Nº 1085

 

A minha casa é este caminho

Não sou de um só lugar. Sou de cada pedaço de caminho que me permite ir de onde estava para onde quero ou tenho de ir. Tenho tantas casas que sou mais do caminho que as liga do que de alguma delas.

Sou tanto do lugar onde comecei esta minha vida como daquele onde estou ou daquele em que me despedirei desta existência.

Não sou desta casa onde vivo agora, outras pessoas viveram aqui antes de mim e outros diferentes o farão depois.

Não sou alguém feito que apenas pode ser o que já é. Sou alguém que é chamado a escolher-se, a fazer-se e a avançar com os resultados de tudo isso.

Onde sou mais eu? Em todos e cada um dos momentos que me foram, são e serão dados a viver, mas em nenhum mais do que em qualquer outro.

A minha meta não é deste mundo, a casa onde espero descansar não virá ao meu encontro, sou eu que devo encontrá-la por caminhos nos quais poucas vezes há só flores. Os bons trilhos são duros e cheios de adversidades, sem atalhos, sem desculpas nem escapatórias.

Os caminhos dos infernos são fáceis e com belas paisagens ao longe. É claro que o caminho que uns sobem é o mesmo que outros descem…

… é o que buscamos que dá valor aos nossos passos.

Sobe, sobe sempre. É sempre melhor subir!

Segue em direção à luz, deixando sempre as sobras atrás de ti.

E os outros, o que encontram eles em ti?

Faz caminho e faz-te caminho. Que os outros encontrem em ti pedaços e instantes do amor que os leva à felicidade.

 

José Luís Nunes Martins

 

MEDITAR

A PRIMEIRA PALAVRA DE JESUS

O evangelista Mateus cuida muito do cenário em que Jesus vai fazer a sua aparição pública. Apaga-se a voz do Batista e começa-se a ouvir a voz nova de Jesus. Desaparece a paisagem seca e sombria do deserto e ocupa o centro a vegetação e a beleza da Galileia. Jesus abandona Nazaré e muda-se para Cafarnaum, na margem do lago. Tudo sugere o aparecimento de uma vida nova.

Mateus recorda que estamos na «Galileia dos Gentios». Já sabe que Jesus pregou nas sinagogas judaicas dessas aldeias e não se moveu entre os pagãos. Mas a Galileia é um cruzamento de caminhos; Cafarnaum, uma cidade aberta ao mar. A partir daqui chegará a salvação a todos os povos.

De momento, a situação é trágica. Inspirando-se num texto do profeta Isaías, Mateus vê que «o povo habita em trevas». Sobre a Terra «há sombras de morte». Reina a injustiça e o mal. A vida não pode crescer. As coisas não são como as quer Deus. Aqui não reina o Pai.

No entanto, no meio das trevas, o povo vai começar a ver «uma grande luz». Entre as sombras de morte «começa a brilhar uma luz». Isso é sempre Jesus: uma luz grande que brilha no mundo.

Segundo Mateus, Jesus começa a sua pregação com um grito: «Convertei-vos». Esta é a sua primeira palavra. É a hora da conversão. Há que abrir-se ao reino de Deus. Não ficar «sentados nas trevas», mas sim «caminhar na luz».

Dentro da Igreja há uma «grande luz». É Jesus. Nele, se nos revela Deus. Não o devemos ocultar com o nosso protagonismo. Não o devemos suplantar com nada. Não o devemos converter em doutrina teórica, teologia fria ou palavra aborrecida. Se a luz de Jesus se apaga, os cristãos converter-se-ão no que tanto temia Jesus: «uns cegos que tentam guiar outros cegos».

Por isso que também hoje essa é a primeira palavra que temos de ouvir: «Convertei-vos»; recuperai a vossa identidade cristã; voltai às vossas raízes; ajudai a Igreja a passar para uma nova etapa do cristianismo mais fiel a Jesus; vivei com uma nova consciência de seguidores; colocai-vos ao serviço do reino de Deus.

José Antonio Pagola

 

O amor em forma de gente

Pessoas que nos abraçam e nos deixam (de)morar.

Pessoas que nos abrigam dentro da sua mão dada.

Pessoas que nos sorriem do coração e que nos fazem sorrir o coração.

Pessoas que nos olham nos olhos e nos veem por dentro.

Pessoas que nos curam com beijos de ternura.

Pessoas que nos são colo sempre seguro.

Pessoas que nos falam com palavras, com gestos e com silêncios.

Pessoas que nos escutam as palavras, os gestos e os silêncios.

Pessoas que, longe ou perto, nos estão sempre perto.

Pessoas que nos abraçam a alma e que nos sentem o coração.

Pessoas que nos querem bem de verdade.

Pessoas que nos tatuam amor no coração.

Pessoas que nos inspiram a ser do bem.

Pessoas que nos fazem acreditar.

Pessoas que nos são tanto. Que nos fazem ser tanto.

Pessoas que nos salvam, mesmo sem saberem. Só por serem, por estarem, por existirem.

 

O lado bonito da vida. O lado bonito de tudo.

O amor em forma de gente.

 

Que lhes saibamos agradecer sempre.

E ser também.

Daniela Barreira

 PENSAMENTO DA SEMANA

  

"Tudo o que sei do céu me vem do espanto que experimento perante a bondade inexplicável desta ou daquela pessoa, à luz de uma palavra ou de um gesto tão puros que me revelam bruscamente que nada no mundo poderia ser a sua origem. (...)

Há almas nas quais Deus vive sem que elas disso se apercebam.

Nada deixa supor essa presença sobrenatural, senão a grande naturalidade que inspira aos gestos e às palavras daqueles em que habita."

Christian Bobin in Ressuscitar


 

INFORMAÇÕES

 

RECEITAS

Cortejo de oferendas - Ribeira Seca 843,00€.

                                              Ermida de Santo António 900.00€.

 

CURSO PARA CATEQUISTAS

 

De 23 a 26 de janeiro, no Auditório da Escola da Calheta, às 20h00 vamos ter, na nossa ilha, um Curso para Catequistas feito pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).

Virá a Ir. Mª Arminda Faustino, Coordenadora do Departamento da Catequese, Pe. Pedro Manuel do Secretariado do Algarve e Prof. Fernando Moita Diretor do SNEC. É bom que os catequistas da Ilha reservem, desde já, a referida semana para poderem participar neste curso muito importante para a Pastoral e Catequese da nossa Ilha.

 


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Nº 1087

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

“Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar: combinei comigo não desistir de mim.

Quanto mais o tempo passa, mais amorosamente, mais contente, mais compassiva, eu cumpro esse trato.”

Ana Jácome

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