadeiro. Aí podem encontrar tudo o que necessitam para ser fiéis a Deus.

Também para Jesus a Lei é importante, mas já não ocupa o lugar central. Ele vive e comunica outra experiência: o reino de Deus está a chegar; o Pai está a procura de abrir caminho entre nós para fazer um mundo mais humano. Não basta ficar-nos pelo cumprimento da Lei de Moisés. É necessário abrirmo-nos ao Pai e colaborar com ele para tornar a vida mais justa e fraterna.

Por isso, segundo Jesus, não basta cumprir a Lei, que ordena «não matarás». É necessário também remover da nossa vida a agressividade, o desprezo pelo outro, os insultos ou as vinganças. Aquele que não mata cumpre a Lei, mas, se não se libertar da violência, no seu coração ainda não reina esse Deus que procura construir connosco uma vida mais humana.

Segundo alguns observadores, está-se a espalhar na sociedade uma linguagem que reflete o crescimento da agressividade. Cada vez são mais frequentes os insultos ofensivos, proferidos apenas para humilhar, desprezar e ferir. Palavras nascidas da rejeição, do ressentimento, do ódio ou da vingança.

Por outro lado, as conversas são muitas vezes tecidas com palavras injustas que distribuem condenações e semeiam suspeitas. Palavras ditas sem amor e sem respeito que envenenam a convivência e causam dano. Palavras nascidas quase sempre da irritação, da mesquinhez ou da baixeza.

Não é este um facto que ocorre apenas na convivência social. É também um grave problema no interior da Igreja. O Papa Francisco sofre ao ver divisões, conflitos e confrontos de «cristãos em guerra com outros cristãos». É um estado de coisas tão contrário ao Evangelho que sentiu a necessidade de nos dirigir um apelo urgente: «Não à guerra entre nós».

É assim que o Papa fala: «Dói-me ver como em algumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, consentimos diversas formas de ódio, calúnias, difamações, vinganças, ciúmes, desejo de impor as próprias ideias à custa de qualquer coisa, e até perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas. A quem vamos evangelizar com estes comportamentos?». O Papa quer trabalhar para uma Igreja na qual «todos possam admirar a forma como os cuidais uns aos outros, como os dais alento mutuamente e como vos acompanhais».

José Antonio Pagola

 

«A alegria que voa de mão em mão»

Era uma vez um rapaz que viu um passarinho no chão a piar e a tremer de frio. Caíra do ninho e, como a mãe não o viera buscar, recolheu-o e cuidou dele até ser capaz de comer sozinho e começar a esvoaçar.

Um dia, o rapaz decidiu oferecer o passarinho dentro de uma gaiola a uma colega da sua escola que andava triste porque o seu cão desaparecera havia algumas semanas. A rapariga ficou muito feliz e agradecida com aquele gesto cheio de afeto e, quando a professora se apercebeu, disse à turma:

- Que bonito o que acabei de ver. O João ofereceu um pardal à Matilde porque a viu desanimada e ela ficou muito contente. Sabem que a chave da porta da felicidade é fazer tudo o que seja necessário para que os outros sejam felizes e alegrar-se com a sua alegria. A alegria de amar desinteressadamente e fazer o bem são o segredo para a felicidade autêntica. Parabéns, João e Matilde, por esta lição de vida. Alegramo-nos todos convosco.

Então, a Matilde levou alegremente a gaiola com o passarinho para casa, mas, pelo caminho, lembrou-se da idosa que todos os dias lhe sorria e falava um bocadinho consigo desde a janela de sua casa. Achou que a alegria que sentira ao receber o pardal poderia acontecer novamente se o oferecesse à velhinha que vivia sozinha e que estava doente. Ela ficou muito comovida com o passarinho e disse à rapariga:

- Minha querida, muito obrigado porque, sem o saberes, gosto muito de passarada e alegraste muitíssimo o meu dia. Custa-nos a acreditar que a verdadeira felicidade pode estar mais perto do que parece. Ela pode estar na própria casa, por entre as alegrias simples e genuínas da família, ou quando estamos e nos alegramos com os amigos. Aprendi a não deixar de aproveitar as pequenas alegrias do quotidiano, em vez de desanimar com a demora da chegada da felicidade em toda a sua plenitude. Olha, seremos muito mais felizes se, em vez de nos lamentarmos pelo que não temos, nos alegrarmos com o que possuímos e se não nos esquecermos que a alegria depende sobretudo do que somos, sentimos, acreditamos e conseguimos.

Uns dias depois, a idosa, sentindo-se melhor, decidiu oferecer a gaiola com o passarinho ao diretor da escola onde tinha sido funcionária durante muitos anos. Tinha-se dado conta que o pardal parecia triste e nunca cantava e que talvez o espaço verdejante da escola e a alegria efusiva das crianças pudessem animá-lo. Então, o diretor chamou todos os alunos da escola, mostrou-lhe a gaiola com o pardal e disse:

- Amigos, esta história vai ter um final feliz para todos. Já percebi que este passarinho voou de mão em mão a espalhar alegria por muita gente e julgo que chegou o momento de lhe oferecermos a liberdade para que possa viver com a alegria que merece. Podemos estar alegres connosco mesmos durante algum tempo, mas, mais cedo ou mais tarde, a nossa alegria precisa de ser partilhada com alguém para que tudo faça sentido e tudo valha a pena.

 Para alegria de todos, o passarinho saiu da gaiola, esvoaçou para as árvores da escola e começou logo a cantarolar. O pardal passou a visitar as crianças todas as manhãs, voando entre elas no recreio e cantando alegres melodias no parapeito das janelas das salas. E a cada dia que passava, crescia o número de pássaros por aquelas bandas.

Paulo Costa (Adaptado)

 

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

“As crianças de tenra idade tiram todas as forças àqueles que se ocupam delas e, num milésimo de segundo, pela graça de uma palavra ou de um riso, dão infinitamente mais do que tudo o que haviam tirado.

“Infinitamente mais do que tudo”: é o nome infantil do amor, o seu nome de batismo, o seu nome secreto”.

Christian Bobin


 

INFORMAÇÕES

.MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 19 de fevereiro, às 15h30 horas.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Sonho uma Igreja "pobre e para os pobres"

que não se torna capa de revista nem título de jornais

mas se mostra serva e despojada,

simples e humilde,

capaz de falar eloquentemente de Jesus,

O Crucificado por Amor.

Sonho uma Igreja que não se dispersa nem se contenta com sermões, homilias e palestras,

mas faz da palavra um "grito", uma "prece", uma "denúncia" e uma "postura"

de fraternidade, de justiça, de cumplicidade, com o Reino de Deus.

Sonho que

ando, cada dia, à procura de mim próprio

e à descoberta de Deus

numa Igreja feita verdadeiramente de mulheres e homens...

P. António Teixeira

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